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Eduarda Pinto
Graduanda em Comunicação Social pela UFBA. Ex-redatora do Jornal da FACOM e repórter da revista DémodÉ.
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A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) formalizou a renúncia de aplicação de uma punição contra um perito criminal de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, acusado de negligência em um laudo criminal de tráfico de drogas. Conforme a resolução publicada pelo órgão no Diário Oficial do último dia 29, a Secretaria abriu mão da punição após a aposentadoria do servidor.
Uma recomendação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-BA) solicitou o cancelamento da punição no âmbito do Processo Administrativo Disciplinar. Segundo as informações do processo, o servidor identificado como José Correia, lotado na Coordenadoria Regional de Polícia Técnica de Santo Amaro, teria atuado com negligência na elaboração de um laudo de constatação de drogas. O caso teria ocorrido em fevereiro de 2019.
O laudo em questão é o documento pericial que comprova provisoriamente a natureza e a quantidade de uma substância suspeita apreendida pela polícia. A peça costuma ser utilizada para justificar e sustentar as provas de uma prisão ou apreensão em flagrante por tráfico de drogas.
Na elaboração do laudo, o perito “deixou de indicar a massa do material apreendido e apresentou informação equivocada sobre a remessa para o laboratório”. Após o primeiro erro, o servidor da Polícia Técnica “registrou um peso inferior no citado documento e não encaminhou o material necessário para a perícia ao local correto”.
Segundo o PAD, os sucessivos erros documentais e investigativos podem ter sustentado os argumentos para a soltura do réu, investigado por tráfico de entorpecentes. Com a aposentadoria do servidor, a advertência atribuída ao processo foi suspensa e o procedimento foi oficialmente arquivado. Não há informações sobre o inquérito em que o laudo foi inserido nem sobre a identidade do suspeito que foi solto no âmbito da investigação.
A Prefeitura de Salvador acredita que a capital baiana deve se tornar um polo de atração para eventos e artistas internacionais nos próximos anos. Na avaliação apresentada pelo prefeito, Bruno Reis, e pelo presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, durante o lançamento do Festival Virada Salvador 2027, nesta quarta-feira (4), esse movimento começa pelo crescimento da infraestrutura da cidade.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o gestor da Saltur destacou que um dos atributos da cidade será a Arena Multiuso Antônio Balbino, conhecida como Novo Balbinão, na orla da Boca do Rio.
“Eu não tenho dúvida de que, com o Balbinão, a gente também vai explodir quando a gente fala em turismo esportivo, eventos internacionais e eventos que fazem parte daquele contexto de uma arena para 12 mil pessoas, com ar-condicionado, com toda a infraestrutura. Muitos eventos que tinham motivo para não vir a Salvador agora não vão ter mais e vão, com certeza, fazer questão de estar aqui”, garante Isaac.
A fala de Edington ocorre em um contexto em que grandes nomes da música internacional já vieram à capital baiana este ano, como Guns N' Roses e Maroon 5, e fontes ligadas ao setor cultural especulam o retorno da cantora colombiana Shakira ao Brasil, com passagem por Salvador em janeiro. Sem confirmar os rumores, Isaac diz apenas que “Shakira vai ser super bem-vinda aqui na cidade de Salvador”.
“A gente sabe que é uma movimentação que faz parte desse contexto [de atração de Salvador], porque qual é o nosso raciocínio? Os artistas têm uma agenda internacional. Essa agenda internacional tem um contexto econômico de extrema importância, mas os artistas não vão para um lugar que não tem infraestrutura, um lugar que não sabe receber bem, um lugar que não tenha o mínimo de pré-requisitos para que esse artista se apresente. Eu acho que Salvador, ao longo dos anos, ganhou muita credibilidade e começou a entrar na rota dos eventos internacionais”, explica o gestor.
Já na visão do prefeito Bruno Reis, a vinda de Shakira é possível, mas não por iniciativa pública. “Ontem, a iniciativa privada estava em negociações avançadas. Há sim uma grande possibilidade de, no início de janeiro, Shakira se apresentar em Salvador, em um evento privado, sem recursos públicos ou de patrocinadores mobilizados pela Prefeitura, mas, sem sombra de dúvidas, com o apoio logístico e institucional que a gente dá a todos os eventos e daremos a esse”, destacou.
Por fim, Isaac Edington reforça que, caso a “Loba” escolha Salvador como destino da turnê, “certamente ela vai ser muito bem recebida”. “A Prefeitura vai apoiar em tudo o que for possível: na infraestrutura, na mobilidade urbana e na organização dos espaços para fazer com que essa experiência dela aqui em Salvador seja bem-sucedida e que o mundo inteiro venha a Salvador curtir esse show”, completou.
O presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, avaliou o processo de montagem da programação e prometeu melhorias no Festival Virada Salvador 2027, evento tradicional de Réveillon da capital baiana, organizado pela Prefeitura. Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (4), o gestor garantiu que “não existe nada igual no Brasil” e incluiu a cantora Daniela Mercury nas expectativas de atrações.
Edington destacou que a primeira melhoria foi na organização da data: este ano o festival vai ocorrer entre os dias 30 de dezembro, quinta-feira, e 3 de janeiro, domingo. “A gente se orgulha muito de que no fundo, no fundo, a gente tem a cada dia desses 5 dias uma virada. Independente do dia 31, é lógico que a gente capricha no dia 31 mais ainda, mas a gente ajustou esse ano o calendário para que ele fique melhor para as pessoas poderem participar”, afirmou o presidente da Saltur.
Ele reforçou que o espaço do evento ainda será o mesmo, na Arena Canto da Cidade, na Boca do Rio, ainda que parte do espaço esteja ocupada pela construção da Arena Multiuso Antônio Balbino, conhecida como Novo Balbinão.
“Vamos contar com aquele espaço fantástico. Está melhor ainda esse ano, com algumas alterações que a gente está fazendo lá na obra. Vocês estão acompanhando a obra lá do Balbinão, que está em fase acelerada. A gente consegue adaptar aquele espaço para que, independente da obra, a gente consiga fazer esse evento. Até fizemos algumas melhorias para melhorar ainda mais a experiência lá do festival”, declarou Isaac.
Especificamente sobre a grade, ele defende que “não existe nada igual no Brasil”. “Temos uma grade que o prefeito vai mostrar daqui a pouco invejável, não existe nada igual no Brasil e posso dizer para vocês que nem em festivais privados. Esse, de fato, é o maior festival de música de final de ano do Brasil. De fato, a gente se posiciona como o maior Réveillon do Brasil. A gente tem muito orgulho disso”, destacou.
Ainda sobre a programação, Edington comentou sobre a possibilidade de trazer o Pôr do Som, evento tradicional de Daniela Mercury realizado anualmente no dia 1º de janeiro, para o Festival Virada Salvador. O gestor evitou falar sobre a festa da cantora, que nos últimos dois anos foi organizada pelo Governo do Estado da Bahia, mas que “A Rainha” vai participar da programação do festival.
“Daniela faz parte do nosso contexto e posso dizer para vocês que ela está confirmada para tocar no festival da cidade, no Festival Virada desse ano”, completou. A cantora foi confirmada como uma das atrações do dia 3 de janeiro, ultimo dia do festival.
O contrato firmado pela Prefeitura de Serrinha, na região sisaleira da Bahia, com a editora Alfa Livros e Consultoria Ltda. foi dividido em seis lotes ao ultrapassar o valor de R$ 5,9 milhões e. A contratação é um dos alvos da Operação Caro Leitor, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), nesta quarta-feira (4), para investigar suspeitas de fraude em licitação, superfaturamento e desvio de recursos públicos na compra de livros didáticos para a rede municipal de ensino.
A investigação identificou indícios de superfaturamento na aquisição dos materiais. Segundo a PF, livros comprados pelo município teriam sido contratados por valores significativamente superiores aos preços divulgados no site da própria editora responsável pelas obras.
Após o cumprimento de mandados em Serrinha e em um condomínio no bairro do Matatu, em Salvador, a reportagem teve acesso a documentos relacionados à contratação apontada pelos investigadores como suspeita de irregularidades. Para organizar a compra dos materiais didáticos destinados à rede municipal em 2024, o processo foi dividido em seis lotes, conforme a etapa de ensino e a finalidade pedagógica. Todos foram vencidos pela Alfa Livros, com valores que, somados, chegam a R$ 5.953.359,00.
O primeiro lote, no valor de R$ 2.412.230,00, previa a aquisição da coleção "Gramática Dinâmica da Língua Portuguesa", destinada a estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. O segundo lote, de R$ 12.500,00, contemplava a coleção "Produção Textual e Ortografia Dinâmica", também voltada aos alunos do Ensino Fundamental.
Já o terceiro lote, no valor de R$ 800.956,00, correspondia à compra de kits de literatura infantil, compostos por quatro livros paradidáticos e uma maleta. O quarto lote, de R$ 65.200,00, previa a aquisição de guias didáticos para professores referentes à coleção de gramática. O quinto, no valor de R$ 265.710,00, contemplava manuais pedagógicos destinados aos docentes da área de produção textual.
O sexto e último lote foi destinado à compra de livros da coleção "EJA – A Caminho do Conhecimento", voltada à alfabetização de jovens e adultos. O valor previsto foi de R$ 2.396.763,00.
TÍTULOS E AUTORES
Os documentos da contratação também identificam os títulos e autores das obras adquiridas pelo município. O kit de literatura infantil, correspondente ao terceiro lote, reúne quatro livros da autora Margarida Rosa: "Mamãe Ovelha e o Corneirinho", "Canta Passarinho", "O que tem hoje na praia" e "Passeando pelo Jardim".
A coleção de gramática, atribuída a Herman Regis, foi dividida entre os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. Entre os títulos estão "Gramática Dinâmica da Língua Portuguesa", com volumes destinados do 1º ao 5º ano, e "Gramática Dinâmica Leitura e Compreensão", voltada aos estudantes do 6º ao 9º ano.
A coleção de produção textual, também atribuída a Herman Regis, inclui os livros "Produção Textual e Ortografia Dinâmica", para os anos iniciais, e "Produção Textual e Ortografia Dinâmica Aplicada", destinada aos anos finais do Ensino Fundamental.
Já a coleção para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é composta pelo livro "EJA – A Caminho do Conhecimento (Alfabetização)".
HOMOLOGAÇÃO
Outro documento analisado é o termo de homologação do certame, assinado em 29 de maio de 2024 pelo então prefeito de Serrinha, Adriano Silva Lima (PSD). O registro informa que não houve formação de cadastro de reserva porque outros participantes não manifestaram interesse em integrar a lista.
Após a publicação do resultado, a Alfa Livros foi convocada para assinar formalmente o contrato no prazo de cinco dias úteis.
A OPERAÇÃO
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (4), a Operação Caro Leitor, que apura possíveis irregularidades na contratação de livros didáticos para a rede municipal de ensino de Serrinha. A operação cumpre mandados em quatro municípios: Serrinha e Salvador, na Bahia, além de Fortaleza e Eusébio, no Ceará. As diligências incluem endereços de pessoas físicas, empresas e a sede da Prefeitura de Serrinha.
O foco da investigação é o Pregão Eletrônico nº 012/2024, que resultou na contratação de duas empresas pelo valor total de R$ 5,95 milhões. O procedimento passou a ser investigado após um levantamento de riscos realizado pela CGU.
A editora Alfa Livros e Consultoria Ltda., sediada no Ceará, é apontada como principal investigada da operação. Em setembro, a Polícia Federal também realizou uma açãoão no estado cearense envolvendo editoras, em uma investigação relacionada ao deputado federal Mário Frias e ao filme "Dark Horse". De acordo com os órgãos de controle, foram identificados indícios de possível direcionamento da licitação, vínculos entre empresas participantes e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Os pagamentos foram realizados com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), incluindo verbas de contas municipais que receberam complementação da União. A apuração também identificou suspeitas de superfaturamento. Conforme o levantamento, os livros adquiridos pela prefeitura teriam sido comprados por valores significativamente superiores aos preços divulgados pela própria editora em seu site.
Durante a operação, os agentes buscam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento das suspeitas. Os investigados são alvo de apuração por possíveis crimes de fraude à licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a Polícia Federal, as investigações continuam para esclarecer a participação dos envolvidos e o destino dos recursos públicos.
A deputada federal reeleita, Alice Portugal (PCdoB), se posicionou contra a mudança no sistema proporcional de votos para a adoção do voto distrital misto. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Antena 1 Salvador (100.1) nesta terça-feira (3), a deputada afirmou que o modelo pode prejudicar a atuação dos parlamentares no Legislativo Federal.
Alice chama a proposta, que deve ser apresentada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de “reforma anti-influencers”. “A reforma que o Centrão, em especial, quer, é exatamente uma reforma anti-influencers. Mas eu não sei até que ponto isso vai barrar esse tipo de movimento ou se é a política que tem que se adaptar às redes”, diz a deputada.
No sistema proporcional, que utilizamos hoje, o voto do eleitor conta para o candidato e também para o partido, porque esse modelo utiliza o chamado quociente eleitoral. A partir do quociente, o número de votos válidos é dividido pela quantidade de vagas no parlamento, e a votação de cada partido define o número de cadeiras a serem preenchidas pelos candidatos mais votados. Parte dos deputados acredita que o formato favorece os “puxadores de voto”, como os deputados influencers e famosos.
O formato de voto distrital misto estabelece que parte das vagas seja preenchida por candidatos eleitos diretamente em distritos eleitorais, enquanto as outras cadeiras são distribuídas por voto no partido, com uma lista pré-ordenada de candidatos definida pela legenda.
Para Alice Portugal, a perspectiva dessa mudança “é muito ruim para a democracia”. Dando o exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, que já adotam esse sistema, ela diz: “O deputado acaba se transformando em um vereador em Brasília e ele acaba não tangenciando os grandes temas nacionais, porque aquele grande tema às vezes não é o tema do seu território. O tema do seu território é a seca, o tema do seu território é o asfalto para certas regiões da cidade. Ele vai ser esse deputado, mas para isso já tem a Câmara Municipal. Para isso já tem as Assembleias Legislativas”, aponta.
Confira a entrevista completa:
A deputada federal reeleita, Alice Portugal (PCdoB), comentou sobre a relevância das eleições presidenciais no Brasil para o cenário da política internacional. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Antena 1 Salvador (100.1) nesta terça-feira (3), a parlamentar destacou que, assim como as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms, que ocorrem este mês, a eleição brasileira foi importante para a multipolaridade.
“Então, se durante um bom tempo os americanos se preocuparam com a eleição no Brasil, hoje, evidentemente, nós no Brasil estamos de olho também naquelas eleições”, afirmou a deputada. “Porque o mundo vive esse processo de embate entre a tentativa de uma unipolaridade controlada pela principal potência econômica do mundo e a possibilidade da multipolaridade, que é uma garantia de livre comércio, de relações internacionais onde a diplomacia seja – e não a guerra – o elemento nuclear”, completou.
Para Alice, o diferencial é que as eleições brasileiras foram dominadas pelas manifestações de rua. “Não há dúvida de que a mobilização estudantil, que foi aqui o estopim do processo de rua, que é o diferencial dessa eleição, esteve com muita força na discussão da democracia, da soberania e dos direitos, de não perder direitos”, garantiu a parlamentar.
Ainda sobre a força da mobilização estudantil, ela atribui o movimento à própria expansão da rede pública de ensino no Brasil durante os governos petistas: “Você vê, 18 anos com 18 universidades, todo esse processo de estímulo à educação como elemento de ascensão social e as massas populares, os idosos, é um negócio assim emocionante. Netos a carregar seus avós e mães e pais. Então, é uma eleição, de fato, épica, onde a nacionalidade aflorou”, conclui.
O deputado federal eleito, Lucas Reis (PT), comentou sobre a sobrevivência da oposição no Brasil e na Bahia após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jerônimo Rodrigues em suas campanhas de reeleição. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Antena 1 Salvador (100.1), o ex-chefe de gabinete do senador Jaques Wagner alegou que “é salutar” que haja oposição, mas criticou as ações dos opositores.
“Sobre a oposição, eu acho que nós vamos continuar a ter oposição e é salutar que tenhamos oposição. Eu, sinceramente, me surpreendo e não chego a me decepcionar com o comportamento do que aconteceu principalmente no domingo da eleição do segundo turno. Isso não é jeito de fazer oposição”, diz o candidato eleito, em referência às denúncias de falhas na garantia do transporte público de Salvador no último domingo (25), dia da votação.
Lucas Reis sugere que o grupo da oposição atuou para “tentar impedir que o povo de Salvador fosse às urnas, porque o povo de Salvador é majoritariamente eleitor do presidente Lula” “Não foi uma atitude democrática, não é uma atitude correta. É uma atitude de quem não respeita o eleitor da cidade de Salvador. Não é uma atitude de alguém que simplesmente faz oposição”, disse o deputado eleito.
Em entrevista, o petista disse ainda que “uma coisa é você fazer oposição, você divergir, você criticar, outra coisa é você usar a Prefeitura da cidade para impedir que os eleitores chegassem às urnas”, disse “Mas a mobilização do povo da cidade, a mobilização do nosso pessoal, eu fiquei muito impressionado no domingo”, narra. Segundo ele, a ação popular permitiu não só que as pessoas conseguissem exercer o voto, como garantiram uma vitória importante na reeleição de Lula.
“Salvador deu o recado nas urnas. A capital que mais deu votos ao presidente no Brasil inteiro foi Salvador, foram 73% dos votos da cidade para o presidente Lula, em resposta também à barbaridade, ao ato antidemocrático que a oposição tentou fazer na Bahia e aqui em Salvador”, completou.
O deputado federal eleito pelo Partido dos Trabalhadores, Lucas Reis, avaliou a evolução da campanha eleitoral em primeiro e segundo turno para o partido na Bahia. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Antena 1 Salvador (100.1), o petista afirmou que o ritmo mudou de forma abrupta entre os dois turnos eleitorais e que hoje o grupo ainda segue em “clima de euforia” após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Olha, a gente saiu da eleição do 1° turno, que é quando eu me elegi deputado federal, e entramos de cabeça no 2º turno porque sabíamos da importância para o Brasil, mas principalmente no nosso caso aqui, para a Bahia, da reeleição do presidente Lula. Para que a gente pudesse continuar os investimentos, continuar a parceria que se estabeleceu, para que a gente pudesse avançar ainda mais”, narra.
Ele conta que, em meio a celebração da vitória, os preparativos para a posse do mandato, em fevereiro de 2027, já estão ocorrendo em Brasília. “Acabou o segundo turno, estamos em um clima de euforia, mas eu já fui a Brasília. Essa semana já teve reunião da bancada eleita do PT, já teve reunião também o presidente Hugo Motta, para declarar apoio à sua reeleição, junto com a Federação com o PV e o PCdoB”, conta.
Lucas relembra ainda que a agenda de campanha foi ainda mais corrida. ““Eu acho que não vai dar tempo até dezembro parar, mas óbvio que o ritmo diminuiu muito. Foi uma campanha muito intensa, eu rodei mais de 50 municípios considerando só o período oficial de campanha”, destaca.
Eleito com mais de 192 mil votos, a quinta votação mais expressiva para a Câmara dos Deputados na Bahia, Reis recapitula sua trajetória política, especialmente vinculada ao senador reeleito Jaques Wagner.
“Mas eu to muito feliz, muito satisfeito, acho que o resultado é fruto desse trabalho que a gente vem fazendo ao longo desses anos, eu na chefia de gabinete do senador Jaques Wagner desde 2019. Eu em 2022 não fui candidato, e em 2023 já começa com as pessoas dizendo: ‘Olha, acho que era bom a gente ter um nome na linha do senador Jaques Wagner, para a renovação do partido’, e eu estou feliz de poder representar o meu estado, o meu povo no Congresso Nacional a partir de fevereiro”, completa.
O bairro de Cajazeiras XI concentra ao menos 80 terreiros ou templos de religiões de matriz africana em Salvador. Isso é o que diz o levantamento da Secretaria Municipal da Reparação de Salvador, obtido pelo Bahia Notícias. Com base nos dados encontrados até o momento, o bairro pode concentrar a maior comunidade de terreiros da cidade.
Até outubro deste ano, o projeto já registrou 1.385 comunidades de terreiros na capital baiana, sendo que os 80 que foram registrados em Cajazeiras XI representam 5,78% do total. O bairro é um dos que compõem a comunidade de Cajazeiras, que soma outros 17 bairros de Salvador.
Os dados compartilhados pela pasta detalham que os terreiros foram registrados, até o momento, em 15 bairros da capital baiana. A Semur não detalhou a localização de todos os terreiros informados, nem os terreiros que estariam fora dos bairros inicialmente divulgados. Com base nas informações disponíveis, o segundo maior contingente de terreiros da capital estaria em Paripe, no Subúrbio Ferroviário, com 76 registros.
Em seguida, aparecem os bairros de São Cristóvão, Liberdade e Itapuã, todos com 27 terreiros registrados. Ao olhar para estes bairros, é possível notar similaridades: em Paripe, Cajazeiras e São Cristóvão, é notável a proximidade com a natureza e áreas verdes no entorno dos bairros, fator relevante para a prática dos cultos afro-brasileiros. Já a Liberdade foi por anos considerada o bairro mais negro da capital baiana, título que segue carregando simbolicamente até hoje.
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Monumento da Pedra de Xangô, Patrimônio Cultural da Cidade inserido no Parque Pedra de Xangô Foto: Valter Pontes / Secom PMS
Outros bairros tradicionais pelos cultos de matriz africana na capital, como Engenho Velho de Brotas e Federação, aparecem na lista com 24 e 23 terreiros registrados.
O Bahia Notícias solicitou dados complementares sobre as nações das comunidades de terreiro registradas pela Semur. As nações do candomblé costumam se organizar em grupos alinhados de acordo com as origens étnico-geográficas, os dialetos litúrgicos e as divindades cultuadas.
Neste tópico, os dados da Prefeitura de Salvador apontam que a maior parte dos 1.385 terreiros registrados, cerca de 957, é da nação Ketu. O número é o equivalente a 69,1% do total, ou quase sete em cada dez. Em seguida, aparece a nação Bantu/Angola, com 228 comunidades registradas, cerca de 16,5%.
As demais comunidades são: Centro de Caboclo (55); Jeje (4,1%); Umbanda Cruzada (2,8%); Umbanda Branca (1,9%); Ijexá (1%); e Culto Bàbá Egun (0,6%).
Além das nações, a Secretaria Municipal da Reparação (Semur) compartilhou dados sobre a autodeclaração racial e étnica das lideranças ou representantes dos terreiros no cadastro. Conforme o balanço da Semur, 777 dos 1.385 são pessoas negras, entre pretos (572) e pardos (202). Pessoas brancas à frente dos terreiros registrados seriam apenas 31, e outros 7 seriam indígenas e 3 amarelos. Outros 555 responsáveis por terreiros não teriam registrado uma autodeclaração de raça ou etnia.
QUEM É VISTO, É LEMBRADO
O registro faz parte do projeto Baobá, como é conhecido o Sistema de Cadastramento de Povos e Comunidades de Terreiros da Semur. Conforme o registro oficial do programa, o principal objetivo do sistema Baobá é “cadastrar as Organizações dos Povos e Comunidades de Terreiro para fins de reconhecimento jurídico, administrativo e social”. Por meio do cadastro, os terreiros e suas lideranças religiosas passam a ter um canal direto de assistência social junto à Prefeitura de Salvador.
Ao Bahia Notícias, a secretária municipal de Reparação, Isaura Genoveva, detalha que, antes de qualquer política pública mais aprofundada, é preciso identificar essa população e comunidade de matriz africana, descobrir onde ela está, como vive e quais são as suas demandas e necessidades.
Ela narra que a ideia de criar o Sistema de Cadastramento de Povos e Comunidades de Terreiros foi para centralizar o atendimento a essa população em um só lugar, podendo direcionar os líderes ou representantes dessas entidades para outras secretarias conforme a necessidade.
“A gente sabe quais são as principais demandas dessas pessoas na prefeitura, então o programa é para poder identificar essa população, onde ela está, como ela vive, quais as demandas a comunidade tem, para que, a partir daí, a Semur seja essa porta de entrada”, destaca.
Em entrevista, a gestora da pasta desde 2024 diz que, apesar dos números já encontrados pela Secretaria, por meio do projeto Semur na Rua, não é possível “cravar” o número de terreiros e comunidades de matriz africana em Salvador.
“A gente está mapeando. O contato da equipe técnica com o ‘Semur na Rua’, que está fazendo o levantamento na rua, com contato telefônico e com a demanda espontânea dos terreiros, é para poder compilar. Mas a gente não tem esse dado preciso ainda, porque uma casa gera filhos, gera netos que vão se estruturando. Às vezes a pessoa está até dentro da sua própria residência já exercitando o terreiro, mas não divulgou, não registrou, não disse. Então, eu acho muito inseguro dizer esse número exato”, detalha Genoveva.
Como filha de terreiro, a secretária completa que o cadastro é menos rígido e mais focado em compreender a realidade prática dos grupos de terreiros: “Essa reparação começa quando você conhece o seu público e onde ele está, com quem ele faz, como é que ele trabalha, eles dão cesta básica, eles cuidam das crianças, dos filhos dos outros…”
Isaura completa que o Semur na Rua não atua somente no eixo de cadastro de terreiros, mas realiza ações transversais para públicos marginalizados, como pessoas com deficiência, pessoas LGBT+, quilombolas e populações ribeirinhas.
“Eu sou secretária, mas eu sou do bairro da Liberdade, eu sou uma mulher de bairro periférico. Então, qual é a grande dificuldade de quem vem de bairro periférico? Acreditar no serviço público e acessar ele com qualidade. A gente vai nas comunidades para poder apresentar as políticas públicas, apresentar a Semur e como a gente pode ajudar. Essa é a nossa função: garantir o serviço público”, ressalta a secretária, que é advogada e ativista de Direitos Humanos.
Ao BN, a secretária registra que o trabalho de campo, somado à captação de dados no Baobá, permite que as políticas públicas sejam melhor formuladas e direcionadas: “A gente faz essa identificação dos serviços [que a comunidade pede] e é por isso que surgiram, depois daí, os programas da Prefeitura, ‘Viver Salvador’ e ‘Viver Terreiros’, em que a gente foi para a rua, comunidades, identificou que precisava de serviço de saúde, de empregabilidade, de curso. O ‘Semur na Rua’ é para a gente ouvir as pessoas e trazer para dentro da gestão as necessidades e mostrar melhor como encaminhar”, completa.
O secretário municipal de Mobilidade Urbana (Semob), Pablo Souza, informou que uma ação movida pelo PL ainda no último domingo (25) pede a prisão dos sindicalistas envolvidos no “adesivaço” de ônibus na madrugada do dia do segundo turno das eleições 2026. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, na Antena 1 Salvador nesta terça-feira (27), o gestor da Semob disse que a manifestação será enviada ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), que ainda investiga as falhas na operação do transporte público durante o segundo turno das eleições.
Por telefone, o secretário, que retornou de uma missão em Paris nesta segunda-feira (26), diz que “nós vamos pedir sim que o TRE adote um atendimento igualitário com relação aos ônibus estaduais”, afirma.
Ainda no domingo, a Prefeitura de Salvador revelou que o motivo por trás dos atrasos e diminuições na frota de ônibus nas ruas, denunciadas por eleitores e partidos políticos, foi motivado pela ação de sindicalistas que teriam adesivados os ônibus municipais com material de boca de urna, configurando crime eleitoral.
O secretário defende que não apenas os sindicalistas envolvidos sejam identificados e responsabilizados, como também sejam analisadas outras denúncias de obstrução da operação do transporte público na Região Metropolitana de Salvador, que segundo ele, não foram tratadas com a mesma ênfase direcionada à gestão da capital baiana. Pablo Souza fala abertamente sobre a suposta “criação de um fato político”.
“É um absurdo, no estado democrático, que todos nós defendemos, a gente ter uma postura dessa natureza, em que se há uma ação desproporcional. Há imagens circulando em toda a imprensa das garagens dos ônibus metropolitanos lotados e não houve qualquer tipo de posição por parte do governador ou do Governo do Estado, muito pelo contrário, houve a criação de um fato político em relação a este tema. Mas a gente tem muita tranquilidade porque independente de política, a gente está aqui para trabalhar pelas pessoas”, diz o secretário.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Valdemar Costa Neto
"Não gostei".
Disse o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto ao comentar a carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência nesta quarta-feira (28). No pronunciamento, Flávio afirma que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.
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