Governo projeta aprovar PEC da jornada 6x1 na CCJ, mas Alcolumbre mantém mistério sobre votação no plenário
Por Edu Mota, de Brasília
O líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse acreditar, nesta segunda-feira (24), que há votos e plenas condições para que os membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovem, no dia 02 de setembro, a PEC que modifica a jornada de trabalho 6x1. Não há ainda garantia, entretanto, de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vá pautar o projeto no plenário no mesmo dia.
“Na próxima semana de esforço concentrado, no dia 2 de setembro, nós deveremos apreciar essa proposta na CCJ e levá-la para o plenário do Senado. Está chegando a hora dos trabalhadores brasileiros terem a maior conquista desde a Constituição de 1988”, disse Randolfe em seu perfil no X.
O comentário do líder do governo aconteceu depois de o relator do projeto, senador Omar Aziz (PSD-AM), ter dado declarações de que não pretende fazer alterações no texto que foi aprovado pela Câmara dos Deputados. Aziz também disse ter convicção de que o projeto será aprovado pela CCJ no dia 2 de setembro.
“O texto aprovado pela Câmara está razoável. Não pretendo fazer mudanças no mérito. Não vou protelar”, afirmou o relator ao jornal O Globo.
A mesma convicção já foi externada pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), de que há votos suficientes para aprovar a mudança de jornada. O senador baiano declarou inclusive sua disposição de apreciar a PEC com “equilíbrio e celeridade” na comissão, assim como a proposta do governo Lula que trata da segurança pública.
“Esse é o meu compromisso: trabalhar para que o Senado cumpra seu papel e entregue ao país respostas concretas para dois desafios fundamentais: mais segurança para os brasileiros e mais qualidade de vida para os trabalhadores”, disse Otto em postagem nas duas redes sociais.
Apesar da disposição do governo e de seus aliados de encerrar a votação da proposta já nessa semana de esforço concentrado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou a aliados que deve deixar a votação em plenário para depois das eleições. Segundo interlocutores de Alcolumbre ouvidos pelo jornal Valor Econômico, o senador tende a aguardar o resultado da eleição presidencial antes de submeter a PEC à votação dos senadores no plenário.
A oposição é contrária à proposta e seu apoio é considerado importante para a tentativa de reeleição de Davi Alcolumbre à presidência do Senado em 2027. Neste sentido, Alcolumbre somente tomaria uma decisão sobre a votação do projeto a depender de quem vencer a disputa presidencial.
