Mapas, cálculos e fabricação de explosivos: entenda como agia grupo que tentava explodir o Planalto
Por Redação
Um grupo que planejava atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PC-DF). Segundo a investigação, o grupo compartilhava pela internet instruções para fabricar explosivos e tinha mapas de prédios públicos, incluindo a planta do Palácio do Planalto, um dos alvos principais.
Dois grupos foram identificados durante a investigação. O maior deles reunia mais de 600 pessoas no Telegram. Integrantes considerados mais radicalizados eram convidados para um grupo restrito, com 46 participantes, em que os participantes compartilhavam instruções para a prática de atos violentos.
O planejamento das ações era extremamente articulado. Os participantes tinham acesso a mapas de prédios públicos, manuais para fabricação de explosivos, inclusive coquetéis molotov, e cálculos sobre a quantidade e o custo dos materiais.
Um dos objetivos era explodir o Palácio do Planalto, mirando no debate do 2º turno, mas além do edifício, os integrantes tinham mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em uma das conversas, eles compartilharam a planta baixa do Palácio do Planalto e discutiram possíveis caminhos para entrar e sair do local.
Segundo o MJSP, as estimativas indicavam a possibilidade de produzir mais de três granadas por integrante. As conversas também mencionavam a produção de pólvora e o baixo custo para sua fabricação.
O acesso aos grupos era controlado. Para entrar, era necessário receber um link ou procurar pelo nome exato. Os administradores também selecionavam pessoas que consideravam ter o perfil desejado.Em uma das conversas, um integrante chegou a pedir indicações de outros grupos de nazistas para fazer novos recrutamentos.
O relatório do CyberLab, laboratório de repressão a crimes cibernéticos do MJSP, classificou os dois grupos como de alto grau de periculosidade. A investigação aponta a presença de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência.
As conversas indicam que os integrantes não pretendiam apenas destruir estruturas. A intenção era usar Brasília para transmitir ao país uma mensagem considerada violenta e antidemocrática pelas autoridades.
