Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Salvador

Notícia

PF pede bloqueio de bens da Gerdau por contaminação de metais pesados em praia de Salvador

Por Redação

PF pede bloqueio de bens da Gerdau por contaminação de metais pesados em praia de Salvador
Foto: Reprodução / Agência Brasil / Bahia Notícias

A Polícia Federal (PF) solicitou à Justiça Federal da Bahia a indisponibilidade de bens da siderúrgica Gerdau. A medida cautelar tem como objetivo assegurar o pagamento de futuras reparações e indenizações socioambientais decorrentes da contaminação que atinge a faixa litorânea contígua à Praia de São Tomé de Paripe, localizada no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

 

O pedido feito pela PF foi revelado originalmente pelo jornalista Gustavo Maia, do jornal O Globo. O bloqueio patrimonial visa impedir que a companhia venda, transfira ou onere seus bens até que haja uma sentença definitiva, resguardando os recursos necessários para o ressarcimento dos danos.

 

A contaminação por compostos químicos atinge cerca de 800 famílias e impacta diretamente a subsistência de aproximadamente 1.200 pescadores e marisqueiras da região. Em entrevista ao Bahia Notícias, os moradores relataram como o caso afetou suas vidas. Confira:

 

 

O episódio evoluiu ao longo de seis meses para um cenário de sanções financeiras, decretação de emergência e atuação policial. Diante do agravamento da situação, a Prefeitura de Salvador oficializou a situação de emergência na localidade por meio do Decreto nº 41.834, publicado em uma segunda-feira, 8 de junho, com validade inicial de 90 dias.

 

A Secretaria Municipal de Saúde de Salvador iniciou o monitoramento de casos suspeitos de intoxicação por químicos na comunidade, emitindo alertas sobre riscos crescentes de complicações dermatológicas e gastrointestinais.

 

LAUDOS DO INEMA 

Análises promovidas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) constataram concentrações elevadas de metais pesados (com destaque para ferro, cobre e zinco). Bem como de compostos nitrogenados e contaminação por arsênio.

 

As coletas foram realizadas entre março e abril em oito pontos da praia, abrangendo água, sedimentos e a biota marinha. As maiores concentrações foram registradas em organismos bivalves, como ostras e mexilhões, superando os índices aferidos em crustáceos.

 

Em contranotificação enviada ao Inema, a Gerdau reconheceu a existência histórica de contaminação por cobre e outros elementos no solo, sedimentos e lençol freático no terreno onde operou por quase 30 anos.

 

Contudo, a siderúrgica alega que a responsabilidade atual é da Intermarítima, compradora do Terminal Itapuã, que teria ciência prévia do passivo desde um laudo da consultoria Arcadis emitido em fevereiro de 2021, antes da transferência do ativo.

 

Por outro lado, a Intermarítima manifestou-se em nota técnica afirmando que os próprios laudos encaminhados pela Gerdau ao órgão ambiental durante seu período de operação indicavam a presença de uma pluma de contaminação por cobre em água subterrânea com avanço rumo ao mar.

 

A Intermarítima alega que a Gerdau havia garantido, antes da venda realizada em 2022, a conclusão eficaz da remediação ambiental do local.

 

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) trabalha com a hipótese técnica de que rejeitos decorrentes do funcionamento de quase três décadas da fábrica da Gerdau tenham permanecido retidos no subsolo. Mesmo após a desativação do terminal pela siderúrgica em 2022, esses produtos teriam migrado pelo lençol freático até alcançar o oceano.