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Governo Federal reconhece situação de emergência em São Tomé de Paripe por conta de desastre ambiental

Por Victor Hernandes

Governo Federal reconhece situação de emergência em São Tomé de Paripe por conta de desastre ambiental
Foto: Jocivaldo Nascimento / Agência Brasil

O Governo Federal, por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu a situação de emergência em Salvador, por conta do desastre ambiental na praia de São Tomé de Paripe. A medida acessada pelo Bahia Notícias, nesta terça-feira (23), considerou de forma emergencial o caso de derramamento de produtos químicos em ambiente lacustre, fluvial e marinho na praia da capital baiana. 

 

Informações obtidas pelo BN dão conta que o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou o reconhecimento pela Defesa Civil. Com o reconhecimento, a cidade poderá ter acesso a recursos e aportes financeiros do governo brasileiro, para auxiliar no processo de situação de emergência. 

 

A ação chega após a Prefeitura de Salvador decretar situação de emergência no Subúrbio Ferroviário, após a confirmação de contaminação ambiental por metais pesados na região. A medida foi publicada no último dia 9 e terá validade inicial de 90 dias.

 

O documento municipal menciona atividades ligadas às empresas Gerdau e Intermarítima no Terminal Itapuã como parte do contexto investigado. A Intermarítima afirmou que vem colaborando com os órgãos responsáveis desde o início das investigações e negou qualquer relação entre suas operações e os resíduos encontrados na praia.

 

A empresa destacou que não opera com produtos perigosos nem com materiais de coloração azul ou verde, semelhantes aos identificados na faixa de areia em fevereiro deste ano. A companhia também informou que possui sistema próprio de drenagem e tratamento de resíduos, sem descarte externo.

 

A Intermarítima acrescentou ainda que a área já possuía passivos ambientais antes do início de suas atividades. Segundo a empresa, durante o processo de aquisição da operação de transporte marítimo de granéis, foi exigido da antiga proprietária da área, a Gerdau, a realização de intervenções ambientais, além de já haver registros de contaminação reconhecidos durante o licenciamento ambiental.
 

MULTA APLICADA 
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) informou que mantém interditadas as atividades do Terminal Itapuã, em Salvador, após a identificação de contaminação ambiental na região da Praia de São Tomé de Paripe. Segundo o órgão, desde o início da ocorrência foram adotadas medidas emergenciais, incluindo a restrição temporária de acesso ao trecho diretamente afetado, a emissão de exigências técnicas para correções operacionais e a determinação de investigações e ações de remediação ambiental pelas empresas envolvidas.

 

De acordo com o Inema, a Diretoria de Fiscalização Ambiental (Difis) aplicou, em 3 de junho, multa de R$ 20 milhões ao Terminal Itapuã Ltda. e de R$ 50 milhões à Gerdau Aços Longos S.A. A penalidade foi aplicada após análise documental e técnica que apontou a contribuição das empresas para a contaminação de águas intersticiais, águas subterrâneas, sedimentos, águas marinhas e da biota na Praia de São Tomé de Paripe. As empresas têm prazo de 20 dias, a partir da ciência da autuação, para apresentar defesa administrativa.

 

De acordo com o órgão ambiental, a infração foi caracterizada como poluição ambiental efetiva, conforme a Nota Técnica utilizada como parâmetro. As evidências foram obtidas a partir de análises documentais, inspeções técnicas e coletas de amostras realizadas nos dias 20, 24 e 26 de fevereiro e 2, 7 e 14 de abril de 2026, tanto na praia quanto no terminal marítimo.