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Wagner admite que situação envolvendo apartamento em Salvador é “nebulosa” e defende relação com Augusto Lima

Por Redação

Wagner admite que situação envolvendo apartamento em Salvador é “nebulosa” e defende relação com Augusto Lima
Foto: Lula Marques / Agência Brasil

O senador Jaques Wagner (PT) classificou como “nebulosa” a situação envolvendo a suposta doação de um apartamento em Salvador que é investigada pela Polícia Federal (PF). O parlamentar, alvo da Operação Compliance Zero, afirmou que a negociação envolvendo o imóvel em construção tinha como objetivo presentear a filha e negou qualquer relação com corrupção.

 

Segundo Wagner, a reserva do apartamento ocorreu porque ele pretendia ajudar a filha na compra do imóvel. “A pergunta que cabe é a seguinte: por que você pediria para reservar um apartamento num prédio em construção se fosse para corrupção? Por que eu não ia pegar um apartamento novo pronto?”, declarou em entrevista à Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (26),

 

O senador, que anunciou sua saída da liderança do governo nesta quarta-feira (25), explicou que não teria condições de adquirir o imóvel imediatamente e que a intenção era auxiliar no financiamento. “Eu digo: ‘não tenho condições de comprar, ela vai ter que vender o apartamento dela para eu ajudar no resto e financiar uma parte. Eu só quero que garanta aquilo lá’. Foi isso”, afirmou.

 

Wagner reconheceu que a situação poderia gerar questionamentos, mas disse que não houve recebimento de valores ou benefícios em seu nome. “Eu sei que é nebuloso, que todo mundo vai... Mas objetivamente, está no meu nome? Foi doada para mim alguma coisa? Nada”, declarou.

 

O senador também negou ter qualquer relação comercial com o empresário baiano Augusto Lima, citado nas investigações envolvendo o caso Master. Segundo Wagner, o contato com Lima ocorreu durante processos ligados à atuação pública, como a privatização da Cesta do Povo e projetos de infraestrutura na Bahia.

 

“Não tem nenhuma relação comercial entre mim e Augusto Lima, muito menos com o Master. Conheci Augusto Lima no processo de privatização [da Cesta do Povo]. Criou-se uma relação”, afirmou.

 

Questionado sobre a proximidade com empresários e possíveis interpretações sobre esses encontros, o senador afirmou que o diálogo com o setor privado faz parte da rotina de gestores públicos. “Recebi empresários quando fui construir o metrô, quando fui convidar empresas a investir na Bahia. As pessoas tentam criar uma retórica dizendo assim: ‘Fulano conversou com Beltrano’. Desconheço um prefeito ou um governador que não converse com empresários”, disse.