Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Justiça

Notícia

Arma de fogo aumenta em 85% o risco de morte em agressões contra mulheres, aponta estudo

Por Redação

Arma de fogo aumenta em 85% o risco de morte em agressões contra mulheres, aponta estudo
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O uso de armas de fogo em agressões contra mulheres aumenta em até 85% a probabilidade de morte da vítima em comparação com outros meios de violência. A conclusão é da 5ª edição da pesquisa "Pela Vida das Mulheres", divulgada pelo Instituto Sou da Paz.

 

Segundo o levantamento, armas de fogo foram utilizadas em 47% dos homicídios femininos registrados no Brasil em 2024, enquanto aparecem em apenas 1,3% das agressões que não resultam em morte.

 

O estudo também aponta uma diferença no ritmo de queda dos homicídios no país. Entre 2020 e 2024, os assassinatos de homens recuaram 15%, enquanto entre as mulheres a redução foi de apenas 5%. No mesmo período, os crimes classificados como feminicídio cresceram 10%. O termo é utilizado para caracterizar assassinatos motivados por ódio, desprezo ou discriminação de gênero.

 

"A diferença de letalidade dos casos com e sem uso de arma de fogo evidencia que controlar esse acesso é uma política preventiva da violência contra mulheres e que apreender cautelarmente as armas de pessoas acusadas de agressão é uma medida protetiva fundamental", afirmou Carolina Ricardo, diretora executiva do Sou da Paz.

 

A pesquisa também evidencia desigualdades raciais nas mortes violentas de mulheres. A taxa de homicídios entre mulheres negras é de 4,0 por 100 mil habitantes, enquanto entre mulheres não negras é de 2,4. Nos casos que envolvem armas de fogo, a diferença permanece: a taxa entre mulheres negras é de 2,04 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da registrada entre mulheres não negras, de 0,93.

 

No Nordeste, essa desigualdade é ainda mais expressiva. A mortalidade por arma de fogo entre mulheres negras é 3,2 vezes maior do que entre mulheres não negras. A região também concentra 38% dos homicídios femininos do país e registra uma das maiores proporções de mortes com esse tipo de armamento. Em 2024, 62% das mulheres assassinadas no Nordeste foram mortas com armas de fogo.

 

Entre os estados, o Ceará lidera a proporção de homicídios femininos cometidos com arma de fogo, com 78% das mortes registradas dessa forma. Já a Região Norte concentra a maior parte da violência letal contra mulheres indígenas, respondendo por 77% das 65 mortes registradas no país em 2024. Nesses casos, quando há uso de arma de fogo, cerca de 33% dos crimes ocorrem dentro da residência.

 

De acordo com o estudo, a maioria das vítimas, 68%, está na faixa jovem ou adulta, entre 18 e 44 anos. Nos casos de violência com armas de fogo, a incidência é maior entre mulheres de 18 a 29 anos, com pico entre 18 e 24.

 

O levantamento também aponta diferenças nos locais onde ocorrem os crimes. Entre mulheres brancas, a residência é o principal cenário das mortes, concentrando 46% dos casos. Já entre mulheres negras, a violência aparece distribuída entre diferentes espaços, com 33% dos homicídios ocorrendo em vias públicas, proporção que chega a 45% nos casos que envolvem armas de fogo.

 

Para o instituto, além do fortalecimento das políticas de controle de armas, também é necessário ampliar a presença de equipamentos da rede de proteção nos territórios onde vivem as mulheres. Esses serviços incluem delegacias especializadas, centros de acolhimento e outras estruturas voltadas ao atendimento de vítimas de violência.