Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Terça, 07 de Dezembro de 2021 - 00:00

Fernando Guerreiro acredita em uma conciliação para votação do Plano de Cultura

por Bruno Leite

Fernando Guerreiro acredita em uma conciliação para votação do Plano de Cultura
Foto: Bahia Notícias

Presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), o diretor teatral Fernando Guerreiro ainda considera um entendimento conciliatório para que o Plano Municipal de Cultura de Salvador seja votado na Câmara de Vereadores nos termos que foi submetido ao Legislativo.

 

Empacada por falta de acordo entre parlamentares de oposição e membros da bancada cristã que contestam a presença do termo LGBTQIA+, a proposição versa sobre o planejamento das políticas culturais da capital baiana pelos próximos dez anos.

 

Ao Bahia Notícias, Guerreiro disse acreditar na legitimidade da contestação dos edis cristãos, que em um primeiro momento haviam consentido com a existência da diversidade no plano, mas que, momentos antes da votação, voltaram atrás no acordo (relembre aqui). Contudo, segundo o presidente da FGM, o debate feito pela bancada não segue o entendimento de "cultura LGBTQIA+", mas do termo apenas como uma orientação sexual. 

 

"A gente não está discutindo orientação sexual. Estamos discutindo uma cultura, como existe a evangélica, a hip-hop, a cultura afro, a cultura rock. Ou seja, essa é a grande confusão: o não reconhecimento desta cultura, que, inclusive, é uma discussão delicada porque isso é recente", explanou o presidente da FGM.

 

Guerreiro foi um dos agentes culturais envolvidos no plano e que estiveram presentes na reunião que antecedeu a sessão em que vereadores foram até a tribuna da Casa e falaram publicamente sobre suas objeções à proposição (veja aqui). O encontro durou mais de quatro horas.

 

De acordo com ele, um diálogo em busca de um "meio termo" foi a alternativa pautada na oportunidade. O caminho traçado pelo acordo, na sua avaliação, foi definido pensando na inclusão e nas ações de reparação já tocadas pela prefeitura e por outras gestões. "Juntando as duas coisas, eu acredito que é um movimento irreversível. A sociedade não tem mais como voltar atrás nessas questões de reparação e nas novidades culturais", acrescentou Guerreiro.

 

"É importante destacar que essa é a posição de alguns vereadores. A gente não tem isso como um consenso. Vários vereadores estão dispostos ao diálogo, o próprio presidente Geraldo Júnior tem sido muito importante nesse processo, tem ajudado nessa costura, como Silvio Humberto [relator do plano], como Ricardo Almeida, que é da bancada cristã e tem sido muito flexível", destacou Guerreiro.

 

Quatro audiências públicas, 600 sugestões da sociedade civil, três anos de tramitação em instâncias consultivas e deliberativas, como o gabinete do prefeito, a Procuradoria Geral do Município e por comissões da Câmara, compõem o arcabouço de discussões do Plano Municipal de Cultura. Se aprovada, a proposição deve ser a primeira a nortear as ações do Poder Público no âmbito municipal.

 

Para o presidente da Fundação Gregório de Mattos, o poder de decisão agora é dos representantes da sociedade civil, os vereadores. "Esse plano é muito importante para a cidade de Salvador. Ele envolve o esforço de muita gente, é um trabalho cansativo, é exaustivo. Precisamos aprovar este plano e a decisão está agora na Câmara de Vereadores". 

Histórico de Conteúdo