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Covid: Escolas de Salvador registram mais de 120 casos em um mês de aulas semipresenciais
Foto: Betto Jr/ Secom PMS

As aulas em modo semipresencial foram autorizadas a partir do dia 3 de maio em Salvador. De lá até 30 de maio, 121 casos de Covid-19 em instituições de ensino foram notificados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

 

Os dados foram disponibilizados pela própria pasta ao Bahia Notícias e apontam que os casos ocorreram em 54 escolas, sendo 35 públicas e 19 particulares. A secretaria não divulga os nomes das instituições, mas ao longo deste período a imprensa repercutiu episódios de suspensão de aulas no Colégio Antônio Vieira, no Colégio Anchieta e outros (veja aqui e aqui).

 

Diante de um caso recente, a assessoria do Antônio Vieira, por exemplo, reforçou que a suspensão é comum e tem sido adotada ao detectar cada caso suspeito, não apenas os confirmados (veja aqui). Essa e outras unidades de ensino reforçam a segurança de suas instalações e protocolos para estudantes, professores e funcionários no meio da pandemia.

 

Por outro lado, professores pedem a manutenção das aulas em modo remoto até que toda a categoria seja imunizada com as duas doses das vacinas contra a Covid-19. O Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA), dos profissionais da rede privada, manteve a decisão de não retorno às salas de aulas, mas retirou o indicativo de greve, no último dia 1º. Já os trabalhadores da rede pública municipal, em reunião realizada na última semana, decidiram pela manutenção do estado de greve enquanto realizam o trabalho de forma virtual.

 

Os associados à Associação dos Professores Licenciados do Brasil (APLB) - Salvador vão também intensificar o diálogo com os pais, alunos maiores de idade, especialmente os da Educação para Jovens e Adultos (EJA), e associações de bairros, além de manter as denúncias nas redes sociais sobre as interdições decorrentes de contaminações nas escolas, "informações distorcidas" ditas pelo Executivo municipal à imprensa, e as posturas "negacionistas e genocidas" do governo do presidente Jair Bolsonaro.

 

Em meio a essa disputa, que atualmente coloca poder público e setor privado de um lado e a categoria profissional do outro, o Bahia Notícias pediu a avaliação de um infectologista sobre a situação. Para o especialista Igor Brandão, que trabalha nos hospitais Aliança e da Bahia e coordena o serviço de imunização do laboratório DNA, os mais de 120 casos de Covid-19 registrados não justificam o fechamento das escolas, já que os casos da doença em crianças existiam mesmo antes da reabertura.

 

"Segundo diversos estudos internacionais e algumas experiências nacionais, é conhecido pela comunidade científica médica que a abertura das escolas tem pouco ou nenhum impacto no avanço da doença. Dado que não significa que devemos menosprezar a Covid-19 nas crianças. Sabemos que ainda assim é uma doença muito dinâmica e pode até levar uma criança a óbito em poucos casos. Logo, acredito que este número esteja dentro do esperado e devemos tratar a educação infantil, principalmente, como prioridade", defendeu o infectologista.

 

Na avaliação de Brandão, os protocolos de segurança nas escolas foram "muito bem desenvolvidos pelos governos federal, estadual e municipal", além de que cada escola fez suas adaptações. Ele chama atenção para os danos da pandemia à educação após mais de um ano com as escolas fechadas ao destacar que elas deveriam ser priorizadas antes da reabertura de bares, restaurantes, shoppings e outros estabelecimentos comerciais.

 

"Sabemos que vai aumentar ainda mais a evasão escolar, risco nutricional, aumento do analfabetismo, aumento da violência e gravidez nas crianças e adolescentes. A escola é fundamental para diminuir a desigualdade social e para também educar as crianças e adolescentes na higienização das mãos, uso da máscara e distanciamento social", argumenta.

 

O infectologista compara ainda o impacto da Covid-19 com o da Influenza na população infantil. De acordo com ele, dados da Sociedade Brasileira de Imunização e Pediatria indicam que a segunda tem mortalidade duas a três vezes maior nas crianças.

 

O BN tentou ouvir também a Secretaria Municipal de Saúde para questionar se os números estão dentro do esperado ou se os protocolos serão reforçados diante da iminência de uma terceira onda da pandemia, mas a pasta não concedeu uma entrevista até a publicação desta matéria.

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