Quarta, 10 de Junho de 2020 - 21:12

Ragnarok: Superintendente da SDE teria proposto superfaturamento em EPIs

por Breno Cunha / Lucas Arraz / Maurício Leiro / Matheus Caldas / Cláudia Cardozo

Ragnarok: Superintendente da SDE teria proposto superfaturamento em EPIs
Foto: Divulgação / SDE

Preso na Operação Ragnarok, o empresário Paulo de Tarso Carlos, dono da Biogeoenergy, uma das empresas envolvidas na compra fraudada de respiradores pelo Consórcio Nordeste, revelou em depoimento à Polícia Civil que teria recebido uma proposta de superfaturamento de insumos de combate ao coronavírus do superintendente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). A pasta é administrada pelo vice-governador da Bahia, João Leão (PP).

 

No depoimento obtido pelo Bahia Notícias com exclusividade, Paulo de Tarso narra que após ter se reunido com Leão, o superintendente Deraldo Alves lhe chamou para uma outra sala e, numa conversa particular, lhe ofereceu um negócio relativo a "superfaturamento de equipamentos de proteção individual" usados no combate ao coronavírus.

 

De acordo com o empresário, Deraldo propôs que a Biogeoenergy elevasse o preço dos insumos em 50% na venda para o estado. "Esclarece, a título de exemplo, que comercializa o kit teste por R$ 100 (cem reais) e que a proposta de Deraldo seria de que a Biogeoenergy elevasse o preço R$ 150 (cento e ciquenta reais)", consta no depoimento.

 

Ainda de acordo com o relato de Paulo, ele não aceitou a proposta em questão. "Soube, posteriormente, que o Governo chegou a adquirir kits por R$ 180 (cento e oitenta reais) através de outras empresas".

 

Deraldo foi nomeado para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) em julho de 2019, após a chegada do vice-governador João Leão na pasta. Ele era assessor do deputado estadual Zé Cocá (PP), pré-candidato a prefeito de Jequié.

 

ENTENDA O CASO
A compra dos ventiladores que agora é algo de investigação por deputados, Polícia Civil e o Ministério Público Federal foi concretizada pelo governo da Bahia, que pagou adiantado pelos produtos que nunca foram entregues (lembre aqui).

 

Foi a gestão do governador baiano que, inicialmente, denunciou e deflagrou a Operação Ragnarok para apurar irregularidades na empresa que recebeu pelos equipamentos, a Hempcare Pharma. 

 

No entanto, a investigação tomou outros rumos. Dias após a deflagração da Ragnarock pela Polícia Civil da Bahia, a dona da empresa Hempcare, Cristiana Prestes, um dos alvos da operação, citou o ex-chefe da Casa Civil do estado, Bruno Dauster, como o principal responsável pelas negociações envolvendo os respiradores. Segundo ela, que chegou a ser presa temporariamente, Dauster foi quem a procurou e ele conduziu “99,9%” das tratativas. O chefe da Casa Civil da Bahia foi exonerado após a declaração (saiba mais aqui).

 

Após ter seu nome associado à compra mal sucedida de respiradores, o ex-secretário afirmou que sempre agiu “com absoluta transparência e rigor ético” e que deixou a pasta para evitar a politização do tema (lembre aqui). 

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