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MP-BA diz que TAC não tem 'obrigação' para Câmara; isenção de ISS precisa de aval de edis

Por Ailma Teixeira / Matheus Caldas

MP-BA diz que TAC não tem 'obrigação' para Câmara; isenção de ISS precisa de aval de edis
Foto: Guilherme Ferreira / Bahia Notícias

Embora alguns vereadores tenham reclamado de não terem sido consultados no momento da construção do Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) do projeto que prevê a isenção do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) para empresas de transporte coletivo, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) afirma que o documento não estabelecia obrigação de consulta aos parlamentares da Câmara Municipal de Salvador (CMS).

 

“Não foi ouvida a Câmara porque não foi estabelecida nenhuma obrigação para a Câmara. Está bem claro no TAC isso. O que está previsto é o encaminhamento do projeto de lei à Câmara que pode ou não ser aprovado”, diz a promotora Rita Tourinho, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

No entanto, mesmo que não haja a obrigação explícita ao Legislativo, o documento, ao qual o BN obteve acesso na íntegra, delimita 120 dias para que o projeto seja sancionado pelo prefeito ACM Neto (DEM). Ou seja: diretamente, a Câmara está incluída no planejamento estabelecido por MP-BA, prefeitura e empresas de transporte público, já que, para o prefeito aprovar uma lei, ela precisa ter o crivo da CMS.

 

Mas para a promotora, não houve desconsideração com a Casa ao longo do processo, visto que é “impossível” que ela estabeleça um compromisso junto ao MP-BA. “A Câmara é soberana. Aprova se quiser. Como a Câmara iria assumir um compromisso perante o MP-BA? Seria impossível. As decisões da Câmara, adotadas em aprovação ou não dos projetos de lei, são políticas. Não foi por desconsideração à Câmara. É porque não se colocou nenhuma obrigação à Câmara, porque não se poderia colocar”, afirma.

 

Rita Tourinho ainda opinou que o órgão tem sido “muito cavalheiro” na condução da situação. “Se houver a isenção, tudo bem. Se não houver, vamos discutir novamente esse TAC para ver o que o município vai apresentar para a recuperação desse equilíbrio. Estamos aguardando”, pontua.

 

Por fim, ela espera que o projeto seja aprovado, principalmente por ter sido decidido por pessoas que não utilizam o sistema de transporte público. “A única coisa que eu realmente espero em tudo isso é que qualquer decisão seja realmente adotada pensando na população que realmente usa o sistema de transporte público. O que nós verificamos que quem está no meio dessa discussão, quase 100%, não utiliza o sistema de transporte. Não precisa usar diariamente um sistema de péssima qualidade. O que o MP-BA espera que qualquer decisão tomada tenha como prioridade a população”, opina.

 

Nesta terça-feira (6), o MP-BA irá à Câmara para debater o tema. O encontro acontecerá às 16h, e também terá as presenças do secretário de Mobilidade (Semob), Fábio Mota, e do presidente da Agência Reguladora e Fiscalizadora dos Serviços Públicos de Salvador (Arsal), Almir Melo Jr. - ambos já foram ao local numa primeira oportunidade, porém, sem o órgão..

 

O IMBRÓGLIO

O projeto foi enviado pelo Executivo municipal no dia 30 de abril. Contudo, a polêmica começou na celebração do Dois de Julho, quando Fábio Mota cobrou celeridade da Casa na aprovação do “ISS do ônibus” (veja aqui). Em resposta, o presidente da CMS, Geraldo Jr. (SD), disse que declarações como a do secretário "jogam a sociedade civil contra a Câmara" (veja aqui).

 

Ainda assim, no mesmo dia, ele tentou colocar a matéria para apreciação, mas o próprio líder do governo ACM Neto (DEM) na casa, o vereador Paulo Magalhães Jr. (PV), foi o único dos líderes a se posicionar contra o pleito na ocasião. O antecessor de Magalhães no posto, Henrique Carballal (PV), inclusive, articulou o esvaziamento da bancada governista para que houvesse a perda de quórum para votação. A manobra, autorizada pela prefeitura, aconteceu pelo temor do Executivo de que o texto fosse reprovado em plenário (saiba mais aqui).

 

Depois disto, a oposição e até alguns vereadores da situação criticaram o projeto, o que abriu o temor de que parlamentares aliados de Neto se rebelassem e se tornassem voto contrário à matéria (leia mais aqui). Agora, Magalhães garante que a base do governo está fechada pela aprovação (veja aqui). A expectativa é que o plano vá a votação na tarde desta quarta-feira (7).