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Meta derruba vídeo de MC Cabelinho sobre Flávio Bolsonaro por regras eleitorais às vésperas do segundo turno

Por Redação

Meta derruba vídeo de MC Cabelinho sobre Flávio Bolsonaro por regras eleitorais às vésperas do segundo turno
Foto: Reprodução / Instagram @mccabelinho @revelando.brasil

A Meta, empresa dona do Instagram, removeu da plataforma nesta quinta-feira (22) um vídeo da série “Revelando” em que Mc Cabelinho fala sobre o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). O vídeo derrubado pela Meta, porém, era apenas um teaser e o vídeo completo continua no ar por meio do YouTube. Após a derrubada do vídeo original, a página do projeto “Revelando” e o próprio MC Cabelinho publicaram o conteúdo novamente. 

 

O vídeo em questão aborda a acusação de Flávio ter sido funcionário fantasma no gabinete de seu pai, Jair Bolsonaro, aos 19 anos. O artista comentou, em suas redes sociais, sobre a retirada do conteúdo. “Tropa, derrubaram meu reels (revelando), mas o episódio continua no YouTube… No link do story vocês conseguem ver. Qual foi, Meta?”, questionou o cantor. 

 

 

Esse episódio ocorre apenas três dias antes do segundo turno das eleições presidenciais e dois dias depois de a empresa precisar responder ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as medidas adotadas para garantir um tratamento igualitário entre as campanhas que disputam o governo federal. O próprio projeto Revelando também demonstrou indignação com a decisão, além dos atores Fábio Porchat e Gregório Duvivier, que contestaram a justificativa de que o conteúdo seria propaganda eleitoral. Segundo eles, um recurso foi apresentado para restabelecer a publicação.

 

“Voltei, tropa! Jornalismo não é propaganda! Esse é o vídeo que a Meta não quer que você veja! Quem nunca precisou trabalhar de verdade quer te convencer de que o melhor é cortar investimentos para quem está na correria. Flávio Bolsonaro, acusado de ser funcionário fantasma no gabinete de Jair aos 19 anos e que sempre viveu às custas do pai, quer cortar justamente aquilo que sempre ajudou milhões de brasileiros a subir na vida: aposentadoria, saúde, educação, Bolsa Família e direitos trabalhistas. É esse homem que quer ser presidente do Brasil. Se Flávio ganha, você perde”, disse MC Cabelinho ao publicar novamente o conteúdo em conjunto com o Revelando. 

 

 

A empresa de Mark Zuckerberg afirmou que a retirada está relacionada às regras eleitorais para conteúdos produzidos ou alterados por Inteligência Artificial (IA). “Em conformidade com a resolução aplicável às eleições gerais de 2026, restringimos conteúdos gerados ou alterados por IA nas 72 horas antes da votação, no dia da eleição e no dia seguinte”, informou a empresa ao G1. 

 

A Meta explicou ainda que a restrição referente ao segundo turno começa à meia-noite da quinta-feira (22) e vai até as 23h59 de segunda-feira (26). De acordo com a empresa, o bloqueio também pode atingir arquivos editados por aplicativos que utilizam recursos pontuais de IA, mesmo quando o usuário não está ciente de que a tecnologia foi usada. “Vale reforçar que muitos aplicativos de edição de imagem, vídeo e áudio usam recursos de IA e incorporam ao arquivo um sinal padrão da indústria indicando esse uso. A Meta lê esses sinais automaticamente e, para cumprir a determinação, indisponibiliza esses conteúdos no Brasil”, declarou a empresa.

 

A Meta já havia sido cobrada pelo TSE anteriormente. Na terça-feira (20), a empresa respondeu ao TSE, afirmando ter cumprido as determinações da Corte para garantir a igualdade na distribuição de conteúdos políticos e na veiculação de anúncios eleitorais durante a campanha do segundo turno. Essa manifestação veio depois de o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Aurélio Bellizze, determinar na segunda-feira (19) que a empresa apresentasse, em até 24 horas, informações detalhadas sobre as medidas adotadas pela companhia.

 

Em documento enviado à Justiça Eleitoral, a empresa afirmou que uma declaração técnica apresentada no processo confirma que os conteúdos relacionados às duas candidaturas são, de fato, tratados de maneira igual e não discriminatória.

 

Essa disputa acerca dos conteúdos políticos nas redes sociais surgiu depois que o TSE determinou, no dia 15 de outubro, que a Meta não reduzisse a distribuição nem restringisse a recomendação ou a busca de conteúdos político-eleitorais sobre qualquer um dos candidatos que disputam o segundo turno. A decisão do Tribunal atendeu a um pedido da campanha de Lula, que acusou a plataforma de não entregar suas publicações, além de apontar diferenças no funcionamento da ferramenta de IA da rede social da empresa, que, segundo o processo, não permitia que imagens relacionadas a Lula fossem geradas, enquanto conteúdos relacionados a Flávio Bolsonaro não passavam por esse problema. 

 

Já o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, também afirmou que conteúdos relacionados à sua própria campanha estavam sendo prejudicados pela empresa.