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Festival Sangue Novo: Céu e Zaynara agitam primeira noite da 8ª edição do evento

Por Ana Beatriz Soares

Festival Sangue Novo: Céu e Zaynara agitam primeira noite da 8ª edição do evento
Foto: Ana Beatriz Soares / Bahia Notícias

O Trapiche Barnabé, localizado no bairro do Comércio, em Salvador, foi o cenário de uma noite vibrante de celebração musical neste sábado (17). A abertura oficial da 8ª edição do Festival Sangue Novo reuniu centenas de pessoas para vivenciar a pluralidade da cena musical contemporânea do país.

 

Realizado pela Maré Produções Culturais e sob curadoria da produtora Fernanda Bezerra, o festival reafirmou seu compromisso com a representatividade ao apresentar uma grade composta por 80% de mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e artistas pretos e pardos. "O Festival Sangue Novo é um convite à experimentação e à descoberta. Queremos que o público chegue aberto para se conectar com artistas brasileiros que vêm renovando e apontando novos caminhos para a MPB", ressalta Fernanda Bezerra.


 

O QUE ACONTECEU NOS PALCOS TIM E MARÉ:

A maratona de apresentações teve início no Palco TIM com o cantor e compositor baiano Guigga Maraká. Natural de Maracás, ex-vocalista do Bloco Afro Filhos do Quilombo e vencedor do Prêmio Caymmi de Música, ele abriu a noite em grande estilo ao fundir a MPB com a marcante sonoridade do sertão baiano. Na sequência, a animação tomou conta do Palco Maré com o duo Brega a Dois, apresentando um repertório dançante durante a transição entre as atrações.

 

De volta ao palco principal, a potiguar Juliana Linhares entregou uma performance com bastante energia e com uma ficha técnica longa, trazendo suas raízes nordestinas na musicalidade, com forró e muita sanfona. A artista vem com o repertório do seu álbum "Até Cansar o Cansaço", de 2026, trabalho indicado ao Grammy Latino deste ano, que consagrou sua voz na nova geração da MPB. 

 

Em seguida, a energia do Pará invadiu o Trapiche com Zaynara. Precursora do beat melody no Brasil e com mais de 750 mil ouvintes mensais no Spotify, a cantora contagiou a plateia. Ao falar sobre sua participação, Zaynara destacou o impacto do evento: "O Sangue Novo tem um papel muito importante por colocar artistas de diferentes lugares no mesmo espaço. É um verdadeiro intercâmbio musical que permite que as pessoas se conectem com artistas diversos".  A artista, esbanjando um novo corte de cabelo, destacou a emoção de estar em solo soteropolitano, trazendo seu próprio show, já que, na última vez que esteve aqui, foi fazendo participação especial no “Bloco do Malvadão” comandado pelo rapper Xamã durante o carnaval. 

 

Foto: Ana Beatriz Soares / Bahia Notícias

 

A programação no Palco Maré seguiu agitada com o show de Totô de Babalong, que movimentou o público com suas referências tropicais antes do momento mais esperado da noite.

 

Para fechar com chave de ouro no Palco TIM, a cantora e compositora paulistana Céu realizou uma das apresentações mais aguardadas do evento. Vencedora de três Grammys Latinos, a artista principal da noite entregou um show elegante e nostálgico, embalado por clássicos de sua carreira como "Malemolência", "Lenda" e "Cangote”.

 

Levando os fãs à loucura desde o primeiro momento em que pisou no palco, a cantora trouxe seus maiores sucessos para o público soteropolitano, que estava à espera desse momento desde o início do festival. Céu não escondeu a emoção por estar cantando no Sangue Novo, destacando que adora trazer seus shows para a capital baiana, além de declarar seu amor pelo estado da Bahia. 

 

Ao Bahia Notícias, Céu explicou o sentimento de revisitar seu trabalho de estreia durante a turnê comemorativa do álbum. Ao ser questionada se faria alguma coisa diferente, a artista afirmou que não, já que ainda se vê muito naquela “criaturinha”. “Eu acho bonito de ver assim. Evidentemente, eu reconheço que amadureci. O que eu consegui melhorar nesses anos, acho que a experiência dos anos da caminhada. Eu ganhei muitas coisas, eu aprendi a lidar com as pessoas melhor, eu aprendi a falar melhor de mim, a trocar minhas experiências, até um livro eu ganhei! Eu era inimaginável, assim, essa menina tímida. Então, eu acho que a música foi me letrando e eu fui aceitando isso e fui aprendendo. Mas é claro que tem coisas que eu vejo que eu estava super imatura, que eu não sabia fazer. Mas eu não vou falar que eu não faria assim, porque eu acho que esse é o processo”, afirmou a cantora. 

 

Foto: Ana Beatriz Soares / Bahia Notícias
 

FORA DOS PALCOS: 

Nesta 8ª edição, a experiência do público foi expandida com diversas ativações multiculturais no Trapiche Barnabé. Um dos destaques foi a feira de vinil, que contou com espaços dedicados aos colecionadores de discos, além de uma praça de alimentação diversificada. O festival trouxe uma área de lazer e de descanso, com mesas de sinuca, totó, dois fliperamas e uma área especial para descansar durante os intervalos dos shows. 

 

Como novidade desta edição, o projeto realizou, na véspera do evento, dia 16 de outubro, o Sangue Novo Labs. A iniciativa reuniu cerca de 150 participantes em workshops e oficinas gratuitas voltadas para a cadeia produtiva da música, incluindo uma visita guiada de montagem com Fernanda Bezerra, workshop de comunicação estratégica com Rodrigo Almeida, da Agência CRIATIVOS, e oficina audiovisual com a Grimpo Filmes.

 

A maratona cultural no Trapiche Barnabé continua neste domingo (18), com shows de Rachel Reis, Zé Ibarra, Getúlio Abelha, Bia Soull e sets dos DJs Nate Mônaco, Ubunto e Rick Nogueira.

 

Foto: Matheus Santana / Bahia Notícias