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Pretinho da Serrinha traz 'Batuke do Pretinho' para Salvador e exalta essência da roda de samba: "É para se divertir"

Por Bianca Andrade

Pretinho da Serrinha traz 'Batuke do Pretinho' para Salvador e exalta essência da roda de samba: "É para se divertir"
Foto: Instagram

Esqueça o roteiro quando pisar no Trapiche Barnabé para curtir o Batuke do Pretinho no próximo sábado (10). O projeto do cantor, produtor musical e compositor Pretinho da Serrinha, que desembarca em Salvador neste final de semana, promete colocar o público para dançar ao som do bom e velho, mas também do novo, samba, com uma única regra: se divertir.

 

A capital baiana foi uma das dez cidades escolhidas para receber o projeto do artista, que busca criar encontros entre a música e as identidades culturais de cada território.

 

E para pisar na Bahia, berço do samba, Pretinho convoca seu Nelson Rufino e Mariene de Castro, time de peso e a altura da homenagem ao gênero feita pelo artista, em um projeto que, para Pretinho, carrega a essência do samba de roda.

 

"O Batuque vem de um sonho de fazer uma roda de samba. Eu queria fazer uma roda de samba aqui no Rio, onde eu pudesse encontrar meus amigos, onde todo mundo pudesse ficar muito perto, participando. Como era o samba antigamente, como é a lembrança que eu tenho do samba. Eu era muito moleque, eu cresci acordando e descendo o morro, indo para uma roda de samba na rua e ficava ali o dia inteiro."

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Pretinho falou sobre a idealização do projeto. Para o artista, era nítido que uma roda de samba como antigamente já não era possível de acontecer, mas resgatar elementos do início de tudo era essencial para trazer ao público a experiência que ele viveu na infância e fez parte de sua construção como músico. 

 

"É claro que não dá para fazer mais desse jeito, mas é isso que eu tento fazer. O Batuke não é um show. Quem vem para o Batuke não tá indo para um show, está indo para uma roda de samba, mesmo no palco, mesmo estando com luzes e tudo mais, mas é uma roda de samba. Eu não deixo perder esse espírito, sabe, das pessoas cantando, de participação o tempo inteiro. Eu me comunico muito com as pessoas que tão ali perto, eu fico olhando para ver se alguém tá cantando, se eu sinto que alguém canta. 'Pô, chega aí, canta um samba aqui também'. Puxo pro palco assim na raça, no susto."

 

 

E é dessa lógica que, para Pretinho, não dá para se ter um roteiro no Batuke. O começo é "sempre" o mesmo, uma saudação a Dona Ivone Lara, mas o que acontece depois do primeiro passo é algo quase sensorial.

 

"É tudo meio que no improviso assim, mas eu sou um virginiano, é um improviso organizado, sabe? (risos). O Batuke é uma reunião de amigos, é uma festa, um lugar para se divertir, vem uma lembrança, vem uma nostalgia, esse é o espírito do Batuke."

 

Para Pretinho, isso é o que faz o Batuke ser especial, a liberdade de cantar o samba que vier na ponta da língua do público e do convidado. Ao BN, o artista falou sobre a relação de admiração que tem com Nelson Rufino, um dos convidados do projeto na capital baiana.

 

"Ele era um ídolo que virou amigo. E é aquele pensamento do resgate, sabe? Esses velho fizeram muito por nós. E vai ficando velho, as pessoas pensam que o cara não sabe mais fazer samba. Enquanto eles estiverem aí, a gente tem obrigação. Enquanto eles tiverem na terra, a gente tem obrigação de trazer para perto da gente. Porque a gente tá aqui por causa deles. Então a minha forma de gratidão."

 

Já Mariene, a história é curiosa e quase não vai para frente. Pretinho relembrou que quando conheceu a artista não "se bicava" com a baiana, até perceber que os dois tinham mais em comum do que imaginavam.

 

"Mariene conheci na turnê do prêmio da música. Ela cantava na turnê, eu era músico, a gente não se dava bem, isso é engraçado para caramba, sabe aquela coisa de "dois bicudos não se bicam?." A gente não se falava, e um dia que estava no programa de televisão, eu tava no meio do programa e eu falei assim: 'Sabia que eu não gostava de você?'. Ela deu uma gargalhada, a gente ficou rindo à beça e ninguém sabia do que a gente tava rindo. Hoje a gente é amigo, depois disso eu fui padrinho de casamento dela, e a gente é irmão."

 

A conexão entre Pretinho, Nelson Rufino e Mariene de Castro poderá ser conferida pelo público no sábado (10), no Trapiche Barnabé. Os ingressos para o Batuke do Pretinho estão sendo vendidos no site Ticket 360 a partir de R$ 25.