Filmes brasileiros chegam às salas de cinema do país após exibições internacionais
Por Redação
Com passagens aclamadas por festivais ao redor do mundo e destaque no Festival Internacional de Cinema de Xangai, produções nacionais começam a ocupar as telas brasileiras. O público já pode se preparar para conferir nas salas de cinema do país três dos nove longas que ganharam destaque no circuito internacional. As produções integraram a Mostra de Cinema Brasileiro, parte das iniciativas do Ano Cultural Brasil-China 2026, que ocupou a programação do prestigiado Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF).
Marcando a estreia de Paolla Oliveira no cinema de horror, o longa "A Herança de Narcisa" mescla suspense psicológico, elementos sobrenaturais e drama familiar ao abordar a vivência feminina e o trauma interpessoal. A trama acompanha Ana que, após a morte da mãe, Narcisa, uma ex-vedete, tenta vender a casa da infância, mas passa a ser assombrada por memórias e pela presença da própria matriarca. Premiado com o Troféu Redentor de Melhor Longa-Metragem (Première Brasil: Novos Rumos) no 27º Festival do Rio, o filme teve recepção calorosa na China. “Foi emotivo e muito bonito. É muito importante o intercâmbio cultural com o mundo todo, mas com a China, especialmente, esse contato e essa troca foram muito ricas", destacou Clarissa Appelt, diretora da obra.
A consagrada documentarista Eliza Capai retorna aos cinemas com um olhar sensível sobre desigualdade social e gênero em "A Fabulosa Máquina do Tempo". O documentário acompanha garotas em Guaribas (PI), cidade que, em 2003, tinha o menor IDH do país e foi piloto do Programa Fome Zero, na transição da infância para a adolescência. As jovens transitam entre as memórias duras de suas mães e as possibilidades do próprio futuro. O longa estreou mundialmente na Mostra Generation do Festival de Berlim e acumulou prêmios no Cine PE e no Festival de Guadalajara, além de passar pelo É Tudo Verdade. Na China, a sessão-debate teve ingressos esgotados. “Vemos na prática como o cinema tem o poder de encurtar distâncias, desfazer fronteiras e nos conectar através da essência humana”, afirmou a produtora Mariana Genescá.
Já o drama "Feito Pipa" acompanha Gugu, um garoto queer criado livremente pela avó, Dilma, no sertão. A rotina da dupla é alterada quando a seca revela ruínas no reservatório local e o estado de saúde da avó se fragiliza, ameaçando forçar o jovem a morar com o pai distante, Batista. Vencedor do Urso de Cristal de Melhor Filme e do Grande Prêmio do Júri Internacional em Berlim, além de premiações em Cartagena e Guadalajara, o longa teve seleção dupla em Xangai (Mostra Brasileira e Belt and Road Film Week). “Foi bonito perceber que as diferenças culturais não impediram a conexão com o protagonista. Essa é uma das maiores forças do cinema: apresentar um universo particular e revelar emoções universais”, celebrou o diretor Allan Deberton.
A comitiva brasileira em Xangai também contou com outros títulos de peso no catálogo da mostra, como "Papaya" de Priscilla Kellen, "A Hora da Estrela" de Suzana Amaral e "O Deserto de Luiza" de Alan Minas.
