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Doutor Mounjaro processa EQR Capital após perder R$ 10,75 milhões em esquema de pirâmide

Por Redação

Doutor Mounjaro processa EQR Capital após perder R$ 10,75 milhões em esquema de pirâmide
Foto: Reprodução

O médico e influenciador Gabriel Almeida, conhecido como Doutor Mounjaro, entrou com uma ação cível no TJ-SP contra a EQR Capital, alegando ter perdido R$ 10,75 milhões em um esquema de pirâmide financeira. Ele pede o bloqueio de bens dos diretores, anulação de contratos e indenização. A relação que antes era de extrema proximidade (com jantares, passeios de helicóptero e festas na ilha particular do médico na Bahia) desandou no início deste mês após os rendimentos pararem de ser pagos. As informações são da reportagem publicada no portal O Bastidor.

 

Gabriel Almeida possui 755 mil seguidores no Instagram e vende cursos de emagrecimento para médicos. Ele foi alvo de uma operação da PF em novembro do ano passado por conta de uma rede clandestina de canetas emagrecedoras, da qual ele nega o envolvimento.

 

Segundo o médico, A EQR, por meio do diretor Carlos Henrique e da intermediária Carolina Cruz, usou deliberadamente sua imagem e seus eventos para atrair médicos ricos. Ele nega ter ganhado comissão. Fontes da EQR afirmam que o médico não era apenas vítima. Ele atuava ativamente, trazendo colegas de profissão, e recebia comissão. O processo seria uma estratégia para "limpar a barra" com os médicos que agora cobram o influenciador.

 

Patrocinadora do Santos, a EQR Capital operava sem registro no Banco Central ou na CVM. Documentos obtidos pela reportagem revelam que o esquema atingiu 125 cidades em 19 estados. Embora os 650 contratos analisados comprovem a captação de R$51,9 milhões de 370 investidores, fontes internas estimam que o rombo real ultrapasse os R$ 300 milhões. O pico da operação ocorreu em junho de 2025, com R$ 4,9 milhões captados em um único mês.

 

Para atrair clientes. A EQR prometia lucros de 2,84% a 5% ao mês (até 80% ao ano), enquanto a taxa Selic no período flutuava entre 13,5% e 15% ao ano. A conta se tornava impossível devido à agressiva comissão dos captadores (finders), que ganhavam 4% sobre o aporte e mais 4% ao mês sobre o saldo do cliente. Somados o lucro do investidor e a comissão do captador, o custo da EQR passava de 7% ao mês (120% ao ano). Sem um negócio real que gerasse essa receita, os pagamentos dependiam exclusivamente da entrada de novos clientes — o desenho clássico de uma pirâmide financeira.

 

O roteiro era padrão: a EQR pagava os rendimentos nos primeiros meses para ganhar a confiança do cliente e, depois, sumia com o dinheiro e com as garantias imobiliárias prometidas. A estrutura contava com 54 corretores e captadores em seis estados. Além dos médicos ligados a Gabriel Almeida, a rede fez vítimas em outros setores. Em Mato Grosso, a dona de uma clínica de estética processa a intermediária Carolina Cruz (a mesma que palestrou nos eventos de Almeida) tentando reaver R$ 2,2 milhões perdidos no mesmo esquema.

 

A reportagem procurou a EQR Capital, Gabriel Almeida e Carolina Cruz na tarde desta segunda-feira (22). A empresa foi questionada sobre a fraude e a falta de registros; o médico, sobre a acusação de receber comissões; e a intermediária, sobre as promessas de lucro exorbitantes. Nenhum deles respondeu até a publicação.