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Sem show na Bahia no período de São João, Xand Avião tem queda de cachê para show em julho

Por Bianca Andrade

Sem show na Bahia no período de São João, Xand Avião tem queda de cachê para show em julho
Foto: Instagram

Pela primeira vez em 24 anos de carreira, a Bahia não está incluída na agenda de shows de Xand Avião para o São João. A exclusão do estado ocorre em meio a uma grande polêmica: o gasto excessivo nas contratações de artistas para os festejos juninos.

 

Em maio deste ano, Xand já havia antecipado a "triste" notícia para os fãs; no entanto, não especificou os motivos que o fizeram cortar a Bahia da rota em 2026.

 

"É a primeira vez em 24 anos que eu não faço um show na Bahia no São João. Eu sempre falo que quem me apresentou o São João da Bahia foi a Sol [Solange Almeida]. Eu não sabia que era tão grandioso [...] É o primeiro ano que eu não vou fazer nenhum [show] na Bahia, infelizmente, mas já já estou voltando", disse.

 

A volta realmente acontece de forma breve. Apesar de não ter anunciou nenhum show em junho, o cantor será atração em julho na Bahia, com uma curiosidade: a queda do cachê.

 

Em 2025, Xand cobrou R$ 700 mil por cada show feito no estado no período de junho. Ao todo, o ex-Aviões do Forró se apresentou em seis cidades, recebendo R$ 4.200.000,00 no total.

 

Para este ano, o cachê de Xand Avião, de acordo com o Painel de Transparência dos Festejos Juninos feito pelo Ministério Público da Bahia, apontou uma variação percentual negativa em relação a 2025, apresentando uma queda de 7,1% no valor. O contrato feito para a apresentação de Xand na Bahia em 2026 foi de R$ 650 mil para um show na cidade de Casa Nova, no dia 12 de julho.

 

 

O município baiano tem uma população estimada em 76.131 pessoas, de acordo com o último censo do IBGE, e um PIB per capita de R$ 15.748,91.

 

Segundo a plataforma, nos últimos 4 anos, o maior aumento que Xand teve foi de 36,6%, ao sair de R$ 512.500,00 em 2024 para R$ 700.000,00 em 2025. O registro de menor cachê do artista foi o de 2022, ano pós-pandemia, quando o artista cobrava R$ 350 mil pelo show.

 

Vale lembrar que o valor pago para o artista é o mais alto de todas as atrações escaladas para se apresentar na cidade. A banda Toque Dez, que chega a cobrar R$ 500 mil por apresentações no São João, fará o show em Casa Nova por R$ 402 mil.

 

Já Amado Batista, que recebe R$ 600 mil por um show na Bahia durante o São João, cobrou R$ 485 mil pela apresentação em Casa Nova.

 

Em uma comparação com shows fora do período junino, o cantor Léo Santana, por exemplo, que teve um aumento de 11,9% na variação percentual do cachê em comparação ao ano passado, não cobra valores diferentes pelo fato de a apresentação acontecer fora do período de São João.

 

 

Com 12 shows na lista disponibilizada pelo MP-BA, sendo apresentações desde maio, o artista não teve variação no valor do cachê, cobrando R$ 650 mil para uma apresentação no dia 2 de maio, por exemplo, e exatamente o mesmo valor para um show no dia 23 de junho e outro no dia 4 de julho.

 

NOVAS RECOMENDAÇÕES DO MP-BA PARA O SÃO JOÃO
Para 2026, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) indicou uma série de questões que fez com que o órgão ligasse um alerta para os gastos excessivos no período junino. De acordo com o MP-BA, nas últimas quatro edições do São João, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil.

 

Desta forma, em parceria com o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), foi produzido um material com diretrizes para a contratação de artistas durante os festejos juninos de 2026.

 

De acordo com o MP, o documento é orientativo, ou seja, serve para sugerir que o Município utilize os critérios como referência para as contratações deste ano, como uma forma de evitar o crescimento expressivo das despesas de um ano para o outro sem justificativa técnica ou financeira.

 

As recomendações, no entanto, foram responsáveis por uma crise no cenário do forró após a queixa do sanfoneiro Flávio José sobre a sugestão para a redução do cachê. O veterano decidiu cancelar todas as apresentações que faria na Bahia após descobrir que foi recomendada uma redução em seu cachê, que teria aumentado de R$ 250 mil para R$ 350 mil em 2026.

 

A orientação do MP-BA é para que os municípios utilizem como parâmetro os valores pagos aos artistas no São João de 2025 no mesmo estado. Caso não haja registros para serem utilizados como referência, a recomendação é ampliar a pesquisa para os últimos 12 meses.

 

No caso de o artista ter se tornado famoso apenas em 2026, o MP-BA justifica, em sua cartilha, que é possível explicar o valor maior com documentos que comprovem a mudança de mercado.

 

O órgão também destacou que seus critérios consideram a notoriedade e a projeção dos artistas, reconhecendo que atrações de maior relevância no mercado podem justificar valores contratuais superiores aos parâmetros médios, desde que haja fundamentação técnica para os valores contratados.