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Tia Má fala sobre banalização do Candomblé: "Muitas pessoas querem participar sem ser, apenas pelo status"

Por Redação

Tia Má fala sobre banalização do Candomblé: "Muitas pessoas querem participar sem ser, apenas pelo status"
Foto: YouTube

A jornalista e escritora Maíra Azevedo, foi a convidada do episódio da última quarta-feira (17), do podcast Elas em Cena, das irmãs Gabi, Nanda e Dani Brito, exibido pelo Bahia Notícias, e falou sobre sua vivência no Candomblé.

 

No  bate-papo, Tia Má respondeu a uma das dúvidas das irmãs, o aumento de pessoas que passaram a frequentar a religião, em especial, a falar sobre a questão de forma pública, algo que há anos não acontecia devido a todo racismo religioso.

 

Para a jornalista, as pessoas passaram a enxergar um “lucro” na religião e, dessa forma, tentam se apropriar de uma cultura que não é delas.

 

“Existe todo um processo de usurpamento... usurpamento de cultura, né? Então assim, quando você fala do rock 'n' roll’, o rock 'n' roll é um ritmo criado por pessoas negras. Mas quando você pensa no símbolo do rock, não é uma pessoa negra. Quando você pensa no jazz, o jazz é um ritmo de música negra. Mas quando você pensa no símbolo do jazz não é uma pessoa negra. A música gospel surge nos Estados Unidos, sabe? E os grandes ídolos tanto que até hoje nos Estados Unidos os grandes ícones de música gospel são pessoas negras. Mas quando você traz aqui para o Brasil, os grandes nomes não são. E a mesma coisa acontece com a religião.”

 

Tia Má, que sempre falou abertamente sobre o Candomblé em suas redes sociais, relembrou o quanto a religião já foi censurada ao longo dos anos e como, após a "conquista" de uma mínima aceitação, as pessoas passaram a achar legal parecer ser da religião, sem entender o que ela realmente quer dizer e seus princípios.

 

 

"Por muito tempo o Candomblé, inclusive, era proibido por lei. Não só o Candomblé, todo tipo de manifestação que tinha a ver com o povo preto era proibido: a capoeira, o Carnaval... O Carnaval de rua era marginalizado. Né? Se você ver as escolas de samba falam isso, os blocos todos falam isso. Quando aquilo começa a ganhar uma grande proporção e que começa também a dar lucro, ou te dá algum tipo de exposição, muita gente quer se apropriar. É... e aí eu estou falando disso de uma forma muito didática para a gente entender que muitas pessoas querem participar sem ser. Mas apenas pelo status de estar. Porque isso está ganhando a notoriedade, porque aquilo te dá algum respaldo, sabe? Então assim... faz sentido. Mas eu acho que tem algumas pessoas que são, e outras que estão."