Referência na arte espírita, Renato Prieto estrela peça sobre Chico Xavier em Salvador: "Merece ser reverenciado"
Por Laiane Apresentação
Salvador receberá no próximo fim de semana, 18 e 19 de abril, o espetáculo “Chico Xavier em Pessoa”. Estrelado por Renato Prieto, estrela da franquia “Nosso Lar”, a peça estará em cartaz no Teatro da Cidade - Escola Villa, na Paralela.
Ao Bahia Notícias, o ator veterano descreveu o espetáculo como “muito próximo de quem ele [Chico Xavier] era”. “Você vai sentar na plateia e vai ver algo que você nunca viu, você não sabe aonde está e onde encontrar”, explica Prieto.
Grande nome entre as produções artísticas do espiritismo, Prieto é considerado um pioneiro do teatro espírito, tendo estreado no movimento em 1982. Ao longo de sua carreira integrou elenco de peças como “Além da Vida” e “A Morte é uma Piada”, além de ter participado da versão de 1986 de “Sinhá Moça”.
Em entrevista ao site, o artista explica as influências por sua jornada. “Eu tinha conhecimento, formação acadêmica, preparado com profissão, estudei nas melhores universidades de artes cênicas e vou colocar tudo isso, vou a serviço de uma ideia, de um objetivo bacana, e aí começou tudo”, compartilhou.
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Prieto contou ainda sobre como Chico Xavier, um dos principais nomes do espiritismo, incentivava os profissionais de arte. “‘Vocês precisam fazer coisas que tenham esse conteúdo, que falem um pouco sobre isso’”, ele relembrou.
E essa jornada, unindo a espiritualidade à arte, nunca foi uma dúvida para o ator. “A vida é assim, você tem um projeto, uma ideia e esse projeto, essa ideia, ele tem que ter identidade. Quando você faz algo que tem identidade, o público segue por identificação com essa identidade”, declarou Prieto.
“Ninguém me parou no meio do caminho, você entendeu? Falou comigo eu tava indo, falou comigo eu tava indo. Eu tinha uma reta lá, o farol. Então você falava comigo: 'Oi, tudo bem, mas eu tô indo' e ninguém me parou. E nem me pararia, entendeu? Porque objetivamente eu sabia o que eu queria fazer”, reforçou.
O espetáculo é uma homenagem à trajetória e ao legado de Francisco Cândido Xavier e possui texto assinado por Rodrigo Fonseca, crítico de cinema e dramaturgo. Para Prieto, Chico Xavier era “um doce de pessoa”.
“Ele admirava muito essa minha tenacidade, essa minha vivacidade, essa minha vontade de fazer algo que pudesse ser bom para todo mundo, no coletivo”, admite o ator. “O Chico Xavier era uma pessoa que você queria ficar do lado o tempo todo. Você não queria sair dali”, adiciona.
Há anos em cartaz com o espetáculo, Prieto conta que o maior impacto de quem assiste a peça é “o susto que elas levam quando eu entro em cena”. Segundo o artista, isso se deve ao trabalho de observação.
“Eu acho que a plateia, ela fica parada na cadeira. Ela não se mexe na cadeira do teatro pelo fato de ver um texto bonito e um ator tão próximo da realidade, daquilo que ele não teve chance de conhecer pessoalmente, mas olhando é como se estivesse”, conta.
A primeira vez que teve contato com a junção entre a arte e o espiritismo foi ainda em sua juventudade, quando, em um jantar, foi chamado para uma reunião com Lúcio Mario e Felipe Carone. Foi após a reunião, em que cobriu a fala de uma pessoa ausente, que foi convidado para participar de uma peça, “Além da Vida”.
“Hoje, mais de 7 milhões de pessoas sentaram na cadeira do teatro para me ver. Então assim, se eu não tivesse acreditado no que eu estava fazendo, eu não tinha chegado. Mas eu sabia que eu estava no caminho certo”, celebra.
Berço de um sincretismo religioso ímpar, Salvador possui cerca de 2,4% da população com mais de 10 anos de idade se declarou espírita segundo o Censo 2022, do IBGE. No entanto, o espetáculo em cartaz, que ainda possui ingressos disponíveis para domingo (19), é para todo mundo.
“Você tem que ir para o teatro e primar pela alegria de estar na cadeira do teatro e ver que tudo aquilo está acontecendo para você por sua causa, pela sua presença aí naquele espaço. Qualquer pessoa tem qualquer coisa para tirar de qualquer lugar”, defende Prieto.
“Eu gostaria que todos fossem ao teatro, de todas as escolhas desse caldeirão que é Salvador, de todas as religiões, sincretismos maravilhosos, que todos fossem ao teatro assistir a peça para reverenciar esse homem que merece ser reverenciado como a nossa querida Dulce, como Mãe Menininha do Gantois, como Dr. Elder Câmara, como Dom Evaristo Arnes, como Divaldo Franco, meu amigo amado”, pede.
Pietro reforça ainda que sempre quando possível, fala sobre o tema. “Quanto mais chance eu tenho de falar para o mundo, nas entrevistas, em todos os lugares em que eu estou, eu acho que isso mais demonstra que a gente tem que trabalhar em conjunto. A felicidade só existe em conjunto”, esclarece.
O ator aproveitou ainda para repudiar os intolerantes religiosos. “Se eu pudesse, no meu bolso tinha um monte de cartãozinho de terapeuta, do psicólogo, do meu, de preferência”, admite.
“Uma pessoa intolerante, em qualquer área, preconceituosa em qualer área, que desrespeita raça, cor, escolha tudo. Alguém tem que dizer para ela que ela é doente, ela tem que procurar um terapeuta”, ressalta.
Para Prieto, a espiritualidade tem uma “docilidade de entender o tamanho da nossa pequenez” para compartilhar, não julgar e trocar ideias, e leva consigo a importância de saber que “não está está fazendo nada para agradar ninguém”.
“Se eu tô ocupando esse lugar, eu devo ter algum merecimento para ocupar esse lugar. Não fui eu que me joguei lá dentro, alguém me levou. Deve ter visto em mim alguma coisa que respondi aquilo ali agora”, reflete.
Os ingressos para a peça estão disponíveis na plataforma Sympla para o domingo (19), às 18h. O espetáculo acontece no Teatro da Cidade, dentro do Colégio Vila, na Paralela. Os valores variam entre R$ 50 e R$ 100.
