Fernando Guerreiro defende movimento teatral em Salvador e reforça espetáculos apoiados pela FGM: "Está vivo"
Por Redação
O diretor teatral baiano e presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, defendeu a atual força do teatro baiano, nesta sexta-feira (10), após críticas sobre a ausência de apoio para a área cultural. Ao BN, o artista reforçou a existência de 10 grandes espetáculos teatrais realizados com apoio da FGM.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o diretor afirmou que é “um momento muito especial” e que foi provocado “por um movimento dos próprios artistas de teatro da cidade”.
“Essa história de terra arrasada é muito ruim para o público. Ele dá uma sensação de que é um teatro que acabou e não é. Ele está vivo. Importante, inclusive reconquistando o público. Vários espetáculos com lotação esgotada, os mais variados gêneros e estilos”, defendeu Guerreiro.
Atualmente, Fundação Gregório de Mattos (FGM) apoia a realização de mais de 60 atividades de artes cênicas entre março e abril, com destaque para a cena teatral baiana. Cerca de 10 grandes espetáculos também são realizados com apoio da fundação.
CONHEÇA OS ESPETÁCULOS
Em cartaz neste fim de semana, o grupo Toca apresenta o espetáculo ‘Arrocha – aceita esse musical que dói menos’, montagem que faz parte das celebrações de 18 anos do coletivo, contando com apoio da FGM através do edital Gregórios – Ano IV para a realização da peça. O Teatro Módulo recebe a montagem aos sábados de abril, com sessões sempre às 19h . As entradas custam entre R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira), e podem ser adquiridas na bilheteria do local ou através do Sympla.
Em homenagem ao legado artístico, simbólico e cultural de Elza Soares, o espetáculo ‘Se Acaso Você Chegasse’ ocupa o Teatro Módulo às sextas-feiras do mês de abril. Com apoio da FGM por meio do Chamadão das Artes Cênicas, a montagem fica em cartaz até o dia 24, com sessões sempre às 20h. Os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia) e estão à venda na plataforma Sympla e na bilheteria do teatro.
Vencedor do Prêmio Braskem de Teatro 2019 como Melhor Espetáculo Adulto, a peça ‘Vermelho Melodrama’ chega ao Teatro Gregório de Mattos, com apoio do Chamadão das Artes Cênicas. A temporada estreia nesta sexta (10), às 19h, com sessões também aos sábados e domingos, às 18h. Os ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), disponíveis no Sympla.
No dia 15, estreia a peça ‘Eu, Zuzu Angel, Agora Milito’, que acompanha diferentes fases da vida de Zuzu, de momentos familiares ao emblemático desfile-protesto realizado no consulado brasileiro em Nova York. A montagem foi contemplada no Chamadão das Artes Cênicas e fica em cartaz até o dia 26, no Teatro Martim Gonçalves. As apresentações ocorrem às quintas e sextas, às 19h; sábados, às 16h e às 19h; e aos domingos, às 16h. Os ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), e estão à venda no Sympla e na bilheteria do teatro.
O espetáculo Além do Arco-íris conta com o apoio do programa de isenção fiscal Viva Cultura para contar a história do personagem Mike, que trata da temática LGBTQIAPN+ por meio das memórias de infância. A montagem estreia nesta sexta (10), às 20h, no Teatro Sesi Rio Vermelho. A temporada se estende pelo mês de abril, com apresentações de sexta a domingo, às 20h, e sessão extra aos sábados, às 17h. Os ingressos estão à venda na plataforma Sympla por R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).
Já aos sábados, o espetáculo infantil ‘Maria vai com as outras’ leva ao Centro de Interpretação da Mata Atlântica (CIMA) uma montagem adaptada do conto da escritora Sylvia Orthof. Aqui, a história se passa na Bahia, ganhando sotaque nordestino e abordando temas como diversidade, protagonismo juvenil e fake news. As sessões são gratuitas e acontecem às 11h e às 15h. O projeto recebe apoio da FGM através do Chamadão das Artes Cênicas.
Contemplado no Chamadão das Artes Cênicas, o espetáculo infantil ‘Fala, Ibeji!’ mergulha na ludicidade e na simbologia das infâncias negras, resgatando mitos e saberes tradicionais. A montagem é oferecida de forma gratuita desde março, em diversas praças de Salvador. As sessões acontecem até domingo (12), às 16h.
Além dos atuais projetos em cartaz, a fundação possui ainda espetáculos que estrearam no segundo semetre do ano. Com texto de Marcos Uzel e direção de Marcio Meirelles, a montagem 'Nilda, uma Mulher Porreta' homenageia a atriz baiana Nilda Spencer. A peça recebe apoio da FGM pelo Chamadão das Artes Cênicas. A estreia acontece em agosto, no Teatro Gregório de Mattos (TGM).
Também no TGM, o musical 'Bocas do Inferno - O Musical' chega em setembro, com texto de Cleise Mendes e direção de Edvard Passos, trazendo uma remontagem do clássico de Deolindo Checcucci com poesias de Gregório de Mattos. O espetáculo fez parte dos projetos contemplados no Chamadão das Artes Cênicas.
Chegando em julho, o espetáculo 'A Vida é um Cabaré!' da Cia Baiana de Patifaria faz sua estreia no Teatro Sesi Casa Branca. A peça inédita é a primeira dessa natureza após mais de uma década, possibilitada pelo apoio da FGM, através do Chamadão das Artes Cênicas. O texto é de Lelo Filho, com co-autoria de Vini Morais. Já a direção fica a cargo de Daniel Marques.
CRÍTICAS SOBRE A CENA
Em entrevista ao podcast Elas em Cena, no canal do Bahia Notícias, o ator e comediante Luis Miranda criticou uma ausência de teatros e palcos em Salvador, na última quarta-feira (8).
“Vocês aparelham a cidade, agora estão construindo uma arena ali para fazer shows no Parque dos Ventos da Boca do Rio. Fizeram aquele Centro de Convenções, não tem um auditório, não tem um palco, não tem uma sala de teatro. Os espetáculos viajam pelo Brasil, um musical não pode vir para cá, o Teatro Castro Alves está fechado há anos, o Jorge Amado caindo aos pedaços”, declarou.
