Alceu Valença opina sobre nova geração de artistas nordestinos e redes sociais: “A concorrência é brutal”
Por Laiane Apresentação
Se você sentiu o clima de Salvador se tornar mais poético e alegre, talvez seja pois está presente na cidade o quase octogenário Alceu Valença. Pernambucano referência para a música brasileira, dono de sucessos como “Anunciação” e “Tropicana”, o artista fará, na próxima sexta-feira (10), o show de sua turnê “80 Girassóis”.
Ao longo de 80 anos de vida e trajetória, Alceu acompanhou grandes nomes surgirem e também se despedirem na música. Em conversa com o Bahia Notícias, o cantor revelou acompanhar bem pouco a nova geração de artistas.
“Eu acompanho muito pouco isso porque é tanta gente que eu não posso… É como dizia Raul Seixas, daqui: ‘É tanta coisa no menu, que eu não sei o que comer’. Agora, acompanho alguns artistas sensacionais que eu conheço né, são nordestinos, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, do Pernambuco”, explicou o veterano.
Entre os artistas citados pelo cantor estão Juliana Linhares, Madu, Natasha Falcão, Albério, Juba Valença. O dono de “La Belle de Jour” explica ainda sobre as dificuldades de se iniciar uma carreira.
“Uma carreira, ela começa muito vagorosamente, viu? Vamos dizer, eu fui pro Rio de Janeiro em 1970. Em 69, eu já tinha participado do Festival Internacional da Canção, aí gravei e tal, mas minha carreira só decolou realmente quando eu volto em 1980”, relembra o compositor.
O artista viu o início de sua carreira coincidir com o período da ditatura militar brasileira que durou de 1964 a 1985 e teve sua música influenciada, de certa maneira, pelo contexto político da época.
Anos depois, em um contexto político polarizado e ativo, o cantor revelou entender a influência da política nos artistas da nova geração de maneira diferente. “Naquela geração tinha a questão da Ditadura, que era mais complicado do que estamos passando hoje. O que acontece é o seguinte: eu acho que as coisas estão muito diluídas hoje através da questão da internet”, contou.
“Eu acho que a política é uma coisa importante. Muito importante as pessoas serem politizadas e para poder elas reinvidicarem seus direitos. Agora, tá bem complicado porque ás vezes você vai dar uma opinião e sempre vai ter alguém pra contestar”, adicionou Alceu.
As redes sociais influenciam ainda no modo como as carreiras dos artistas seguem. Sobre as plataformas digitais, coisas recentes para quem completará em junho 80 anos, Alceu contou que pode tornar mais fácil para o artista começar sua carreira, mas “a concorrência é brutal”.
“Vamos dizer que exista um artista que ele seja muito bom, muito criativo, maravilhoso e tal, mas você está em um hotel em outro canto, convivendo com seus amigos de internet e vai conhecer outras pessoas que talvez não tenha o mesmo valor do que aquele que não foi oferecido”, explicou.
