Internautas apontam semelhança entre nova música de Bruno Mars e sucesso de Pablo do Arrocha; confira
Por Bianca Andrade
Pode olhar, só não faz igual? O single da nova era do cantor Bruno Mars, 'Risk It All', que marca o primeiro lançamento do artista norte-americano uma década após o '24K Magic', vem dando o que falar nas redes sociais.
Enquanto alguns apontam que o 'Bruninho', apelido que o artista ganhou após a passagem pelo Brasil, teria se inspirado no sucesso da onda latina, a exemplo de Bad Bunny, outros internautas batem o pé de que o intérprete de 'When I Was Your Man' copiou Pablo do Arrocha.
O público garante que Bruno copiou a música 'Imprevistos', de Pablo do Arrocha, lançada pelo artista em 2015, no álbum Desculpe Aí.
A semelhança entre as canções está, para o público, na melodia da canção, especialmente no refrão. Um vídeo chegou a viralizar na web comparando as duas canções.
A faixa de Bruno é uma composição do artista em parceria com Dernst Emile II, James Fauntleroy, e o parceiro de longa data Philip Lawrence. A produção fica a cargo de Bruninho e D'Mile, e na canção, a letra segue os moldes do arrocha, falar sobre algo romântico.
Já 'Imprevistos', é uma composição de Aparecida de Fátima Leão Moraes, e tem como narrativa a dor da espera, solidão e saudade.
Apaixonado pelo Brasil, Bruno nunca chegou a comentar sobre ter conhecido o arrocha, no entanto, no início de fevereiro, o artista surpreendeu ao compartilhar uma foto de Reginaldo Rossi para celebrar o Valentine’s Day, uma comparação que já tinha sido feita pelos fãs.
O artista brasileiro segue o estilo apresentado por Bruno em 'The Romantic', nova era do cantor, que aposta em algo mais meloso e que se aproxima do brega conhecido de Rossi.
É importante lembrar que, caso se confirme a inspiração de Mars em Pablo do Arrocha, esta não seria a primeira vez que o ritmo 100% baiano, criado em Candeias, cai nas mãos de grandes artistas norte-americanos. Em 2021, Lady Gaga lançou um remix de 'Fun Tonight' ao lado de Pabllo Vittar e teve o gênero como inspiração.
Bruno já teve diversas canções transformadas em arrocha, uma delas, inclusive, lançada recentemente por Priscila Senna com participação de Pablo, a música 'Não Me Faça Chorar', uma versão de 'When I Was Your Man'.
SAMPLEOU OU NÃO?
Afinal, o que Bruno fez é sample ou não? O sample musical significa uma amostragem replicada em uma nova canção, que caso não seja autorizada, configura como plágio. Por não haver uma lei específica para a prática, muitos artistas acabam se aproveitando do direito de citação para samplear.
No entanto, a prática já deu diversos problemas, um dos mais conhecidos foi o caso do britânico Rod Stewart, que plagiou a música 'Taj Mahal' do carioca Jorge Ben, na canção 'Do Ya Think I'm Sexy'.
Referência no assunto de Direito Autoral, o professor de Direito Civil, Direito Autoral e Propriedade Industrial da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Rodrigo Moraes tem um livro com diversos casos sobre plágio e sample.
A obra 'Você diz que o meu samba é plágio: histórias de plágio (ou não) na música popular brasileira', em parceria com Juca Novaes, traz a análise de diversos casos com base em pesquisa detalhada e em uma abordagem que une música e direito autoral.
Caso seja comprovado o suposto plágio e os artistas queiram entrar em uma ação, o caminho a seguir será similar ao que a cantora baiana Luana Matos e outros cinco compositores fizeram contra Shakira pelo plágio na canção 'Shakira: BZRP Music Sessions, vol 54' da música 'Tu Tu Tu', com direito a análise técnica que prove em quais trechos da canção existe o plágio.
SOBRE O ARROCHA
Descendente musical do bolero, ritmo de origem cubana, o arrocha surge em Candeias entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000, durante as festas de seresta e boêmia, e tem seu nome em alusão ao jeito que se é dançado, "agarradinho".
Nas canções de arrocha, é possível encontrar o som das batidas do safado tecladinho programável popularizado por Ademir Marques, um saxofone para dar o tom do romance e sensualidade no ar, e a combinação do compasso do bumbo da bateria com o contrabaixo.
"O Arrocha tem três estilos: tem o tradicional de Candeias, com teclado puro, que foi quando começou com Jai e Pablo (Asas Livres), voz e teclado; tem voz, teclado, violão e saxofone; e tem o arrocha de banda, que é o arrocha de Tayrone, ele foi a primeira pessoa a colocar banda com arrocha", contou Ney Santtos, 36 anos, cantor e produtor de arrocha em Candeias ao BN em 2021.
Após anos de rejeição fora do meio onde o ritmo era consumido devido à sua origem, a periferia, o arrocha conquistou o país, começando por outros estados do Nordeste e ganhando o Brasil, se tornando um dos gêneros mais populares, com exceção do Sul, por questão de logística, mas para o empresário Mário Paim, nada é impossível.

Em 2025, o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) apresentou um Projeto de Lei (PL) para que o ritmo baiano seja reconhecido como Patrimônio Imaterial pela sua “relevância histórica, social e cultural”.
Na justificativa, o parlamentar exalta alguns dos fundadores do arrocha, como as rainhas do gênero, Nara Costa e Nira Guerreira, a banda Asas Livres e os cantores Pablo e Silvanno Salles. Segundo Hilton, os artistas foram responsáveis por difundir a cultura baiana por todo o país.
Ao BN, Pablo já celebrou o crescimento do gênero, do qual é um dos principais representantes. "Hoje eu vejo a cada dia o mercado ficando mais amplo para o nosso ritmo musical. O Brasil inteiro, todos os artistas sem distinção de gênero, cantando o nosso arrocha, então acho que a gente está indo no caminho certo".
"O Arrocha tem três estilos: tem o tradicional de Candeias, com teclado puro, que foi quando começou com Jai e Pablo (Asas Livres), voz e teclado; tem voz, teclado, violão e saxofone; e tem o arrocha de banda, que é o arrocha de Tayrone, ele foi a primeira pessoa a colocar banda com arrocha", conta Ney Santtos, 36 anos, cantor e produtor de arrocha em Candeias.
