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Com segundo ensaio lotado, Márcio Victor exalta público do Psirico: “Se vê representado”

Por Laiane Apresentação

Com segundo ensaio lotado, Márcio Victor exalta público do Psirico: “Se vê representado”
Foto: Divulgação / @ihr.pics

Não tem stress e nem fantasia, mas o Psi passando é madeira e é viola. Na última quinta-feira (29), a Escola Divino Mestre, localizada no Santo Antônio Além do Carmo abrigou a última edição de 2026 do ensaio de verão de uma das bandas de pagode mais consagradas do país, o Psirico

 

Donos de uma quebradeira e um swing inconfundível, ao comando de Márcio Victor, o Psi agitou o público em uma das quinta-feiras mais agitadas do verão soteropolitano. No bairro ao lado, no Pelourinho, outros shows ocorriam para o público, mas isso não atingiu o ensaio, que lotou o espaço de festas reservado. 

 

Ao som de novas canções, como “Inclinadinho” e “Molen Molen” e clássicos do repertório, como “Firme e Forte” e “Sou Periferia”, além é claro, de hits do pagodão e do samba, Márcio agitou seu público com o carisma e o talento já muito conhecido pelos baianos. 

 

Público esse elogiado pelo cantor durante entrevista ao Bahia Notícias antes do show. “Eu sou muito orgulhoso do meu público ser… a maior parte do meu público é feminino e também tem uma turma LGBT que se sente à vontade em vir no pagodão. O povo do Candomblé também se vê representado, o povo preto da periferia, os taxistas, o motorista de aplicativo, a turma que trabalha com iFood. Ele se vê representado em mim”, declarou o artista. 

 

Cria do Engenho Velho de Brotas, o artista costuma exaltar sempre sua conexão com a comunidade em suas músicas e apresentações. Não só no bairro onde cresceu, mas em outras periferias da cidade, como na Liberdade, onde realiza anualmente um arrastão como comemoração de seu aniversário. 

 

“Eu vou para os Estados Unidos, eles estão lá. Eu vou para o Japão, tem gente que vai lá. Na encosta da favela, no meio do aeroporto, às vezes o neguinho passando por blitz e faz assim ‘não, mas é meu irmão’. Eu sou recebido, eu sou tratado em Salvador como se fosse minha casa”, continuou Márcio. 

 

Com mais de vinte anos de carreira com o Psirico e mais uma bagagem cheia nas costas desde sua passagem como mascote do bloco afro Badauê, aos três anos. O artista não apenas exaltou seu público e suas conexões, como também reivindicou melhorias sociais para a população. 

 

Ao BN, Márcio admitiu ainda sentir o Brasil “homofóbico” e um país “que não respeita as mulheres como deve respeitar”. “Algumas pessoas fazem questão de não acordar para o hoje, o 2026”, lamentou. 

 

As reinvidicações também ocorrem através da música. Trazendo como aposta para o Carnaval 2026 a canção “Semáforo” com parceria do cantor MC GW, o artista explica que a música também alerta para um “semáforo verde para a gente denunciar toda a rede”.

 

“A existência de pessoas doentes, porque racismo é doença, desrespeito a mulheres é doença, se uma mulher diz não é não, tem que ter o respeito, não aceita essa coisa ‘ah, mas a pessoa é machista’, não, ela é doente e precisa ser tratada com medicina”, defende. 

 

Como que para reforçar a importância dessas duas temáticas que mais prevalece em sua arte - a exaltação das mulheres e da periferia - o artista recebeu ao palco dois convidados especiais: a cantora Rachel Reis e o cantor Igor Kannário, conhecido como Principe do Guetto. 

 

Ambos participaram recentemente de canções com o Psirico. Com Rachel, Márcio foi o convidado da música “Apavoro” e dividiu o palco pela segunda vez no mês, após participação do cantor no Festival de Verão 2026. Já com Kannário, Psi lançou a música “Jogadinha”, que faz parte do projeto “Molho Lambão”, lançado pelo Psirico no fim de 2025.