Xanddy defende criação de pagodes atemporais e prega preservação das raízes do ritmo
Por Victor Hernandes
O cantor Xanddy Harmonia deu o pontapé inicial para a temporada de ensaios de Verão, neste domingo (4), em Salvador, com o “Ensaio Pra Melhor Segunda-Feira do Mundo”. A “pré-melhor segunda” serviu também para a gravação de seu audiovisual, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), contando com diferentes convidados, a exemplo de Ivete Sangalo, Filhos de Jorge, Edicity e Mariene de Castro.
Questionado sobre letras e músicas de pagodes, classificadas como “passageiras”, “temporais” e sem conteúdo, o cantor defendeu a preservação da essência do pagode baiano. Ele relembrou toda sua trajetória artística e afirmou ser pautado de manter
“Tudo que eu tenho feito, desde sempre, desde o início da carreira, sempre foi com a intenção da gente manter o nosso pagode, o pagode que aprendemos. Que eu aprendi com o É o Tchan, que eu aprendi fazendo samba de roda, que eu aprendi com o Terra Samba, com o Bom Balanço, e o Gangue do Samba. Que eu aprendi com tantas bandas, ali no início, no final de 90, que já fazia grande sucesso”, explicou Xanddy.
O artista indicou que têm priorizado trabalhos que mantenham as características do pagode baiano anterior, com o objetivo de influenciar a nova geração.
“De alguns anos para cá, eu tenho feito isso com mais intensidade ainda, para que a nova geração realmente seja impactada, porque parece que ficou um andorinha só fazendo o verão. O próprio projeto do Samba de Roda, que eu acabei de lançar em outubro, tem um propósito tanto no resgate do samba de roda em si, mas também de apresentar a essa nova geração, a origem de tudo isso que a gente vive. E tem dado certo, eu acho que tem dado certo. Acho que tem muita gente olhando para o que tem sido feito e alguns se espelhando”, comentou.
O ex-vocalista do Harmonia do Samba pregou acerca da necessidade da nova geração do pagode baiano em criar músicas atemporais.
“Eu tenho visto já alguns frutos, alguns resultados. E sempre deixo essa mensagem para essa turma da nova geração. É importante fazer algo que dure para sempre. Que nossos tataranetos consigam ouvir que fique atemporal. Não pode ser algo feito agora só pensando no imediatismo, na coisa do sucesso, que tem que ser agora e pronto. A gente sabe que muitas dessas músicas acabam sendo descartáveis então assim meu propósito, minha ideia é fortalecer isso cada vez mais”, completou.
VOLTA À CONCHA
O pagodeiro comentou ainda sobre a volta de suas apresentações a Concha Acústica do TCA.
“Já é um sonho eu fiz o meu primeiro DVD aqui na Concha. Eu tenho uma história aqui neste lugar, e foi incrível, foi um marco na minha carreira. Foi em 2005, faz 20 anos isso. O primeiro DVD do Harmonia. foi lindo, o resultado foi até eu diria que proporcionalmente assim em alguns lugares do mundo esse projeto chegou a Concha é um lugar muito especial e eu fico muito feliz em poder retornar, reviver tudo isso e tornar isso importante também o Saulo trouxe o projeto dele o pagode também ele fez aqui na Concha eu vim, inclusive, assistir e eu amo a Concha muita gente não conhece, não sabe o quanto é gostoso, o quanto é maravilhoso tá aqui na Concha não só pra assistir mas, no meu caso, para tocar” disse.
“Então , assim, a galera toda aí você tem que provar um pouquinho da Concha alguns amigos, inclusive, alguns artistas teve uns artistas que me disseram poxa, eu nunca tinha vindo aqui na Concha eu não conhecia a Concha e estão maravilhados”, celebrou.
