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Autores de novelas da Globo lançam livro

Por Josemar Arlego

 

“Uma estiva prazerosa”. Assim os 14 autores da TV Globo, retratados no livro "Autores – Histórias da Teledramaturgia" e presentes à noite de autógrafos da publicação, descreveram a profissão de teledramaturgos. O livro foi lançado  em uma livraria, no Rio de Janeiro, e contou com as presenças de Antonio Calmon, Benedito Ruy Barbosa, Carlos Lombardi, Euclydes Marinho, Gilberto Braga e Gloria Perez; e João Emanuel Carneiro, Manoel Carlos, Maria Adelaide Amaral, Miguel Falabella, Ricardo Linhares, Silvio de Abreu, Walcyr Carrasco e Walther Negrão. Aguinaldo Silva e Alcides Nogueira, que completam o grupo seleto, não puderam comparecer.
Com 40 anos de TV Globo, Benedito Ruy Barbosa, o primeiro a chegar ao local, fez um retrospecto de sua trajetória e das milhares de páginas que escreveu ao longo deste período. “Escrever novela não é uma aventura, é um trabalho sério, árduo, que exige disciplina e responsabilidade com a empresa e, principalmente, com o público que nos assiste. Encaro o meu trabalho como uma válvula de escape, pois foi através dele que pude realizar meus sonhos, dando vida a vários personagens.” Outro veterano, Silvio de Abreu era só elogios à iniciativa. “Antes de mais nada, este é um livro bem feito, bem escrito e bem paginado, é um reflexo da qualidade da TV Globo. Tenho 30 anos de emissora e sempre tive as minhas ideias respeitadas, nenhuma história foi imposta a mim. E isso me dá subsídios para trabalhar à vontade”, comentou o autor.
Mais novo entre os presentes, João Emanuel Carneiro reverenciava os ídolos. “Estar junto aos profissionais que sempre admirei é um prêmio. Este livro é histórico e nos permite aprender com experiências alheias, além, é claro, de servir de material para quem quer abraçar esta profissão. Esta iniciativa foi brilhante e o resultado é maravilhoso”, comentou o autor de A Favorita. Outro integrante da nova geração, Miguel Falabella, no ar com sua terceira novela, falava sobre a razão de o grupo ser tão pequeno. “Escrever novelas é pesado e não é todo mundo que aguenta. Acho que por isso temos tão poucos autores. Eu tenho uma preocupação danada com o texto, sou preciosista e quero dar o meu melhor ao público”.
Atual autora do horário nobre, Glória Perez não deixou de comparecer à festa e compartilhar a alegria com os colegas. “Mesmo cheia de trabalho e com a novela Caminho das Índias recém-estreada, eu não poderia deixar de vir. Eu vi o livro pronto e, por enquanto, só li a minha parte. Fiquei emocionada de saber que faço parte deste universo, que contribuí para a história da teledramaturgia brasileira, com um valor imenso aqui e no exterior. Este livro é uma oportunidade de o público conhecer o nosso trabalho, um trabalho solitário, pesado, mas que me dá uma grande satisfação”. Walcyr Carrasco também estava encantando. “O livro tem uma qualidade inquestionável de texto e paginação, ele faz um Raio-x de cada autor, seus processos de criação, como colocam a emoção nas páginas. Não há como falar de vida sem emoção. Este é um dos meus livros de cabeceira”.
Enquanto todos tinham lido as suas partes, Gilberto Braga fugia à regra. “Até agora não li o meu depoimento. Já li o do Ricardo Linhares, o do Aguinaldo Silva e do Silvio de Abreu. Vou ler todos, com certeza, mas vou deixar o meu por último para ver se eu não falei besteira”, brincou Gilberto. Entusiasmado com a obra, Ricardo Linhares já tinha lido todo o livro. “Comecei a lê-lo assim que chegou as minhas mãos. Fiquei impressionado com a fidelidade do Memória Globo ao trabalho de cada um. É uma obra carinhosa para nós autores e também reveladora para muitos que não conhecem detalhes nem das nossas vidas nem das nossas novelas”.