Hoje: Som Brasil presta homenagem a Dorival Caymmi
Por Josemar Arlego

Nesta sexta-feira (19), o ‘Som Brasil’ se despede de 2008 em grande estilo. O último homenageado do ano é Dorival Caymmi, que compôs músicas que ajudaram a construir a imagem de um Brasil doce e sereno para o mundo e para os brasileiros. Para representar a obra desse baiano inspirado, ninguém melhor que sua própria família: Nana, Dori, Danilo e a neta Alice dividem o palco com Margareth Menezes, Zeca Baleiro e a banda Moinho, liderada por Emanuelle Araújo.
A família Caymmi interpreta “Só Louco”, na voz de Nana; “Nem Eu”, cantada pela neta Alice, em sua primeira aparição num programa de televisão (ela cantou na abertura do Pan); “Sábado em Copacabana”, com Danilo, em parceria com a filha Alice; e Dori interpreta “João Valentão”. “Gleiser tinha escutado algumas músicas que eu compus, porque também sou compositora, e me convidou para cantar. Deixei a faculdade de Direito esse ano para me dedicar à música”, contou Alice, que está com dezoito anos – e cuja voz lembra a de sua avó Stella, eterna musa do avô Dorival.
Cantora e compositora baiana de fama e prestígio mundiais, Margareth Menezes interpreta as canções que remetem ao mar, como “Pescaria”, “Morena do Mar” e um medley de “Suíte dos Pescadores” e “Temporal”. “A obra de Dorival Caymmi é muito especial. Ele sempre conseguiu se inspirar naquelas coisas minimalistas, naquelas coisas que a gente pouco percebe no dia-a-dia, justamente aí ele fazia poesia, nesse lado mais profundo da Bahia”, falou Margareth.
O Moinho, grupo baiano formado pelo guitarrista Toni Costa, pela atriz e cantora Emanuelle Araújo e pela percussionista Lan Lan, interpreta um medley de “Você já foi à Bahia”, “O que é que a baiana tem?” e “Vatapá”. A banda canta ainda “Saudade da Bahia” e um medley de “Samba da Minha Terra” e “Maracangalha”. “Para mim foi uma prazer enorme, porque Caymmi sempre foi uma inspiração para o nosso trabalho. Então, fazer parte de um ‘Som Brasil’ sobre ele e ainda sendo um especial de fim de ano foi um convite que recebemos com muita alegria”, disse Emanuelle.
No último programa do ano, o ‘Som Brasil’ tem a apresentação de Camila Pitanga, em seu primeiro trabalho após o nascimento da filha Antonia. “Quando eu recebi o convite do Luiz Gleiser eu nem pensei duas vezes, porque eu adoro o programa, sou a maior entusiasta de se fazer uma ponte entre o novo e a história”, confessou a morena. “É muito especial participar de um programa sobre o Dorival Caymmi. Eu sou filha de baiano, eu tenho muita identificação com esse universo.”
Nascido em Salvador a 30 de abril de 1914, Dorival Caymmi recebeu as primeiras influências musicais de seu pai, um funcionário público que tocava piano, violão e bandolim. Compôs sua primeira canção aos 16 anos. Aos 23, veio para o Rio estudar Direito, mas logo emplacava o primeiro sucesso na voz de Carmen Miranda, “O que é que a baiana tem?”. Em 60 anos de carreira, Caymmi compôs pouco mais de cem canções – uma obra relativamente pequena em quantidade, mas de qualidade impressionante.
O ‘Som Brasil’ especial de fim de ano em homenagem a Dorival Caymmi será exibido logo após o ‘Globo Repórter’.
Foto: Rede Globo