Grupo Gay da Bahia perdoa depoimento homofóbico de Claudia Leitte
Por Josemar Arlego

A recente declaração da cantora Claudia Leitte ( “Eu adoro os gays, mas prefiro que meu filho seja macho”) vem provocando muitas críticas. Simpatizantes do movimento gay acusam a cantora grávida de ser homofóbica, e por tal “crime”, propõem boicote aos discos e shows da linda cantora carioca-baiana.
O Grupo Gay da Bahia, através de uma carta enviada por Luís Mott, resolveu se pronunciar oficialmente sobre o caso:
“A experiência vem me ensinado a ser menos extremista e mais conciliador na luta contra a intolerância anti-homossexual. A declaração de Claudinha foi infeliz, mas há episódios de homofobia muito mais graves , e estes sim, merecem nosso repúdio e até ação judicial contra os infratores. Levando-se em conta que a cantora se diz evangélica, bato palmas por ter declarado que adora os gays. Muitos líderes cristãos – do Papa ao senador Crivella, condenam gressivamente os homossexuais.
Quanto à sua declaração de que preferia ter um filho macho, temos de respeitar o direito de qualquer mãe ou pai desejar que seu filho seja músico ou médico, que faça ou não tatuagem, que seja religioso ou ateu. Não é racismo que uma mãe branca deseje que seu filho tenha sua mesma cor, ou que um pai afro-descendente tenha orgulho da cor preta de sua filha. Gosto não se discute! Na declaração de Cláudia, há um pequeno equívoco ao opor homossexual a macho, pois ser gay não significa necessariamente ser efeminado.
Costumo dizer que no Brasil, “precisa ser muito macho para ser bicha”, tamanha é a discriminação que pesa sobre os amantes do mesmo sexo. Aos extremistas que querem crucificar a cantora, lembro que ainda hoje, de norte a sul do país, mães e pais repetem impunemente “prefiro ter um filho ladrão ou morto do que homossexual!” Que há poucos anos, Ana Maria Braga, hoje incluída entre os simpatizantes do movimento LGBT, divulgou esta piadinha no seu programa matinal: “Sabe qual é a maior tristeza de um pai caçador? Ter um filho veado e não poder matar!” Claudinha, vá em paz, nós te perdoamos, mas não torne a pecar!!!” – diz a nota.