Desabafo: Cláudia Leite fala da tragédia em Congonhas
Por Josemar Arlego

Às vésperas de iniciar sua participação no Fortal, o carnaval fora de época que acontece em Fortaleza e que deve reunir 400 mil pessoas nos quatro dias da festa, Cláudia Leitte revelou-se preocupada com a indiferença dos homens com o seu semelhante e com a frieza com que lidam com as tragédias, a violência e a vida.
Veja na íntegra o que a comandante do Babado Novo escreveu:
"Mais de duzentas pessoas mortas em mais um acidente de avião significam apenas números. Alguns dão risada enquanto trabalham nesse acontecimento, outros fazem gestos obscenos, que nos levam a crer que a preocupação com seus próprios interesses é mais importante que a vida humana.
Estamos em guerra, mas nem nos damos conta... porque as boas atitudes estão se esvaindo em lama, na velocidade da luz... ou da internet- tanto faz. Na nossa pressa de ter, nos esquecemos de ser.
Estamos nos destruindo e ninguém faz nada. As pessoas estão morrendo, os corpos estão em nossa frente. O cheiro fétido está no ar que respiramos e nos acostumamos com ele. Estou triste porque quero ter filhos nesse mundo, ainda que ele me pareça tão torto
Preciso orar mais. Preciso orar agora.Faço o que Deus? Não sou salvadora do Planeta, mas estou tão mal e escrever vai aliviar... Pelo menos por algum tempo. Deveríamos nos amar mutuamente, pois assim ensinou Cristo, mas estamos longe, muito longe de algo deste tamanho.
É ridículo estarmos sempre surpresos com boas atitudes. Quando alguém faz caridade, ou se movimenta em prol do amor de alguma forma, a gente
toma um susto. É verdade.
Tenho orado muito, porque coisas ruins têm passado pela minha cabeça. Tenho muita fé no Senhor, todavia, estou um pouco desmotivada a crer nos homens. Tenho visto tanta coisa absurda neste mundo"
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