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Tribo de Jah celebra pioneirismo no reggae nacional: 'Introduzimos a temática'

Por Erem Carla

Tribo de Jah celebra pioneirismo no reggae nacional: 'Introduzimos a temática'
Foto: Meireles Júnior/Divulgação

Formada por Fauzi Beydoun, Pedro Beydoun, Aquiles Rabelo, Netto Enes, João Rodrigues e Luan Richard, a banda Tribo de Jah, que nasceu em 1986 na cidade de São Luís, Maranhão, está em turnê pelo Brasil comemorando seus mais de 30 anos de carreira e sucesso. 

 

Com 18 álbuns inéditos e mais de dois milhões de cópias físicas vendidas, a banda está lançando um DVD com versões acústicas das músicas em português, espanhol e inglês para celebrar as décadas de parceria e sucesso.  

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Fauzi comenta sobre o novo projeto e explica a ideia de lançar o disco em três idiomas.  

 

“A banda vinha acalentando esse desejo de realizar a gravação de um DVD acústico para coroar toda essa carreira. A banda tem 37 anos de atividade e estamos chegando perto dos 40, então eu acho que é um momento importante pra isso, pra deixar registrado melhor”, afirma. 

 

Conhecida por hits como “Uma Onda que Passou”, “Regueiros Guerreiros” e “Morena Raiz”, Fauzi conta que a banda é reconhecida fora do país como uma grande referência reggae no Brasil.

 

“Eu acho que mesmo em outros idiomas passa uma mensagem contundente que possa ser assimilada também por outros povos que falam outras línguas”. 

 

Entre as comemorações, a banda celebra a estreia em uma trilha sonora de novela das 21h. A música “Quando o São João Chegar”, que embala as cenas de infância de Ari (Chay Suede) e Brisa (Lucy Alves) em “Travessia”, na TV Globo, é da banda maranhense.

 

“Popularizar o trabalho em escala nacional é muito positivo para qualquer artista, para qualquer trabalho. Eu acho que especialmente nesse momento da carreira da banda é algo muito especial. A gente ficou muito feliz, surpresos também, pra ser bem sincero nós não esperávamos que a música da tribo entrasse na trilha de uma novela. Foi uma boa notícia e está sendo maravilhoso, porque os fãs têm comentado muito”, comemora o cantor. 

 

O segredo da longevidade da banda, que se mantém ativa no cenário musical nacional representando o reggae, é um mistério até mesmo para os integrantes. 

 

“Sinceramente, a gente não sabe, a gente só vem fazendo (risos). Você vai fazendo, vai tocando, vai enfrentando desafios porque é uma banda independente, [que] passou por muitos perrengues. Eu acho que mais do que sobreviver durante todo esse tempo é você manter o trabalho vivo, prestigiado. O que a banda conseguiu na verdade ao longo desses quase 30 anos de carreira foi conquistar uma legião de fãs muito fiéis”, inicia Fauzi. 

 

O artista ainda celebra os fãs da banda que se mantiveram ao lado da Tribo de Jah durante todos esses anos e atribui a fidelidade a uma identificação espiritual e ideológica. 

 

“[A banda] aborda essa questão da devoção, da fé em Deus, da gratidão a Deus, que são elementos marcantes pra banda e estão inseridos na temática do trabalho. E eu acho que muita gente se identifica com isso (...) os fãs não estão ligados na banda apenas por uma questão circunstancial, de um sucesso ocasional é uma coisa mais profunda, é uma coisa de se identificar, de se realizar”, continua. 

 

“O segredo para se manter em cena é sobreviver artisticamente. É o que a gente vem tentando fazer e eu sinceramente acho que só Deus, que tem nos sustentado porque as dificuldades foram muitas ao longo da carreira. A gente mesmo se admira: ‘Poxa, estamos juntos há quase 30 anos e como?’ Não sei, o tempo passou voando”, conclui Fauzi.

 

Apesar do sucesso que o grupo cultiva desde 1986, Fauzi disse que a Tribo de Jah não se considera precursora do reggae no Brasil, mas reconhece que são pioneiros do gênero em território nacional. 

 

“A gente reconhece que a banda teve um papel muito importante para consolidar o mercado, a cultura reggae no Brasil. Porque muita gente curtia Tribo de Jah e nem sabia qual era o gênero musical mas gostava das músicas”. 

 

Fauzi ainda destaca o pioneirismo da banda na temática do reggae tradicional no país, que tornou a cultura do gênero mais acessível no Brasil. 

 

“Por exemplo, ninguém sabia o que era Jah. Foi a primeira banda a usar essa terminologia que se refere a Jeová, a Deus. Depois veio o primeiro álbum da banda em 1992, “Roots Reggae”, roots significa raízes. Foi a primeira vez que apareceu esse termo no Brasil e a galera hoje tem até banda de rock and roll que usa esse termo (...) Uma série de termos que até então não eram recorrentes no Brasil e a Tribo introduziu essa temática”, afirma.

 


Foto: Meireles Júnior/Divulgação

 

Com a Bahia incluída no leque de cidades por onde a Tribo ainda vai passar durante a turnê, o cantor diz enxergar o baiano Edson Gomes como uma grande referência e um dos mais expressivos artistas do reggae no Brasil. 

 

“O Recôncavo é uma verdadeira Jamaica. Se você for analisar a região ali de Cachoeira, São Félix… De lá vem o Edson [Gomes], vem o Nengo Vieira, Sine Calmon, os irmãos de Edson…, então Cachoeira é uma verdadeira Jamaica baiana, eu tenho uma veneração muito grande por essa região”, relata. 

 

Fauzi avalia a passagem da banda pelas cidades baianas e diz ter lembranças maravilhosas das longas temporadas que já passaram no estado. 

 

“A Bahia é uma potência de reggae e a Tribo tem um carinho muito grande (...) Os fãs da tribo da Bahia são muito fãs, porque eles gostam de reggae e tem uma deferência pela Tribo, uma admiração muito grande. E pra gente é uma dádiva ter esse reconhecimento em todo o território baiano. É um estado enorme e a banda praticamente consegue abraçar todo, então é uma gratidão muito grande a ao povo baiano por isso”, afirma Fauzi. 

 

Com 18 álbuns inéditos lançados, turnês mundiais e mais de dois milhões de cópias físicas vendidas, Fauzi avalia a constância da banda como o objetivo mais importante. 

 

“A gente sabe que essa vida é uma passagem, não devemos estar apegados a nada. O corpo é uma roupa e chega uma hora que a roupa fica velha. Então o que a gente espera é estar ativo fazendo o que a gente realmente ama, fazendo música. Se manter pagando conta e ajudando quem a gente pode. Estamos prontos para o que der e vier, o que Deus mandar tá bom (...) acho que a gente foi longe demais o que vier daqui pra frente é lucro!”.  

 

A Tribo de Jah se apresenta em Itacaré no dia 14 de novembro, em Macaúbas no dia 16 de dezembro e em Ituberá no dia 8 de janeiro de 2023.