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Após lançar 1ª EP, Nininha Problemática avalia cenário do pagode e critica falta de apoio

Por Antônia Fernanda/Matheus Lens

Após lançar 1ª EP, Nininha Problemática avalia cenário do pagode e critica falta de apoio
Foto: Éverton Carvalho

Com 5 anos de carreira e sendo a primeira drag queen baiana a cantar pagode, Nininha Problemática, lançou no dia 11 de agosto, nas principais plataformas de streaming, seu primeiro EP “PagoDrag”, contendo 5 músicas inéditas. O projeto contou com a produção de Apache Abdala, responsável por vários sucessos do pagode baiano (escute aqui). Em entrevista ao Bahia Notícias, Nininha conta como surgiu a carreira de cantora, o processo para construção do EP, planos pós lançamento e reflete sobre a cena artística do pagode na Bahia e a falta de apoio aos artistas independentes.

 

Surgindo inicialmente como uma personagem que utiliza do humor para falar sobre diversas questões do cotidiano, Nininha se sentiu atraída pelo cenário musical drag, que vem ganhando espaço a cada dia que passa, contendo grandes nomes como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Lia Clark, Grag Queen (confira a matéria com artista aqui) e demais nomes.



"A ideia do nome 'nininha' veio quando eu estava na escola, e eu gostei muito porque me remetia a vizinha que chama a outra na janela 'oh ninha', e o 'problemática' veio na junção, quando eu falei alto 'nininha problemática' eu achei que casou e ai eu guardei essa ideia. Em 2017 eu senti esse desejo de criar uma personagem real, eu queria algo que as pessoas olhassem e se identificasse.[...] Tirei um dia, chamei minha vizinha para fazer minha maquiagem e emprestar um short jeans e um cropped, peguei uma peruca emprestada com uma amiga que já fazia drag e gravei os vídeos. Quando eu postei o segundo vídeo no Facebook e fui trabalhar, horas depois já tinha viralizado, mais de 100 mil visualizações", afirma, relembrando a época que trabalhava no cinema.

 

Contendo 5 faixas inéditas, escritas pela própria artista, e produzido por Apache Abdala, produtor musical que já trabalhou com nomes como Robyssão, Chiclete Ferreira, A Dama  e outros, o EP "PagoDrag" foi produzido em 12 meses, reunindo o swing do pagode, elementos baianos e a diversidade nas letras. A canção "Pala de Marquinha" é a aposta para o hit do verão. 
 

Moradora do bairro soteropolitano 7 de Abril, a cantora diz que se sente abraçada pela comunidade, e que faz questão de levar o nome do bairro para qualquer lugar que for, para também mostrar que existe arte e potência nas periferias de Salvador. Nininha relembra um período em que seu bairro era sinônimo de violência por falta de pautas que destacasse o lado artístico e cultural da região. Caso semelhante em diversos bairros periféricos de Salvador.
 

"Com o tempo fui conquistando o respeito e carinho da comunidade. Minha real intenção era tirar a imagem violenta que meu bairro estava recebendo nos últimos tempos, se eu colocasse no Google 'bairro 7 de abril' só mostrava notícias sobre violência e sequestro, às vezes nem era no bairro, mas por ser próximo, acabava levando a fama. Eu fazia questão que toda reportagem que a mídia fosse fazer comigo, fosse no bairro, para que as pessoas pudessem conhecer e ver que não é tudo isso que aparece nos jornais tradicionais", afirma a artista.

 

Há mais de 5 anos seguindo a carreira de uma artista independente, Problemática tem a amizade e a admiração de diversos artistas como: Preta Gil, Carlinhos Maia, Ludmilla, Márcio Vitor e outros grandes nomes. Durante a entrevista, a baiana lamentou o fato de que na maioria das vezes o reconhecimento vem dos artistas de fora.
 



Preta, pobre e periférica, além de viver e representar a arte, Nininha também tem como objetivo inspirar e abrir portas para outras pessoas. "Eu quero que as pessoas lembrem que mim", afirma.