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Daniela Mercury diz que sociedade brasileira trata a arte conceitual com desdém

Por Manuela Meneses / Antônia Fernanda

Daniela Mercury diz que sociedade brasileira trata a arte conceitual com desdém
Foto: Kayla Dias l Bahia Notícias

O ano era 2015 e Daniela Mercury performava a 'morte da arte' no circuito Barra/Ondina, no Carnaval de Salvador. À época, a cantora encenou uma 'maldição' e apareceu dentro de um caixão. A apresentação, claro, repercutiu e chamou atenção de todos. Durante entrevista coletiva do programa 'Por Acaso', de José Maurício Machline, nesta quinta-feira (31), a baiana disse que o show de 6 anos atrás também é reflexo do momento político em que o país está vivendo. 

"Eu sempre estou fazendo algumas atitudes políticas e intervenções no Carnaval, porque é um momento em que está todo mundo relaxado e 'pode-se tudo', e eu me sinto ainda mais livre como artista. Eu chamei vários artistas para entrarem em caixões e fazer a 'morte das artes', porque eu estava muito preocupada com a desvalorização da arte conceitual. Eu queria chamar atenção para esse desdém que eu sinto da sociedade brasileira, a gente não tem educação para amar-se, de não conhecer as nossas artes", declarou a atriz.

"A gente fala que ama, mas não conhece os grandes artistas brasileiros. Eu tinha que entrar no caixão porque eu tinha que falar da morte, eu queria representar a morte...Parece que eu estava adivinhando que a gente ia ser sufocado e ia sofrer censura durante todo esse governo. Autoritarismo chegando, os movimentos de direita no mundo e eu já estava pensando de alguma forma que isso poderia vir acontecer e realmente aconteceu", relembra a artista. 

Considerada uma das maiores artistas de axé baiano, comumente Daniela é questionada por ser branca e representante do gênero musical. Durante a coletiva, ela disse que sua relação com a música afro teve início ainda na sua infância. "Eu sou sambista, sou de Brotas e comecei a dançar afro desde pequeneninha, sou apaixonada pela sonoridade dos blocos afros". 

"Eu abri mão de compor para poder cantar os compositores dos blocos afros porque eu achava aquilo um canal importante, e eu queria ser uma cantora para firma minha gente", diz a artista. 

No evento, a cantora Illy também estava presente e diviviu o palco com a 'Rainha Má'. A artista, considerada uma das revelações da música baiana, canta desde pequena e está gravando um disco que será lançado em breve. 


"Minha relação com a música começa dentro de casa, com a minha vó, com meu pai, a gente sempre cantando em casa...Eu sempre estive em palco, sempre tive essa experiência...comecei com 16 anos e meus pais sempre me acompanhavam nas viagens ao interior na Bahia", conta a artista. 

 

Confira imagens do evento (fotos: Sécio Freitas):