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Entrevista Larissa Luz

Por Josemar Arlego

CH: Antes do Ara Ketu, como andava sua carreira de cantora? Onde costumava cantar? Quais eram seus planos antes do Ara Ketu?
Larissa: Antes do Ara, eu cantava numa companhia de dança chamada Interart, onde eu cantava e dançava a cultura popular da Bahia. Cantei em bares e tinha também uma banda de axé chamada Tempero Nagô. Participei de festivais, estava compondo muita coisa e pensando em gravar um disco com minhas músicas.

CH: Seu estilo era mais MPB e você fazia algo mais intimista, voz e violão... O que fez você mudar para o axé? 
Larissa: Na verdade sempre gostei e cantei axé. Até nos momentos intimistas lá estava ele: o ritmo baiano! Ijexá, samba, samba reggae...E axé é tudo isso, é energia, é Bahia. Enfim, está em mim!

CH: O axé music, em regra geral, dá mais dinheiro e  fama que a MPB. Você levou isso em consideração na hora de entrar no Ara Ketu?
Larissa: Bom, meu sonho e meu propósito sempre foram cantar pro mundo coisas que fizessem as pessoas saírem do meu show mais felizes do que chegaram! Desde pequena, meu desejo era fazer arte, sempre acreditei que fama e dinheiro fossem só uma conseqüência, principalmente quando surgiu a proposta de continuar uma história linda de uma banda que sempre fui fã, o Ara Ketu! Levei em consideração também a minha verdade e a minha vontade de fazer um trabalho bonito, bem feito e com muita alegria!

CH: Como pintou o convite para você entrar no Ara Ketu?
Larissa: Vixe... foi o destino! Fui indicada por um cantor que tinha ido fazer um teste para a banda Ifá lá na sede do Ara, que não tinha me ouvido cantar, só tinha ouvido falar! Fiz o teste, gostaram e ai me convidaram pra assumir os vocais do Ara já que Tatau estava saindo.

CH: Você chegou a conversar com Tatau na época sobre a substituição? O clima deve ter sido pesado...
Larissa: Conheci, conversei... Não houve clima pesado! Tudo fluiu muito bem! Ele me desejou sorte, sucesso e eu, como fã e admiradora, me senti super honrada e feliz!

CH: O que particularmente você acha de Tatau? Você acompanhava a carreira do Ara Ketu? Já conhecia o trabalho da banda e de Tatau?
Larissa: Acompanhava! Tatau é um grande artista! Um grande compositor, cantor, um timbre marcante e uma sensibilidade incrível! Acompanhava o Ara ketu e pulava igual uma pipoca no carnaval, cantava “Mal Acostumada” e “Fanfarra” nos meus repertórios antes do Ara. Quem me conheceu e pôde me ouvir nessa época, lembra-se de mim cantando vestida de roupa afro " Ketu, Ketu falará laralá, diz Ara Ketu povão"

CH: Ao chegar ao Ara Ketu quais foram as coisas que você achou que teriam que mudar? Sua relação com os outros músicos é boa? Já deu para fazer amigos?
Larissa: Era só uma questão de adaptação, em que aliás para mim foi fácil porque a banda é maravilhosa. Músicos experientes e de boa energia, boa índole, criativos! Hoje eles são muito mais que meus amigos, eles me ensinam, eles me protegem, são meus parceiros, amigos e irmãos! Somos uma família, a família Ara Ketu.

CH: Foi difícil impor sua personalidade a um grupo que sempre foi comandado por uma mesma voz?
Larissa: Foi um desafio! Mas desde o início fui muito bem recebida, agradeço sempre isso me ajudou muito.

CH: O Ara Ketu tem prestígio em todo o Brasil. Mas como toda banda, tem seus altos e baixos. Você pegou o Ara Ketu numa fase delicada. Você se preocupou com isso?
Larissa: Eu preferi confiar. Confiar na capacidade da banda e do público de fazer uma história bacana acontecer. E a resposta foi imediata. O carinho da galera, o apoio dos artistas, da imprensa e o  meu sorriso claro, de orelha a orelha...

CH: Você foi uma aposta dos empresários do Ara Ketu. Você se cobra mais ou é mais cobrada?
Larissa: Eu me cobro muito porque, quando estou no palco, quero fazer o melhor para as pessoas que estão ali dispostas a curtir o trabalho. Eu trabalho em função da galera e quero ver todo mundo satisfeito e feliz. Por isso, procuro melhorar sempre e a banda está sempre me ajudando muito nisso. Com os empresários minha relação é muita boa, eles acreditam muito e confiam em mim e isso é importante. 

CH: A música baiana é muito requisitada em todo o país. Mas, em Salvador, existe dificuldade para realizar eventos. Como você vê o mercado de música e de eventos em Salvador?
Larissa: Crescendo cada dia mais. As pessoas estão consumindo mais a música baiana e isso é fato. Precisamos valorizar o que é nosso! Sinto que o público está atento a isso e está mandando bem, prestigiando, assistindo, conhecendo. Cada um faz sua parte.

CH: A grande maioria dos artistas baianos comenta que possui muita  dificuldade para colocar o bloco na rua, durante o Carnaval de Salvador. Falam em crise. Você concorda? Como avalia atualmente o Carnaval de Salvador?
Larissa: Na verdade tudo isso é muito novo pra mim. Antes do Ara, nunca tinha cantando num trio elétrico, fazia axé com uma banda chamada “Tempero Nagô” nos hotéis e com a “Interart” nos navios de cruzeiros. Mas, o sistema do carnaval, ainda estou conhecendo e aprendendo como lidar. Contudo, sei das dificuldades de colocar o bloco na rua por conta de burocracias e grana .

CH: A pirataria atualmente é muito pesada. O Ara Ketu já vendeu 3 milhões de cópias em um único álbum, coisa que não acontece hoje em dia com nenhum artista. Isso prejudica? Afinal está prestes de lançar um DVD...
Larissa: Prejudica. As lojas de CDs estão fechando e as pessoas não compram mais DVDs originais, o que vai distanciando da gente a possibilidade de ter uma gravadora. O Mundo evoluiu, as tecnologias e agora precisamos rever os conceitos e estratégias  para que possamos nos adaptar as transformações que vem acontecendo .

CH: Como está a produção do DVD? Você tem acompanhado tudo de perto? Tem músicas preferidas?
Larissa: Desde o início. Gosto de ver a evolução da brincadeira principalmente por ser meu primeiro DVD. Estou como uma criança que ganha um brinquedo novo, cheia de entusiasmo e vontade de trabalhar. Tenho músicas preferidas sim, mas também gosto de preferir as favoritas do público, nunca sabemos o que pode acontecer com uma canção inédita. Tem também as do Ara que regravamos que adoro todas : “Pipoca”, “Fanfarra”, “Bom Demais”  são clássicas e eu me sinto muito à vontade cantando.

CH: Dá tempo de namorar com essa vida movimentada? Você já declarou que adora paquerar...
Larissa: Ai... adoro mesmo!! Estou viva!  E quem não gosta? Mas, de fato, a minha vida está muito movimentada e tenho focado  toda minha energia em meu trabalho.

CH: O Ara Ketu cancelou os ensaios, mas em compensação confirmou uma série de festas para verão de Salvador. Como serão esses eventos?
Larissa: Estamos com a agenda apertada de shows e muitas viagens, mas faremos eventos na cidade, a partir de novembro. Dia 6 de novembro, tem o lançamento do Projeto de Verão do Ara, no Trapiche Barnabé, com convidados especiais no palco. No dia 18 de dezembro, lançamento nosso DVD. Já no dia 22 de janeiro escolhe a festa para a escolha da  Rainha do Ara Ketu. E, por último, em 17 de fevereiro, tem o evento “Bem-Vindo ao Ara”.

CH: Estamos em época de eleição. Como cidadã, quais são os critérios que você está utilizando para escolher o futuro prefeito de Salvador?
Larissa: Bom, seria bom que pudéssemos avaliar e medir o nível de honestidade de cada um, mas como não dá, podemos avaliar as propostas de acordo com os nossos interesses e intenções. Prezo muito pela educação e organização da cidade. E, é claro, a cultura! Precisamos de um prefeito que dê a importância que a cultura de Salvador merece. Temos uma cidade rica e privilegiada, só é necessária uma boa administração para se aproveitar o que se tem de interessante. É partindo dessas reivindicações e algumas outras que escolherei meu candidato.

CH: As cantoras baianas de axé são famosas também pelos corpos esbeltos e por serem símbolos sexuais. Você se considera símbolo sexual? É vaidosa?
Larissa: Tudo sem exagero. Sem plásticas! Mas, sou vaidosa sim! Malho e faço a dieta da sopa: como tudo que está dando sopa! Brincadeira! Faço dieta e gosto de cuidar da pele, dou muito importância a isso. Quanto às cantadas, lido muito bem, até acho massa, divertido, brinco e coleciono as pérolas!

CH: Algumas musas já posaram peladas e isso serviu para alavancar suas carreiras. Você toparia posar pelada? Toparia negociar por  uma boa bolada?
Larissa: Menino, a bolada é só conseqüência. Não determina decisões, porque acredito que muito que dinheiro na mão é vendaval e da mesma forma que ele vem ele, vai e o que fica são as nossas decisões que não voltam jamais. Vivemos em um mundo moderno, em que daqui a uns dias não faço idéia do que pode está acontecendo. Não posso dizer “nunca” tendo em vista no mínimo mais 35 anos de carreira!  Mas, hoje, não faria! Nem por uma bolada, porque não é o meu objetivo e eu não acredito numa carreira alavancada por exaltação da sexualidade. Além do mais, ia morrer de vergonha de ficar nua na frente de um monte de gente. Vixe... Ia ficar horrorosa de sem graça!

CH Qual recado final você gostaria de dizer para seus fãs e admiradores?
Larissa: Ah gente...Eu estou tão feliz por está conseguindo passar para as pessoas a minha verdade, o que eu sempre acreditei, por estar com uma equipe bacana, com uma banda maravilhosa e empresários de peso. Estou cheia de energia pra dar para vocês e escrevam: juntos podemos fazer a diferença! Esse trabalho não é só meu, é nosso! Portanto, segure na minha mão e vamos voar rumo a uma nova história, a um novo sentido, a uma nova emoção! Um beijo no coração e muito axé!