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Pagode por Elas planeja 1º festival dedicado à força do gênero feminino no pagodão

Por Bianca Andrade

Pagode por Elas planeja 1º festival dedicado à força do gênero feminino no pagodão
Foto: Reprodução / Instagram

Quando se fala em pagode na Bahia o primeiro nome que vem à cabeça com certeza não é de alguma artista feminina. As referências para o pagodão, ritmo majoritariamente masculino, são sempre nomes como Harmonia do Samba, É O Tchan, Pagodart, Léo Santana, Psirico, Parangolé, entre outros.

 

Não há como negar. Assim como acontece com o sertanejo, o reggae e o rock, o pagode mostra de cara que, para encontrar uma representante do gênero feminino, as pessoas terão que ter disponibilidade para uma busca mais aprofundada.

 

O fato não acontece pela falta de artistas no ritmo. O pagode baiano tem nomes como Rai Ferreira, Aila Menezes, Tertuliana Lustosa, A Dama, Maya, Nêssa, Larissa Marques, Fernanda Maia... A situação se dá pela forma que a cena é apresentada para o público, ou não é apresentada. E pela falta de oportunidade em um mercado formado por homens. E aí entra o Pagode por Elas.

 

Projeto surgiu de trabalho de conclusão de curso | Foto: Reprodução / Antônio Muniz 

 

O projeto, fruto de um trabalho de conclusão de curso do quarteto Joyce Melo, Beatriz Almeida, Giovana Marques e Tainá Goes, se transformou em uma grande plataforma para mostra a força do pagode feminino e em 2022 se organiza para lançar o 1º festival com uma line-up totalmente de mulheres no ritmo.

 

"A gente tinha pensado em tratar na nossa pesquisa o pagode de forma geral, enquanto manifestação política, a representação dentro da periferia, sobre a ancestralidade que envolve o pagode e sobre ele ter as manifestações próprias, como os paredões. A gente começou uma pesquisa bibliográfica geral sobre o pagode e, dentro dessa pesquisa, fomos lendo vários artigos e percebemos que não existia nenhum conteúdo científico falando sobre o lugar da mulher no pagode para além desse ambiente de objetificação", conta Joyce Melo, CEO da plataforma 'Pagode por Elas', ao Bahia Notícias.

 

Joyce Melo, CEO do Pagode por Elas (Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal)

 

E foi a busca mais aprofundada do quarteto, citada no início da matéria, que mudou o rumo do trabalho de conclusão de curso do grupo e jogou uma luz para o universo feminino dentro do ritmo.

 

"As mulheres não estavam sendo pensadas no pagode, nesse lugar de protagonismo. E aí a gente pensou: 'Véi, será que realmente não existem essas mulheres em lugares de protagonismo, friccionando essa cena musical?'. O nosso gatilho para dar o start no projeto foi um show da banda Afrocidade no verão de 2019, quando Fernanda Maia tomou os vocais e cantou uma música autoral".

 

Para a jornalista, o mais surpreendente da pesquisa foi perceber que a mulher já havia iniciado o seu caminho no pagode há um tempo, contudo a falta de de espaço na grande mídia impediu que essa trajetória ganhasse força a ponto de se tornar objeto de estudo e admiração.

 

"Em 2019, A Dama não tinha a visibilidade que ela tinha na proporção que tem hoje, mas ela já era um nome conhecido no pagode. Mais de 50% das pessoas que responderam a nossa pesquisa disseram que nunca tinham ouvido falar de uma mulher vocalista, mas as que já tinham ouvido citaram A Dama como exemplo. Quando chegamos nela descobrimos que A Dama não era a primeira mulher no pagode e que esse lugar era preenchido por outros nomes como Aila Menezes, Rai Ferreira que já fez 10 anos de carreira. Mas esse lugar nunca foi pautado".

 

Após deixar o mundo acadêmico, o 'Pagode por Elas' passou a atuar como uma plataforma de conexão, entretenimento e informação voltada às mulheres do pagodão, administrada por Joyce Mello, CEO, e Beatriz Almeida, gestora de projetos. A iniciativa deu palco para mais de 25 mulheres vocalistas de pagode baiano, criando uma rede de colaboração entre mulheres que consomem o pagode e que fazem o ritmo.

 

"Em 2019, a nossa pesquisa indicou que 50% das pessoas gostariam de consumir mulheres no pagode, mas não conheciam vocalistas. Em 2021, o número baixou para 9,2% das pessoas falando que gostariam de consumir, mas que não conheciam. Conseguimos 'converter' um pequeno número de pessoas. Para a gente é um número importante que representa esse trabalho que a gente tem desenvolvido".

 

 

Entre as conquistas do projeto estão o primeiro artigo na comunidade científica sobre a cena feminina no pagode baiano; a minissérie documental "Pagodão: A cena por elas ", lançada com patrocínio da Skol e em parceria com a Diver.SSA; o podcast "Mulher na cena"; e, para 2022, a esperança de tirar os nomes do streaming e levar para os palcos com um festival dedicado ao poder delas.

 

"O trabalho continua. A gente está com tudo planejado esse ano para executar o primeiro festival Pagode Por Elas, com o patrocínio da Natura Musical. É uma line inteiramente de mulheres do pagode, super especial e gigante. E vai incluir outros processos, queremos fazer concurso, gerar informação, buscar mulheres produtoras musicais".

 

Quer apoiar a cena? Confira a playlist preparada pelo Pagode Por Elas com alguns dos hits das mulheres no pagodão: