Considerado o ritmo do verão, pagotrap ganha novos representantes locais e espaço nacional
Por Bianca Andrade
Você com certeza já ouviu o pagotrap, ou canções com referências do gênero, mas talvez não sabia que aquilo era considerado pagotrap. Quer ver? As músicas do ATTØØXXÁ, O Poeta, Swing do T10, Mahal Pita, Calibre, Bob, Yan Cloud, Nessa, Maya, e até mesmo canções de Léo Santana e do Parangolé.
Mas se engana quem acha que o gênero deu seus primeiros passos em nos últimos anos. Para os produtores Pedro Ribeiro, o Salamanka, e Tainã Troccoli é possível perceber a essência do Pagotrap em canções, por exemplo, da banda Fantasmão.
A banda, que em 2008 lançou o CD Pluralidade, considerado um marco no pagode baiano, também tem um repertório recheado de canções as quais podem servir como referência para o gênero no estado.
O grupo, que na época era liderado por EdCity, cantou o que vem sendo considerado tendência atualmente, mas já fazia barulho desde então entre os "becos e vielas lá na favela", como é cantado pelo próprio em 'Não Vá Que É Barril".

Foto: Reprodução / Divulgação
"Você ouve a clave do pagode com o 808 da música eletrônica (amostra de percussão eletrônica), já dá para dizer que aquela música tem o princípio do pagotrap. Que é o groove arrastado do pagode, misturado com a sonoridade eletrônica do trap e a forma de cantar", explica Pedro Ribeiro, o Salamanka.
Voltando para atualidade, além de todos os exemplos citados acima, a cena do pagotrap ganhou nos últimos meses um novo representante, a banda Sistema Paggotrap.
O grupo, formado pelos músicos e produtores Freelion, Salamanka e Tainã Troccoli, passou a fazer barulho, no bom sentido, ao ecoar por Salvador aquele que vem sendo tratado como o ritmo do verão.
"O sistema surge da união de três músicos e produtores musicais em que a gente opera um sistema de som, trabalhando com o remix sendo tocado ao vivo, com teclado, percussão e as batidas eletrônicas. Nós já trabalhávamos juntos, e como a gente estava montando uma banda de trabalho para Gibi, a gente percebeu a necessidade de querer expandir, de querer fazer outro tipo de som, e denominamos o trio de Sistema Paggotrap", conta Freelion.
Novos em uma cena antiga, porém pouco explorada midiaticamente falando, o trio, que está prestes a se tornar um quarteto em uma fusão com o rapper Gibi, pontua que é desafiador investir no gênero em uma cidade que já é dominada por outros ritmos.
"É um desafio quando já existem gêneros consolidados. Você entrar com um ritmo que mesmo sem ser novo, cronologicamente, é algo que a galera está começando a se familiarizar e dar nome agora. É um desafio, uma aposta, um investimento muito grande", afirma Salamanca.
Mas o "desconhecido" não intimida Freelion. "A Bahia tem disso, ela é bem diversa musicalmente falando. E eu particularmente tenho essa onda de aproveitar dessa diversidade e fazer as coisas e botar a cara para ver o que vai dar".
Ao Bahia Notícias, Salamanka, que reconhece que o grupo não está no papel de precursor de um ritmo, faz questão de exaltar quem pavimentou o caminho para o boom do pagotrap na Bahia e no Brasil.
"Apesar do nome ‘Sistema Paggotrap’, não fomos nós que criamos. Longe disso, já tem uma galera com esse ritmo, ele já existe há alguns anos e está crescendo cada vez mais. Temos RDD, do ÀTTØØXXÁ, Mahal Pitta, Calibre, Bob... São várias pessoas".

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Referência do trio, Rafa Dias do ÀTTØØXXÁ, ou RDD, sua identidade como produtor musical, falou ao site sobre o ritmo.
"O Pagotrap é uma mescla do pagodão aqui da Bahia com elementos do trap. Resumidamente falando, a gente usa kits dos ritmos, como o lendário 808 da música eletrônica com a levada do pagodão", detalhou o cantor, que também exaltou Calibre como um dos principais nomes do gênero, na época que ele ainda utilizava o termo 'TRAPagodao'.
O músico ainda esclareceu uma dúvida crescente nos admiradores dos gênero: Pagotrap pode ser chamado de Bahia Bass?
"Bahia Bass não nasceu como um estilo musical. Eu lembro que Mauro Telefunksoul fazia uma coletânea do que estava acontecendo aqui para jogar na rede. Não era algo de gênero musical, se tornou por causa do telefone sem fio. Mas o Bahia Bass é um movimento. Assim como o Axé, que não é só um ritmo. Já o Pagotrap é um ritmo, como tem o pagodão, o pagofunk, que é a união do pagode com o funk, essas outras mesclagens que fizeram aí", explicou.
Uma das vozes do projeto, o rapper Gibi revela que as possibilidades de música no pagotrap são o que o encantou para investir no ritmo.
"Meu primeiro contato com o pagotrap foi em 'Nós Dois', de 2019 e foi Salamanka que produziu. O canto melódico e a levada me deixa confortável para brincar com os dois lados, o do pagode e o do trap. Então eu não preciso ficar só rimando igual a MC. É um swing que não deixa ninguém parado e a gente gosta de uma agonia", conta aos risos.
Para o percussionista Tainã Troccoli, a força do pagotrap é tamanha que já é possível identificar o gênero em canções do pop e até o axé já vem bebendo da fonte.
"Tem várias músicas, ‘Me Gusta’ de Anitta, que a galera não sacou. A nova de IZA, ‘Sem Filtro’, é a clave do pagode com um pouco do R&B e uma batida eletrônica, a de Ivete com Xanddy 'Tá Solteira, Mas Não Tá Sozinha', já carrega o 808", explica.
Em 2022, dá para se dizer que o limite é o céu. O grupo, que fará um momento de imersão após uma temporada de apresentações na capital baiana, promete voltar com novidades, entre elas o "casamento" com Gibi, que passará a se apresentar com o trio.
"Vamos fazer um laboratório no qual a gente vai trabalhar em lançamentos para o ano de 2022 e focar no nosso disco. Queremos preparar um show, para sair em turnê e nesse momento é onde acontece o nosso casamento com Gibi. Seremos o Sistema Paggotrap + Gibi. Queremos fazer algo com a presença de dançarinos, como se fosse um espetáculo. O Sistema Paggotrap é um universo de possibilidades", afirma Freelion.
RDD acredita na força do gênero e no abraço nacional que o movimento vem recebendo: "O pagrotrap é uma parada que está começando se desenvolver agora na música. Eu vejo um horizonte à frente, agora vejo que temos fortes representantes, o Sistema Paggotrap, Yan Cloud, Gibi, tem a Nessa, o Swing do T10. Tem uma galera vindo e pessoas fazendo o gênero".
