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Após fechamento de sede, Cia Baiana de Patifaria não descarta retorno em 2022

Por Antônia Fernanda / Bianca Andrade

Após fechamento de sede, Cia Baiana de Patifaria não descarta retorno em 2022
Foto: Reprodução / Instagram

Após o anúncio do encerramento das atividades de um dos grupos de teatro mais tradicionais do estado, o idealizador da companhia, Lelo Filho, afirmou que espera que sua provocação feita nas redes sociais incentive empresários e gestores públicos a voltarem o olhares para a cultura novamente. Desta forma, ainda há esperança de que o grupo retome as atividades em 2022.

 

"Essa decisão dessa semana faz parte de um processo. Não foi de uma hora para outra, de um dia para o outro. É uma realidade que eu como ator e produtor, a frente da companhia há 35 anos vivencio uma experiência de ter sido independente de verba pública e privada, embora a gente tenha procurado patrocínio de empresas. A gente conseguiu furar uma bolha no meio artístico brasileiro de ser uma companhia de teatro que não estava no eixo Rio-São Paulo e não precisou mudar para lá. Em 35 anos, só usamos a verba pública para grandes projetos 5 vezes", disse ao Bahia Notícias.

 

Ao site, o ator e diretor afirmou que neste primeiro momento, apenas o Casarão que sediava a Cia Baiana deixa de funcionar. O anúncio, que a princípio deu a entender que o grupo estaria acabando em definitivo, foi reformulado, reforçando que o espaço onde era utilizado pela Cia para ensaios e reuniões acumula uma dívida de 2 anos sem pagar aluguel e IPTU.

 

"Os proprietários tem sido extremamente compreensíveis, porque a sede é mais que só uma sede. Não é só chegar lá e abrir as portas, ter um escritório e um estúdio. Lá está guardado todo o acervo da Cia, oito peças, perucas, sapatos, cenários, adereços, fotos, todo tipo de mídia digital e analógica. Tudo muito bem guardado".

 

Lelo conta que diferente de alguns artistas que conseguiram ser auxiliados pela Lei Aldir Blanc durante a pandemia, a Cia passou longe da aprovação para receber a verba e se manter na pandemia. O grupo passou por algumas dificuldades e chegou a ter a sede invadida e destruída no início do ano.

 

"Foi uma luz no fim do túnel para muitos artistas, que Bolsonaro não queria sancionar, abriram editais que nós pudemos concorrer com tantos outros artistas, mas nenhum dos nossos projetos foram aprovados pela lei aqui nem no município nem o governo. Foi um mistério (não ter sido aprovado)", relatou Lelo.

 

O único apoio que o grupo conseguiu durante a pandemia aconteceu por meio do Mapa Cultural em 2020, uma verba de R$ 30 mil que foi utilizada pela Cia para quitar o IPTU do Casarão e adaptar o espaço para receber projetos no formato digital, e assim nasceu o Casarão 15 digital, uma parceria com um dos sócios do Teatro ISBA, que fechou as portas no último ano.

 

"O teatro digital começou a enfraquecer, porque o público cansou de estar preso na tela. Todas as outras atividades que também entraram em crise voltaram aos poucos, mas para o teatro está difícil", analisa.

 

O artista espera que seu desabafo sobre a Cia e sobre a cultura no estado surta efeito e consiga angariar fundos para não deixar com que os aplausos ouvidos de forma presencial antes da pandemia, sejam os últimos. 

 

"Se você me perguntar: acabou? Eu diria que acabou, eu não tenho agora ideia de como vou voltar com qualquer peça. Eu não tenho fôlego para assumir mais dívidas [...]  A postagem reverberou a ponto de estar falando com a mídia sobre isso. Eu espero que algum empresário, ou até mesmo um gestor público (olhe para a gente). Não estou dizendo que quero dinheiro público, estou dizendo que os artistas nesse momento para dar um fôlego e retomarem nessa pós pandemia, vão precisar de algum tipo de suporte e apoio".