'Ele é essencial pra trama', diz ator baiano sobre seu personagem em 'Verdades Secretas 2'
Por Antônia Fernanda
Cria do Bando de Teatro Olodum, o ator baiano Renan Motta deixou, temporiamente, os palcos da capital baiana para brilhar nas telinhas de milhões de telespectadores brasileiros. O artista foi convidado para fazer parte do elenco da primeira novela brasileira para streaming, que é produção original Globoplay, da Globo: Verdades Secretas 2, de Walcyr Carrasco.
Ao Bahia Notícias, Renan contou que recebeu o convite para dar vida ao personagem Hebert, um profissional de técnico de informática, com surpresa. "Geralmente a gente faz o casting, mas (desta vez) foi realmente um convite. Eu recebi com muito entusiamo e felicidade. Afinal, é um trabalho que tem reconhecimento não só nacional, como internacional. [A primeira temporada] Ganhou um Emmy de melhor telenovela mundial".
Com a primeira edição exibida em 2015, a trama é considerada um dos maiores sucesso da emissora global. O enredo que mistura sensualidade com mistério já foi vendido para mais de 40 países.
No entanto, apesar da grande estreia em uma produção exclusiva para o streaming, essa não é primeira vez que o baiano atua em uma novela da Globo. Em 2018 ele fez parte do elenco da novela 'Segundo Sol', que foi gravada na Bahia, além da série 'Sob Pressão'.
"O processo de preparação (para a novela) foi bem diferente, uma coisa muita rápida. Foi um processo de muita correria, de muita pesquisa com relação ao que faz e como trabalha um profissional de TI, mas acho que isso foi se intensificando ao longo das cenas. É um personagem que foi para fazer duas diárias, mas continua até hoje", conta Renan.
Para o baiano, viver este personagem está sendo um desafio, pois ele teve que começar a gravar um dia após receber o convite, já com a trama em andamento. No entanto, isso não fez com que sua participação fosse menos especial. Além de lhe dar uma visibilidade internacional, fez com que ele tivesse a oportunidade de viver um personagem fora dos esteriótipos que normalmente os artistas negros são cotados.
"A gente ainda hoje se encontra em alguns lugares esteriótipados. Eu acho importante cada degrau que a gente sobe e cada personagem que a gente faz cada vez mais distantes desses esteriótipos".
Mas afinal de contas, qual o papel de Hebert na novela? Com entusiasmo, Renan explica: "Ele é essencial para a trama porque como ele é um profissional, um hacker... Todos os personagens procuram ele para ter uma carta na manga".
"Ele é aquele cara que descobre todas as informações possíveis através da internet, sabe todas as transações, todos os caminhos. E com essa carta na manga as pessoas conseguem dar um 'xeque mate'. Ele é crucial. Toda vez que aparece é para trazer uma informação que geralmente você não encontra facilmente".
..jpg)
Foto: Divulgação
CARREIRA DE ATOR
O artista começou a fazer teatro em 2004 no Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, no Pelourinho, em Salvador.
Iniciou nos palcos através do projeto "Cuida bem de mim", um espetáculo com direção de Luiz Marfuz, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado. Já em 2013, ele passou a fazer parte do Bando Teatro Olodum, que há mais de 30 anos é formado por atores e atrizes negros.
"Me sinto muito feliz e honrado de fazer parte do 'Bando Teatro Olodum', minha maior referência de artistas e de pessoas que fazem a diferença não só no palco, mas fora do palco principalmente", diz Renan sobre o grupo.
DE VOLTA À TERRA
Nascido em Salvador, o ator mora desde 2018 no Rio de Janeiro, onde encontram-se seus trabalhos atuais. No entanto, ele faz questão de dizer que está ansionso para voltar a trabalhar em sua terra natal: "É um sonho da vida".
"Salvador é o lugar onde me sinto mais eu. Não há lugar no mundo que me faça me sentir mais eu que Salvador, Bahia. Mas, eu moro onde eu estou trabalhando. Hoje eu estou trabalhando no Rio, amanhã estou morando em São Paulo. Semestre que vem estou trabalhando e morando na Bahia. Eu moro onde está meu sapato", brinca.
"Salvador e o estado da Bahia são de uma riqueza cultural absurda. Eu acho que o mercado (audiovisual) vai começar a olhar com mais carinho para produções locais. A Bahia é um celeiro de grandes artistas, a gente tem muita história para contar".
Apesar de reconhecer o pontencial artístico e cultural no território baiano, Ranan afirma que o setor está vivendo tempos sombrios e que, atualmente, conta com a ajuda das plataformas de streaming para sobreviver.
"Existe um desmonte da cultura. Existe um governo que não tem o mínimo cuidado com a cultura, então as plaformas de streaming estão sustentando o audiovisual brasileiro e eu espero que isso mude no ano que vem".
