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No Dia do Profissional de Eventos, empresários fazem novo clamor: 'Momento desesperador'

Por Júnior Moreira Bordalo

No Dia do Profissional de Eventos, empresários fazem novo clamor: 'Momento desesperador'
Montagem: Bahia Notícias

Após um ano e três meses do início da pandemia da Covid-19, o dia 30 de abril, em que normalmente é celebrado o Dia do Profissional de Eventos está tendo um gosto amargo com tons de reflexão. Oficializada por intermédio de Lei proposta pela Deputada Estadual Célia Leão, em São Paulo, a data é comemorada em todo o país desde 2014 e foi escolhida por ser o dia do aniversário do precursor e responsável pela iniciativa de realização dos grandes eventos no Brasil, Caio de Alcantara Machado.  Apesar de ser responsável por 4,32% do PIB nacional e reunir um universo de aproximadamente 60 mil empresas em todo o País, o que se tem visto nos últimos tempo é uma classe que clama pela atenção das autoridades públicas já que foi a “primeira a parar e será a última a voltar”.

 

Pensando nisso, o empresário Wagner Miau fez uma postagem no seu perfil do Instagram em que retratou a solidão imposta pelo seu trabalho - mesmo cercado por pessoas -  e como a saudade de poder conduzir suas atividades está cada dia mais latente. “Hoje, a gente se sente assim um pouco, estamos completamente fora do que está acontecendo. Se olhar bem, já está quase todo mundo em vida normal, produzindo, trabalhando, respeitando os protocolos, muitos já jogaram para cima os próprios protocolos, como a gente sabe. Mas estamos parados. Acordamos todos os dias e pensamos: ‘vamos fazer o que?’”, indagou em entrevista ao Bahia Notícias.

Diretor de eventos da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos - Seccional Bahia, Miau assumiu estar se sentindo incapaz. “Os bens que estão sendo desfeitos muitas vezes para pagar acordos trabalhistas e não fechar, mas como vamos fazer para voltar? Com quais condições? Esperamos que hoje que venha uma sinalização do governo federal”, apontou. O empresário se refere ao Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE) que ainda não foi sancionada.

 

De autoria do deputado federal Felipe Carreras (PSB/PE), o PERSE abrange um conjunto de medidas que propõe garantir a sobrevivência do setor até que suas atividades sejam retomadas sem restrições, bem como gerar a capacidade econômica para que assim que volte a operar,  tenha condições de fazer frente ao capital de giro necessário. Tem o objetivo, também de proporcionar margem para cobrir todo o endividamento contraído pelo segmento no período em que ficou paralisado.  

 

O empresário de soluções para eventos, Junior Luzbel, em conversa com o BN, também manifestou o desejo por alguma novidade para o setor. “Seria de fato uma data para comemoração, pois trabalhamos para pessoas se divertirem. A gente não dorme, não come, a gente se doa muito para fazer todo mundo feliz. Somos uma gama de profissionais em diversas áreas para entregar um evento para o cliente final, mas infelizmente estamos parados por conta da pandemia. Um ano e três meses sem trabalhar. Estamos vendo pessoas migrando para outras áreas. É um momento desesperador”, confessou.

 

Nesta semana, o presidente da Associação dos Profissionais de Eventos (APE), Adriano Malvar, esteve no programa Bahia Notícias no Ar, da Salvador FM, e falou sobre a situação crítica.  ele afirmou que são 52 cadeiras de profissionais paralisados e sem atenção dos órgãos responsáveis. “Para o artista chegar no palco, o espetáculo chegar ao teatro, na nossa Bahia, o número de profissionais chega a ser incalculável. Aqui em Salvador, por exemplo, são 230 mil pessoas que trabalham direta e indiretamente”, detalhou. Ele apontou que aqui na Capital são 60 mil ligados só para a  música. “Tudo na nossa cidade é cultural. São pessoas de fato precisando de uma atenção", clamou (veja mais aqui).

 

Por isso, Luzbel fez apenas um pedido para este dia: “Que a gente tenha mais vacina para poder trabalhar. A gente vive disso, sobrevivemos de eventos. A própria população está cansada de tudo. Só queremos uma estrutura para fazermos o que a gente gosta, o que a gente ama. Fomos tão esquecidos. Tem auxílio para tudo, mas não tem para profissionais de eventos”, lamentou.