A Bahia precisa de um CQC urgentemente
Por Rafael Albuquerque

Pois é galera, a Bahia está precisando com urgência de uma emissora que se proponha a fazer um programa na linha do CQC, revelação apresentada por Marcelo Tas, Marco Luque e Rafinha Bastos, exibida pela Band, toda segunda-feira. Isso porque na classe artística da Bahia, tanto os artistas quantos os assessores de imprensa estão acostumados a terem seus egos massageados, passando longe de críticas, que na maioria das vezes, são altamente pertinentes.
O CQC cumpre o papel de veículo sem rabo preso, pois age de maneira categórica, fazendo sátiras, com reportagens sarcásticas, e entrevista engraçadíssimas. Para eles não importa quem seja o alvo. Pode ser um artista, um político ou um anônimo, a regra do jogo é ter humor de sobra.
Aqui, quando sai uma nota criticando a roupa que Ivete Sangalo usou no reveillon, a falta de cortesia com que Margareth Menezes trata a imprensa algumas vezes, ou falando sobre a indignação de Scheila Carvalho por ter perdido tempo em seu programa, vira um rebuliço total. Os assessores travam verdadeiras guerras contra os veículos, porque para eles, a única verdade é a do artista. Eles têm que entender que a crítica faz parte do processo democrático em que vivemos, e que criticar Ivete, Margareth ou Scheila, por exemplo, não quer dizer que não gostemos delas, apesar de termos esse direito.
Em Salvador, percebemos que há um mercado árabe que atinge em cheio as assessorias e a imprensa. Ou seja, troca-se presentinhos, viagens nacionais, internacionais e, se tivesse, interplanetárias, ou até meras cortesias por matérias ou notas consideradas pelas assessorias como positivas. Isso só demonstra o fracasso em que vive a imprensa baiana, que parece achar normal se calar diante de barganhas.
Seja em qualquer área, os profissionais devem ser mais conscienciosos. Isso não quer dizer que não possa ir a um show com cortesias ou aceitar um press-kit com algum ‘presentinho’, mas devemos agir da forma mais parcial possível, escrevendo com isenção, independente de quem seja.
Citei o CQC não por acaso. Quem assistir pelo menos uma vez, vai perceber que o programa tem uma ‘pegada’ diferente. É jornalístico, porém, com bastante humor e inteligência, o que falta em muitos programas da TV aberta brasileira.