Entrevista de Adnet no Roda Viva rende debate sobre 'posicionamento político' de humoristas
Por Bruno Leite
A participação do humorista Marcelo Adnet no Roda Viva desta segunda-feira (17) repercutiu nas redes sociais, sobretudo por conta da pergunta do apresentador Marcelo Tas, que questionou a "coerência" do global por trabalhar com humor e ter um posicionamento político "de esquerda".
"O que eu acho muito perigoso nessa polarização é a gente entrar nessa cilada, e quando você fala que é um 'humorista de esquerda' você nunca reparou que, por exemplo, em Cuba não existe humorista?", provocou Tas, defendendo que "tomar partido" seria perigoso
Sem entender a pergunta do entrevistador, Adnet rebateu: "então humorista tem que ser de direita?". "Então na Libéria, na África, existe um bom ambiente para o humor? Não estou entendendo, você acha que um humorista não pode ter uma opinião política?".
Tas justificou sua pergunta afirmando que um posicionamento político faria com que humoristas perdessem "o fio da navalha" e assumiriam uma parcialidade nas paródias críticas a políticos, por exemplo. Ele ainda criticou a "arrogância" do campo da esquerda no Brasil.
Adnet fez questão de ressaltar que é "uma pessoa acima de qualquer coisa" e com isso não estaria prejudicando sua carreira. "Eu não boto a carreira acima do humano. Eu tenho opinião".
"Acho que ser de esqueda, Tas, não tem nada a ver com China ou Coréia do Norte, isso é comunismo, nós temos que separar o que é ser progressista e o que é ser comunista", defendeu o humorista, acusando que encaixá-lo em estereótipos se trata de uma "simplificação".
