'Conversa Preta' será estímulo para conhecer 'subjetividade preta', diz Aldri Anunciação
Por Ian Meneses
A partir deste sábado (15), após o “Jornal Hoje” a Rede Bahia apresenta uma novidade especial em sua grade. Idealizado a partir de reuniões com segmentos negros na emissora, o “Conversa Preta” irá levar para a TV, em três episódios, assuntos importantes que envolvem as "dores e delícias" da comunidade, que em Salvador representa mais de 80% da população.
Apresentador da atração, Aldri Anunciação destaca que, apesar do ano de 2020 ser histórico para a discussão global sobre o racismo, os fatos somente aceleraram a execução do programa. Segundo ele, a “demanda sobre questões do racismo, da representatividade e de elementos da cultura negra sendo narrados e pensados pela própria população negra já é muito antiga na nossa história”.
Com direção da jornalista Mira Silva, o “Conversa Preta” é formado por negros com participações desde a escrita, concepção, além dos repórteres e apresentadores. Entre os convidados do primeiro episódios estarão no estúdio a assistente social, mestra e doutoranda em estudos feministas pela UFBA Carla Akotirene, a cantora Margareth Menezes, além da repórter da casa Georgina Maynart.

Foto: Reprodução / Instagram @carlaakotirene
Além da jornalista da TV Bahia, os colegas de emissora Vanderson Nascimento, no dia 22, e Luana Assiz, no dia 29, também irão dividir os assuntos com os convidados e o telespectador.
O apresentador do “Conexão Bahia” pontua que, assim como em qualquer área de trabalho existente, tem sido observado um aumento de representatividade, ainda que em “pequenas evoluções”. Para Anunciação, essa mudança responde não só uma demanda social, como também uma demanda econômica: “Quantos talentos a gente perde por conta do racismo? Quanta força de trabalho e criatividade a gente perde pelo racismo? Isso é débito econômico e social. E os não negros estão olhando racismo não como problema do outro, mas como problema deles também”.
É pensando nesse olhar também dos não negros que Aldri e os demais integrantes do “Conversa Preta” propõem estabelecer muito mais que um diálogo, mas uma semente que estimule a valorização dos negros nas empresas, no consumo de produtos de artistas negros, no reconhecimento das autorias e na conversa com o amigo preto, num sentido mais profundo, que busque entender a sua existência.
“A gente vai estimular pontos para que o próprio espectador saia do programa não com respostas, mas com desejos de conhecer a subjetividade preta de alguma forma. Com desejo de saber as razões que mobilizam a negritude. Com desejo de saber não somente a história oficial, mas com desejo de encontrar com esses negros, não no sentido banal da troca de conversa, mas no sentido relacional”, destacou Aldri.
Confira as chamadas:
