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Apadrinhado por Thiaguinho, Atitude 67 explica relação: 'Não é nosso empresário'

Por Júnior Moreira Bordalo

Apadrinhado por Thiaguinho, Atitude 67 explica relação: 'Não é nosso empresário'
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Amizade de infância que seguiu para a vida profissional. Este é o resumo da vida dos seis músicos que formam a banda Atitude 67. Criado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o grupo é formado por Pedrinho Pimenta (vocal), Éric Polizér (violão e vocal), Karan Cavallero (pandeiro e vocal), GP (rebolo), Leandro Osmar (reco reco) e Regê (surdo). “Nós costumamos falar que somos a segunda geração de amigos, pois nossos pais são parceiros até hoje”, explicam em visita ao Bahia Noticias nesta quarta-feira (19).

 

“Antes dos 13 anos, decidimos montar a banda de garagem, já que não podíamos sair por causa da idade. Começamos tocando em casa, festinhas dos amigos e assim por diante. Porém, sempre como um hobby. Apesar do apoio dos nossos pais, não temos parentes na música. Então, nunca foi visto como algo possível para carreira. Por isso, a necessidade de fazer faculdade”, detalham. Nesta lógica, a banda que faz uma mistura de samba, pagode e rap melódico conta com jornalista, arquiteto, empresário, oceanógrafo e dois advogados.

 

A virada aconteceu em 2016. “Um dia, em um churrasco na casa do Karan, pensamos: ‘ainda estamos com 20 poucos anos e não podemos morrer sem ter tentado’. Éramos sete, mas o Pingo preferiu não arriscar, já estava quase casado, estável na carreira. Nós seis mudamos para São Paulo para dar um encaminhamento profissional”, lembraram. Quanto ao amigo desistente, garantem que continuam próximos. “Está conosco até hoje. É o cara que mais torce pela gente. Ele é irmão. Às vezes, é preciso entender o perfil da pessoa. Tivemos essa conversa em maio e o prazo final para resolver as pendências [de trabalho e pessoais] era 1º de novembro. Quem estivesse por lá [na data] iria seguir com o sonho e assim fizemos. Mas foi difícil no início, cachê de R$ 400 para seis pessoas. Sabe? Foi uma caminhada complicada”, revelam.

 

Porém, em 2017, com o primeiro CD, eles já começaram a ganhar destaque na mídia e reconhecimento de famosos, como o jogador Neymar. A música “Cerveja de garrafa” foi uma das mais tocadas naquele ano e, desde então, passaram a ser “apadrinhados” por Thiaguinho. Nos bastidores, o pagodeiro, inclusive, passou a ser apontado com empresário do conjunto. Eles negaram: “Não existe nenhuma relação financeira. Quando apadrinhou vinculou-se muito isso. Não é nosso empresário, nunca teve isso. Hoje é uma espécie de conselheiro, um amigo mais velho, experiente na música e que passa os atalhos para a gente”, garantiram.

 

A parceria é tanta que recentemente divulgaram mais uma parceria juntos. Desta vez é na canção “Hola Chica”, que faz uma mistura de português com espanhol. “Trocamos muitas ideias e quando mostramos a faixa, ele ficou empolgado. Thiago é 67 [referência ao DDD do Mato Grosso do Sul] também, nascido ali na região. Então, convive muito com esse lance de falar com espanhol, por causa do Paraguai. Quando fizemos o convite ele disse que queria se fosse esta faixa. Ele se amarrou de participar”, admitiram. Para quem não sabe, a origem do número 67 no nome do conjunto é uma homenagem à região em que nasceram.

RELAÇÃO COM A BAHIA

Nos últimos tempos, o Atitude67 tem estreitado as relações com a Bahia. Em 2019, fizeram sua estreia no Carnaval de Salvador, ao participar de dois camarotes, e comandaram alguns shows na cidade, como o encerramento do projeto A Tardezinha, do padrinho Thiaguinho, que aconteceu em agosto. No último final de semana, os artistas inauguraram o projeto Sunset 67 aqui na Terrá do Axé.

 

“A gente se sente em casa aqui. O Sunset é uma parte de um grande DVD que gravamos em São Paulo e foi incrível começar por aqui. Estava tendo muitos eventos na cidade e mesmo assim a galera compareceu em peso”, agradeceram. Aos fãs ansiosos, o grupo pretende levar o projeto para todo o Brasil. “A festa é uma homenagem ao pôr do sol. Já tem algumas datas já pensadas para Recife, João Pessoa. Vamos andar por aí e não necessariamente precisa ser um lugar com praia. O que queremos é a energia”, admitem.

 

De Dorival Caymmi, passando por Gilbert Gil, Ivete Sangalo, Psirico, Harmonia do Samba e indo até Guig Ghetto e Saiddy Bamba, quase tudo que toca por aqui serviu de influência para eles. “É a terra da música. Daqui que nasceu o samba, por exemplo, que é o ritmo nacional do Brasil. A gente bebe muito dessa fonte. Além disso, geograficamente é um ponto estratégico. Faz divisa com Sudeste, é o primeiro estado do Nordeste para quem tá subindo. É uma porta de entrada para a cultura”, avaliam. Com isso, na folia deste ano, irão participar do trio de Léo de Santana nesta sexta-feira (21), no circuito Dodô (Barra-Ondina).