Hangar usado por preso na Operação Faroeste foi cenário de clipe de Robyssão
Foto: Reprodução / YouTube

Um hangar do Aeroporto de Salvador usado pelo empresário Adailton Maturino, preso durante a Operação Faroeste, foi cenário para um clipe de pagode baiano. A Faroeste investiga uma suposta organização criminosa que atuaria vendendo sentenças da cúpula do Tribunal de Justiça da Bahia (lembre aqui).

 

De acordo com o site Época, Robyssão gravou o clipe "Nota de cem" no local, com aeromoças dançando. O vídeo foi lançado em 8 de novembro, onze dias antes da prisão do empresário, e é citado no processo movido pela concessionária do aeroporto como um indicador do desvio de finalidade do hangar. O espaço é explorado pela Adey Táxi Aéreo, uma empresa de táxi aéreo. O seu vínculo com Maturino ainda é investigado, mas a PF encontrou algumas respostas recentemente.  

 

 

Segundo o site, os investigadores apreenderam na casa da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, ex-presidente do TJ-BA presa na última sexta-feira, 29 de novembro (veja aqui), um bilhete manuscrito que cita o governador da Bahia Rui Costa e a empresa: "Pedir ao governador nos atender para que ele fale com o Julia Ribas da Embrapa Vancy do Aeroporto para atender o pessoal da Adey Táxi Aéreo, Yeda Muricy Guimarães”. 

 

Segundo as investigações, Maturino é um dos beneficiados do esquema TJ-BA. "Sem a pretensão de formar um juízo de valor sobre os vínculos da agravante (Adey Táxi Aéreo) e os seus gostos musicais, é inequívoco o desvio de finalidade", escreveu a concessionária do aeroporto baiano em um recurso ao Tribunal de Justiça da Bahia no dia 25 de novembro, tentando recuperar a posse do hangar.

 

O caso está sendo relatado pelo desembargador João Augusto Alves de Oliveira Pinto. A batalha judicial da concessionária do aeroporto com a empresa Adey Taxi Aéreo já dura cerca de um ano. O aeroporto diz que a dívida da empresa passa de R$ 1 milhão.  

 

No hangar, existe uma sala com o adesivo da embaixada de Guiné-Bissau, que já se sabe que faz parte da mentira criada pelo empresário. Ele despachava desta sala antes de ser preso na Operação Faroeste. 

 

Procurada pela Época, a Adey Táxi Aéreo disse que desconhece a filmagem do clipe, apesar de existir o vídeo. A sócia da empresa citada pela desembargadora presa, Yeda Nunes, negou que tenham dívida com o aeroporto. "Eles que devem. Nós construímos o hangar todo, recebemos só a terra, isso há mais de 20 anos. Só que eles ficaram de nos devolverem uma parte do dinheiro, e até agora não devolveram. Não colocaram nenhum coqueiro. Temos ganhado na Justiça e vamos continuar aqui", rebateu.

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