Por 'timidez', Tiee cogitou recusar convite de Péricles para DVD: 'Tumulto me mata'
Por Júnior Moreira Bordalo
Seu nome ainda causa estranhamento aqui na Bahia. Muitas pessoas associam a fonética da escrita à cantora paulista Tiê e já começam a cantarolar “Palavras não bastam, não dá pra entender e esse medo que cresce não para, é uma história que se complicou, eu sei bem o porquê”. Mas não. Desta vez, a pauta é com Diógines, conhecido no reduto do samba e pagode como Tiee. Ele será o responsável pelo show de abertura do DVD de Péricles, no dia 6 de julho, na Arena Fonte Nova.
Contudo, se por um lado o grande público ainda o desconhece, por outro esta mesma parcela da população já deve ter escutado alguma de suas músicas. Com 20 anos de carreira, muitos destes dedicados à composição, ele é responsável por sucessos de Ferrugem, Thiaguinho, Arlindo Cruz, Belo, Bom Gosto, Pixote, entre outros. “Meu trabalho foi chamando atenção de pouco em pouco, Porto Alegre, São Paulo, Minas, aí subi o país. O público esperado nesse show é de 30 mil pessoas e isso não acontece todo dia”, iniciou ao Bahia Notícias.
“O pessoal do samba da Bahia já me conhecia, porém, penso assim: a gente tá tão no começo, apesar dos 20 anos, que quando temos uma coisa muito boa, fica com medo sem saber onde vai chegar. É um momento bacana para mim, gravadora... Fico pensando quando virar a chave, sabe? Ainda nem fiz televisão, por exemplo. Venho devagar, é uma carreira toda gerida sem nenhum dinheiro, já que não tinha. No meu quarto tenho um mural com o mapa do vermelho, azul e amarelo. Vermelho quer dizer que já está firme e estamos querendo deixar o da Bahia vermelho”, confessou.
Inspirado por Martinho da Vila, Benito Di Paula e Jorge Aragão, Tiee admite que Péricles também é uma grande inspiração. Sua aproximação com o colega já existia, porém no Carnaval de Salvador deste ano eles tocaram juntos em um evento e o convite rolou. “Ainda estou chegando aqui e mesmo assim ele me chamou. É uma referência, talvez uma das maiores para a gente que canta samba. Fiquei surpreso. Essa semana ele me ligou de novo e convidou para cantar uma música com ele no DVD”, vibrou.
Tímido, o paulista admitiu que pensou em recusar o convite, apesar da felicidade. “Sou um cara muito simples, um compositor que chegou ao topo do seguimento, a ponto de tocar seis músicas dos 10 mais. Fiz a transição de cantor para compositor porque muita gente queria. Eu não queria, mas não neguei. Sou caseiro, gosto de ficar em casa. Fiquei inseguro em aceitar o convite do Péricles em vir para cá. Não faço festivais, os contratantes ficam até com muita raiva. Não me sinto ainda confortável”, detalhou.

“O tumulto me mata e eu trabalho com isso. Fico completamente envergonhado, sou introspectivo nos palcos. Faço pouco movimento, não levanto. Porém, senti o Péricles tão confiante, querendo tanto. É a oportunidade também de deixar o ponto daqui logo vermelho. A vantagem do grande público é a seguinte: pensa que a gente é um vírus – sem querer ser agressivo – e tem a possibilidade de infectar trinta mil pessoas. Vamos agradar 21 mil, cada um tem cinco pessoas em casa, aí no churrasco chama a família e bota para escutar... entendeu a lógica? Vou fazendo essa conta”, brincou.
Com cerca de 40 shows por mês, todos em esquema de roda de samba, ou “paradão” – como ele mesmo intitula -, Tiee admitiu que é estranho chegar para tocar em um lugar em que muita gente ainda não o conhece. “Dói porque você acostuma. É diferente você tocar estourado e tocar começando. É muito mais fácil quando você já está bem, pois as pessoas estão ali para te ver. Aqui na Bahia acho que está sendo mais leve, o povo é mais receptivo. O Rio recebe do mesmo jeito que a Bahia, as pessoas aqui te olham com carinho”, enalteceu. Por gostar desse carinho, o músico revelou que pretende se mudar para cá em breve. “Acho que é um lugar em que meus filhos gostariam de crescer. Daqui a uns três anos quero comprar um casa por aqui”, finalizou.
