Criador do Alô Alô Bahia, Rafael Freitas revela segredos e desafios de fazer colunismo social
Por Júnior Moreira Bordalo
Tido muitas vezes como algo menor, o colunismo social existe há anos no ramo da comunicação. O termo, inclusive, surgiu no século XIX, nos periódicos impressos. Funcionava da seguinte forma: tudo que não era notícia era diagramado numa única coluna vertical, de alto a baixo da página, à parte do resto do conteúdo. Apesar da visão “elitista”, o “não ser notícia” consistia em reunir informações sobre personalidades famosas de uma localidade, que incluem artistas, políticos ou milionários, os chamados “colunáveis”. Aqui na Bahia, quem faz isso com a maior cobertura possível é o Alô Alô Bahia.
Criado pelo publicitário Rafael Freitas há quase oito anos, o veículo surgiu por uma vontade de trabalhar na área. “Sempre tive envolvimento com o colunismo social. Nasci em Feira de Santana, mas morei por muitos anos em Juazeiro. Estudei aqui em Salvador, depois em São Paulo. Quando voltei já tinha decidido montar um site que cobrisse eventos, que tivesse essa força, e percebi que para rodar, precisaria ter notas diárias”, explicou ao Bahia Notícias. Com o passar do tempo, Rafael entendeu que precisava ampliar o foco e tratar de todos os âmbitos possíveis do subgênero do jornalismo, sem restrições ao conteúdo. “Se for assunto, a gente dá”.
“Quando começamos, era o social nu e cru. Não falávamos sobre artistas e hoje falamos muito, pois o alcance e o retorno são grandes. A nossa seleção de conteúdo se dá nessas pessoas que eram sociais e que desenvolvem outros papeis. Então, por qual motivo um político não seria uma figura social? Ele é! Ainda mais no contexto atual. A gente tem que estar atento para quem foi notícia, para quem é notícia”, declarou.

Se hoje é um portal de sucesso, que costuma dar furos sobre os mais diversos assuntos, inclusive de política, Rafael lembra que já teve que lidar com o julgamento e desconfiança dos próprios colegas de profissão. “Quando recebemos o convite para fazer a coluna social do Correio, existia até da própria redação. Com o tempo, foi-se percebendo que não era só social. Era uma coluna que trazia notícias e furos. Tanto políticos, quanto econômicos. Viram que a gente está sempre entre os cinco mais lidos. Hoje, nossa coluna é aguardada pela própria redação, pois eles sabem que vai ter um fato novo”, orgulhou-se.
Contando atualmente com uma equipe de 12 pessoas, entre jornalistas, fotógrafos, gestores de redes sociais e estagiários, o publicitário garante que seu segredo é um banco de fontes forte e para isso tem “que lidar com pessoas querendo plantar notas”. “Quando acordo já tem milhões de mensagens no celular. São pessoas criando situações para aparecer. Existe muito também de ligarem para dar uma notícia, querendo se aproximar para lá na frente me cobrar. Não é um jogo sujo, cabe à gente fazer a seleção e lidar com isso. Temos que saber encaixar aquilo numa notinha pequena. São elas [as fontes] que vão trazer notícias diferenciadas e claro que vão querer cobrar algo em troca depois”, minimizou.
Com a chegada de fevereiro, o foco do site é direcionado inteiramente para o Carnaval. Pelo terceiro ano, a abertura da folia do Alô Alô Bahia será com o almoço – apenas para 200 convidados – na quinta-feira da festa momesca, das 12h às 16h, no Hotel Pestana Convento do Carmo, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. A seleção para os escolhidos é a seguinte: “Pessoas que são notícias e que podem estar ali e reverberar na mídia, como empresários, políticos e celebridades”. Além disso, a equipe montará um esquema full time para cobrir todos os camarotes, almoços dos artistas e eventos importantes que acontecerem durante a folia.
