Indo para mestrado em Portugal, Carla Visi considera ser mensageira da cultura baiana
Por Ian Meneses / Júnior Moreira
A cantora Carla Visi receberá uma homenagem com o show “Canto da Bahia Para o Mundo - Adeus não, me diga até breve” nesta sexta-feira (28) em Stella Maris (relembre aqui). Após ser selecionada para um mestrado em Portugal, amigas da artista concordaram que poderiam ajudar a cantora com seus estudos, dando-lhe espaço para o seu talento e convidando artistas amigos em resposta a todo o trabalho social que ela exerceu até hoje. “Participo de várias ações sociais e ambientais e há uns três anos venho fazendo um sarau para o Lar Vida. Foi aí que algumas amigas do espaço Luminah decidiram fazer um show para mim, já que eu vou fazer o mestrado e isso tem algum custo”.
Com participações de artistas como Laurinha Arantes, Márcia Freire, Márcia Short, Gerônimo, Gilmelândia, Tonho Matéria, Lia Chaves e Carlos Barros, Carla Visi pretende fazer um show de celebração da cultura baiana em um “encontro com uma música mais intimista de voz, violão, percussão e baixo”.
Em entrevista ao Bahia Notícias, Carla também falou de outro projeto seu com o show “Samba da Bahia Para o Mundo”, que já foi apresentado em várias cidades do globo. Ela comentou que se considera uma espécie de divulgadora de suas raízes culturais por onde passa com seu trabalho: “Neste show, trabalho de forma bastante dedicada a música que é inspirada na cultura baiana. Passo pelo samba e chego no samba reggae. O objetivo é valorizar nossa cultura, esse é meu papel lá fora, sempre. Eu sou uma mensageira, eu levo a Bahia junto comigo, levo a cultura brasileira”, acredita.
Carla aproveita para fazer algumas críticas sobre o ambiente musical onde “sempre existe a comparação” afirmando que “os cantores sofrem com a questão da oferta e da procura, como se fossem produtos, sem saber que dentro de cada artista existe uma história”. Para ela, o que incomoda é o aspecto descartável que se formou no meio e a tendência comercial que vem “interferindo e desvalorizando aqueles que têm contribuído há tantos anos para a nossa cultura”.
Carla Visi, que também é jornalista e gestora ambiental, chama atenção para uma situação a qual o artista é sujeito, como na “amnésia que a mídia provoca e que sempre pega o artista de forma exótica” com perguntas como "Onde será que ele anda?”. Para ela, em um exemplo como foi o caso do cantor Belchior, as pessoas trataram a situação “de forma pejorativa, esquecendo toda a sua história e toda uma obra de um grande cantor”. E conclui que “essa é uma grande questão, que faz parte da educação, da consciência do que é ser brasileiro” que, segundo ela, vai ser uma das suas buscas no mestrado que vai fazer em Lisboa.
