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Ninha, Patrícia e Xexéu falam do projeto Trem de Pouso: ‘Cultura ao público que está capenga’

Por Júnior Moreira

Ninha, Patrícia e Xexéu falam do projeto Trem de Pouso: ‘Cultura ao público que está capenga’
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Idealizado por Ninha em 2008 – logo após sair da Timbalada -, o projeto Trem de Pouso está de cara nova. Dessa vez, ao lado veterano estarão dois ex-companheiros do projeto de Carlinhos Brown: Patrícia e Xexéu. “Venho trabalhando com o Trem de Pouso em paralelo ao Axé 90 Graus, projeto que tenho com Tatau e Reinaldinho. Porém, entendendo que unidos somos mais fortes, resolvi chamar Patrícia e Xexéu para também atender o desejo do povo que pede o nosso retorno para Timbalada”, iniciou Ninha ao Bahia Notícias. Segundo ele, a ideia é estar junto dos amigos, mas em outras atividades. “Estamos dando continuidade para que o voo seja maior”.

 

O reforço na banda veio há sete meses. “Cada um fazia seus eventos paralelamente, mas ai Ninha ligou, fez a proposta e eu brinquei: 'Deixa eu ver o contrato' e conversamos. O apelo das pessoas é muito forte e unimos o útil ao agradável”, confessou Patrícia. Xexéu, então, completou: “Sempre tive o Ninha como parceiro... para mim, foi um convite muito maravilhoso, pois estava morando em Fortaleza e quando soube dessa novidade, da oportunidade de iniciar um novo projeto, aceitei com todo o carinho. E agradeço a eles por fazerem parte da minha carreira, da minha história”.

 

Xexéu pontuou que o objetivo dessa união é fazer música para dar uma “opção de cultura ao público que está capenga”. “Nossas vozes são vozes que se eternizaram e os nossos fãs quiseram a gente de volta. É um grande projeto. Talvez, um dos maiores percussivos da Bahia. Vai ter muita música boa, muita coisa boa para galera”, garantiu. Como marca desse encontro, eles gravarão o primeiro CD ao vivo, nesta quinta-feira (6), às 19h, na praça Quincas Berro d’água, no Pelourinho, com participação de Márcio Victor. “Acho que não podemos remar contra a maré, se o povo pede a gente de volta, como não ceder?”, brincou Ninha.

 

O repertório do show vai ser baseado em músicas antigas da Timbalada, que ficaram famosas em suas vozes, a exemplo de “Beija-Flor” – autoria de Xexéu – que está na trilha sonora de “Segundo Sol”. “Não poderíamos dar o primeiro se não fosse para agradar as pessoas que cobraram esse posicionamento da gente, que pediram para relembrar a nossa história. O CD é basicamente em cima disso”, explicou Ninha.

 

Apesar da empolgação evidente dos integrantes, fazer um novo projeto em uma época de “baixa” da música baiana traz algumas complicações. Quanto a isso, eles elencam: “Primeiro tem que ter coragem, pois é difícil realmente. Tem que gostar do que você faz. A música baiana não é mais como antes. Acho que teremos que trabalhar com um conjunto de coisas para poder chegar onde se quer”, salientou Patrícia. “Antigamente, as facilidades para fazer parcerias eram muito mais tranquilas. Lá em Fortaleza, chamava ‘amigos’ - da época que estava estourado da Timbalada - e sentia a dificuldade deles irem, entende? Acho que o sertanejo veio com essa proposta de união, que não temos aqui. Eles foram se fortalecendo no mercado”, contextualizou Xexéu.

 

Já Ninha apontou que a situação da não evidência da música da Bahia em todo o Brasil é resultado da ganância dos empresários e gravadoras. “Passaram a achar que eram os donos do mundo. E não eram. O artista tem seu valor, cada um tem o seu e todos merecem respeito. Hoje, temos dificuldade para tudo. Colocar uma música na rádio, por exemplo, é uma luta. Aquelas pessoas que se diziam amigas, não te chamam para cantar uma música em ensaios”. Por fim, Ninha realça que apesar dos entraves do mercado, eles têm um diferencial: “O legado. A história que criamos. Só tem história, quem tem passado. Nós não morremos, estamos vivos e mais maduros. Somos seres humanos, sentimos e reagimos”. O show de abertura desta quinta-feira será da banda Filhos de Jorge e terá a participação de Saulo Fernandes.