Músico e radialista, Faustão diz que ‘soluções geniais’ para Carnaval não funcionarão
Por Júnior Moreira
Publicitário por formação, músico e radialista. É passeando por essas três áreas que Augusto Oliveira, mais conhecido como Faustão – por conta do porte físico parecido com o apresentador da Globo - atua em Salvador. “Cada dia eu visto uma roupa de personagem”, brincou, em entrevista ao Bahia Notícias. Conhecedor da cena da comunicação baiana, ele iniciou a carreira na antiga Rádio Cidade (atual Metrópole) em 1997 por acaso, após um noite de brincadeira com seu amigo de infância Chico Kertész no estúdio. “Deu certo. No dia seguinte, Mário [Kertész] marcou uma reunião, dizendo que queria o programa, que funcionaria quinta-feira à noite e deu o nome de ‘Cu da Madrugada’”, lembrou e completou aos risos: “Levei fama de pervertido por um nome que Mário escolheu”. E como o bom filho à casa torna, após quase 20 anos, estreou em maio ao lado de André Teixeira e Stephanie Suerdieck o programa “A Voz da Bahia”, no lugar do tradicional “A Voz do Brasil”. A atração tem por objetivo informar e entreter os ouvintes. “Já tinha tido convites antes, mas quando pintou esse, disse a Chico que queria fazer. O programa ainda tá ganhando corpo”, confessou. Para Fausto, o maior desafio da atração é ser diário. “Você não pode se dedicar só a sua pauta, tem que ler o resumo do dia. Tenho que estar atento ao que acontece no país”, firmou ao garantir que a audiência está dentro do esperado. O programa entra no ar de segunda a sexta, às 19h. Comemorando o novo trabalho, ele se diz tranquilo quanto ao futuro do rádio. “Quando criaram a televisão, diziam que o rádio ia acabar. Depois com a internet, falaram que TV não resistiria. Acredito que o futuro é dialogar com os outros meios. Hoje, por exemplo, estou na Metrópole e ao mesmo tempo apareço no site, no aplicativo e no YouTube”.

Assim como no rádio, seu lado músico também aflorou naturalmente, porém durante a época da escola. “Comecei na banda de percussão e como consequência fui cantando. Hoje me sinto muito à vontade, sei exatamente a minha missão quando subo no palco. Não sou galã, não vou dançar, mas vou divertir todo mundo que está ali pelo repertório que faço”, assegurou. Atualmente, comanda o Bailinho do Faustão, faz shows com sua banda Fausto e os Mongas e está prestes a estrear o projeto "Le Fulerê" ao lado de Manno Góes e Adelmo Casé (veja aqui). Quanto ao atual cenário da música baiana, colocou seu ponto de vista. “Estávamos acostumados com os anos 90, em que todo mundo queria ouvir nossa música, mas hoje não é mais assim. Porém, continuamos produzindo músicas excelentes”, assegurou. Para ele, a grande questão é que o Brasil não está mais priorizando a música daqui. “Enxergo o sertanejo com a sapiência genial de pegar tudo que há de melhor e colocar nos shows deles. Não consumo a música sertaneja, mas se tiver tocando e tomando uma, deixo lá. Se o refrão é fácil e fez sucesso, o crítico pode não gostar, mas é o tipo de música que as pessoas curtem. É uma ignorância dizer que quem não ouve música complexa não é inteligente”, criticou. Figura cativa no Carnaval, tanto trabalhando quanto como folião, ele entende que a crise se dá por uma renovação natural da festa. “Tá se reinventando. Se as pessoas falassem numa mesa para escrever um projeto sobre o Carnaval, não daria certo. É o que estão tentando fazer agora com soluções ‘geniais’. Mas como é que fala assim: ‘Oh, vamos colocar 1 milhão e pessoas na rua e 20 trios’. Não tem como dar certo. Só funciona porque as pessoas não param para pensar no que ele é. A mesma coisa são as mudanças. Ninguém falou: ‘Vamos tirar as cordas’. Foi acontecendo. Deixa o Carnaval seguir o fluxo dele. Deixa o povo escolher”, finalizou.
