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Convicto, Pablo fala sobre sair do arrocha: ‘Não me vejo cantando outro estilo’

Por Júnior Moreira

Convicto, Pablo fala sobre sair do arrocha: ‘Não me vejo cantando outro estilo’
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

O cantor Pablo está de volta a Salvador. O “Rei da Sofrência” apresentará o show “Pablo no Boteco” em Periperi, no Clube Hall, neste sábado (14), às 20h. O local foi escolhido a dedo. “Periperi foi um dos lugares que abraçou para que chegássemos em Salvador, desde a época do Asas Livres, do Grupo Arrocha... Nada mais justo do que retribuir esse carinho do público”, firmou. A apresentação é resultado do DVD, gravado em Feira de Santana, de forma mais intimista. “Sempre tive um sonho de fazer um registo onde convido os amigos para cantar. Surgiu essa oportunidade e eles toparam. Criamos a ideia do boteco por estar em evidência. Já a estrutura veio da necessidade de ficar mais perto do público. Claro que em alguns lugares não conseguiremos levar assim”, ponderou.  O projeto contou apenas com convidados sertanejos, como Luciano Camargo (da dupla com Zezé), Fernando e Sorocaba e Henrique e Diego, e Pablo explicou o motivo. “O sertanejo tem uma linguagem como a linha romântica do arrocha. Todos os artistas nacionais cantam o arrocha, né? O sertanejo universitário é praticamente o arrocha mesmo. Já temos essa essência e identidade”. Contudo, admitiu que isso não é uma intenção de migrar para o ritmo “irmão”. “Não me vejo cantando outro estilo a não ser o que faço. Cresci no meio da seresta e hoje o arrocha é a antiga seresta. Então, assim, tenho uma vontade de gravar um CD individual, para brincar e escutar. Sou fã do sertanejo, mas não há pretensão de sair do arrocha para fazer forró, pagode...”.

Por falar em seresta, nesta semana a cantora Nira Guerreira faleceu vítima de um câncer de mama (veja aqui). Pablo confessou que eles não eram próximos, mas “tinha um respeito muito grande”. “Nira representou o arrocha de forma muito positiva. Começamos na mesma época e ela conquistou a admiração e o espaço de todos. Que Deus a tenha”, desejou. O cantor falou ainda sobre o grau de união entre os artistas do segmento. “Acho que o mercado musical é tão grande e todo mundo tem seu espaço. Para mim, nunca tive rivalidade com ninguém, nem essa coisa de disputa. Acho que é mais coisa de empresário, de puxar a sardinha para seu artista. Me dou muito bem com Silvanno e Tayrone, por exemplo”, lembrou. Por ter sido abraçado pelas camadas mais populares, o arrocha sofreu preconceito assim que surgiu. Quanto a isso, Pablo minimiza: “Em todos estilos, temos as críticas e elogios. Aprendemos a lidar. No início, diziam que seria passageiro e já temos quase 20 anos. Fomos muito criticados, principalmente, pela classe A, porém aos poucos, aprendendo a lidar com a situação, continuamos e quebramos isso. Lógico que ainda há quem não gosta, mas a maioria abraça. Atualmente, somos cobrados a tocar nesses lugares que antigamente não queriam”, complementou.  Uma prova que o preconceito está diminuído pode ser associado ao fato de Maria Bethânia ter escolhido uma música sua para entrar no DVD. “Apesar do gênero diferente, a linguagem é a mesma: romântica. Bethânia tem a mente muito aberta. Recebi um convite para o show dela e não consegui ir. Os colegas disseram que ela estava cantando a música que gravei, que tinha um respeito por mim e tal. Depois, soube que ia gravar ‘Vingança do Amor’. De uma certa forma, é um modo de mostrar para a classe A que a gente se une, que fazemos de verdade e isso deve ser levado em consideração”, avaliou. Os ingressos para o show deste sábado custam a partir R$ 35. Além do “Rei da Sofrência”, a apresentação contará com participação da dupla Alex e Camargo.