Meses após proibição, Camarote da Virada cobra valor diferente para homens e mulheres
A cobrança diferenciada de valores de ingresso entre homens foi definida como ilegal pelo Ministério da Justiça em julho deste ano. Porém, a medida ainda não foi incorporada por todas as produtoras que atuam em Salvador. O Camarote da Virada, um dos que estarão na Arena Daniela Mercury no Festival da Virada 2018, vai cobrar mais para os homens que quiserem curtir o serviço all inclusive do espaço na virada do ano. O Camarote da Virada, no dia 31 de janeiro – único com comida e bebida inclusos –, cobra R$ 750 para as mulheres e R$ 800 para os homens. A diferença entre os valores cobrados cai de R$ 50 para R$ 40 na compra de passaporte para 4 dias de festa: R$ 1.330 para o público masculino e R$ 1.290 para o feminino. O Camarote Elegance, que também estará na festa e também oferece o serviço all inclusive na noite de Ano Novo, não tem diferenciação de gênero: qualquer pessoa paga R$ 500 pela entrada. A proibição foi definida pelo Ministério da Justiça após uma ação popular questionar a diferença de cobrança por gênero. No entendimento da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao ministério, essa discriminação é uma "afronta aos princípios da dignidade da pessoa humana", uma prática comercial abusiva que usa a mulher "como estratégia de marketing e que a coloca em situação de inferioridade". O BN entrou em contato com a assessoria do camarote para questionar se a organização estava ciente da determinação do ministério e se havia chance de adequação. Até a publicação da matéria, a resposta não foi obtida. De acordo com o Procon da Bahia, apesar do documento do Ministério da Justiça, a cobrança diferenciada com base no gênero nunca chegou a ser proibida na Bahia, porque decisões judiciais suspenderam liminarmente a decisão da Senacon. Atualizada às 14h55.
