Lea T fala sobre participação na abertura da Rio 2016: ‘Muito emocionada e lisonjeada’
Foto: Divulgação
Para quem não conseguiu ver por conta da rápida passagem, Lea T foi quem puxou a delegação brasileira na entrada ao gramado do Maracanã, durante a cerimônia de abertura da Olimpíada Rio 2016, na última sexta-feira (5). Rosto de várias grifes internacionais, a filha do ex-jogador de futebol Toninho Cerezo, foi a primeira transexual a ganhar destaque na história dos Jogos Olímpicos. "No dia é tudo muito corrido, tem muita pressão, você não consegue parar realmente para refletir, você só fica preocupada em fazer direito a sua parte e torcendo para dar tudo certo. A ficha caiu no dia seguinte quando eu consegui assistir tudo direitinho", contou ela.
A modelo explicou que, na emoção, acabou cometendo um pequeno errinho durante sua participação. "Na hora de pedalar, fui rápida demais. Quando você entra no estádio, são muitas luzes e você fica prestando atenção no ponto que fica no ouvido para ouvir as instruções. Depois, quando vi que tinha acelerado, fiquei chateada, pensei 'ai, errei o tempo', fiquei com medo de ter estragado as coisas planejadas, sabe? Mas acho que deu tudo certo", explicou ela, destacando que sua reação mais forte foi quando teve o primeiro contato com a festa, durante o ensaio. "Moro em um parque natural, na Chapada dos Veadeiros, lá a gente acredita em permacultura, na plantação, no reflorestamento, e achei muito lindo eles terem aberto espaço na cerimônia para falar sobre esses assuntos, que são temas muito importantes para mim. No ensaio, quando vi isso tudo, chorei muito, fiquei muito emocionada e muito lisonjeada de fazer parte disso, é uma sensação de gratidão", desabafou.
Lea também destacou a importância de participar numa cerimônia no Maracanã, estádio muito importante para seu pai, o ex-jogador Toninho Cerezo. "Antes de entrar no gramado, me emocionei por entrar em um lugar onde meu pai já tinha jogado, um lugar onde outra pessoa do meu sangue já havia posto os pés. Pensei, 'meu pai já esteve aqui e agora quem está aqui sou eu'. Quem diria que um dia eu iria pisar nesse estádio", refletiu. Ela explicou também, que não acredita que sua participação vá ficar marcada na história dos Jogos.
"Não quero pensar que fiz história porque acho que não mudei nada. Vejo que a vida de outras meninas é tão mais puxada, elas enfrentam situações tão mais duras que as que eu enfrento, e ainda assim elas seguem em frente, lutando e batalhando, que acho que a gente tem que levantar a bandeira é dessas meninas, elas é que fazem a história, elas é que são as guerreiras. Eu simplesmente representei", finalizou.
